Clube do Livro #8: Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente

Ando por uma fase literária que se resume em ler coisas curtas e rápidas. Com uma rotina intensa de trabalho (e assistir Gilmore Girls), minha atenção para grandes e complexas histórias anda cada vez mais esparsa. Após decidir que não posso deixar de incluir a leitura no meu dia a dia (percebi que meu humor costuma realmente melhorar quando tenho algo para ler em mãos), optei por me aventurar cada vez mais em poemas e textos mais concisos.

Então minha jornada para chegar até “Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente” foi basicamente essa: já acompanhando o trabalho deste coletivo incrível pelas redes sociais, resolvi comprar o e-book justamente por se encaixar nesses quesitos. Durante meu tempo de leitura, eu não deixava passar nenhuma oportunidade que surgia de ler esse livro, nem que fosse um único texto. Todo dia eu lia algumas páginas; às vezes me empolgava e passava horas com os olhos percorrendo a dor de outras pessoas, outras aqueles sentimentos eram tão intensos e me faziam refletir tão profundamente que eu fechava o livro depois de apenas algumas linhas.

A beleza desses textos se encontra nas características da escrita, tão casual e simples que chega a ser refrescante. Cada palavra é tão sincera e dita de maneira tão descomplicada que é impossível não sentir como se tudo não passasse de uma conversa entre dois melhores amigos. Antes mesmo de terminar o livro eu já sabia que ele era sensacional; na verdade, após ler os três primeiros textos e levar os três primeiros socos no estômago eu já tinha incluído ele na minha lista de favoritos.

Normalmente quando leio livros de poemas, procuro em suas palavras algo com o qual eu me identifique. Algum sentimento, alguma situação, apenas algo que me faça lembrar das minhas próprias experiências. Esse é um dos motivos pelos quais Rupi Kaur e seus colegas de instapoetry são tão geniais: você sente que sua própria vida está sendo relatada nas páginas que outras pessoas escreveram. Mas o TCD (como o coletivo que criou esse livro se apelidaram carinhosamente) é diferente e eu explico o porquê.

Por mais que alguns textos sejam mais genéricos e, por isso, mais fácil de se identificar, existem muitos que são tão detalhadamente específicos que a única maneira de olhar para eles é como uma história sendo contada por alguém que a viveu. Um relato bastante doloroso ou feliz de uma das partes envolvidas. E isso torna o livro brilhante porque faz com que desviemos o olhar do nosso umbigo por um instante e tente entender os problemas do outro. Ao invés de tentar fazer com que as palavras se tornem nossas, que as histórias sejam sobre os nossos sentimentos, passamos a sentir empatia por aquela pessoa e nos imergimos em suas emoções. Quer coisa mais linda que isso?

Ler sob a perspectiva de outras pessoas sobre as dores que eu passei e sobre aquelas que nunca cheguei a experimentar, abriu meus olhos para um novo tipo de leitura: aquela que compreende que a escrita é a forma mais pura e sincera de derramar nossas emoções.

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