Clube do Livro #7: Tartarugas até lá embaixo

Muita coisa se passou desde que John Green se tornou a sensação da literatura juvenil. Seu maior sucesso, A culpa é das estrelas, virou filme e foi o empurrão necessário para a massificação das obras do autor. Desde então, não existe uma alma viva nesse planeta que não tenha ouvido falar dele: até mesmo pessoas que não são leitores ávidos deram uma chance para o autor.

O ano de 2017 chegou e com ele veio o anúncio de que, após um hiato de cinco anos, John Green estaria lançando em outubro uma nova história repleta de romance adolescente. Foi o suficiente para o universo YA entrar em euforia. A contagem regressiva começou e a cada detalhe novo revelado, nossa ansiedade aumentava loucamente. Quando o dia finalmente chegou, eu prometi para mim mesma que iria priorizar a obra na minha tbr, mas a vida aconteceu e as coisas ficaram complicadas. Apesar de a vontade de mergulhar de cabeça ter sido grande, eu só consegui efetivamente me dedicar ao livro recentemente.

Traduzido como Tartarugas até lá embaixo, a obra conta a história de Aza Holmes, uma jovem garota que sofre de transtorno obsessivo compulsivo e as dificuldades que ela encontra em viver sua vida. Como esse é um livro de John Green, não poderia faltar uma grande amizade e um romance repleto de complicações no meio. Como já era de se esperar, eu terminei esse livro em um piscar de olhos, mas surpreendentemente ele não me sensibilizou como os seus irmãos.

Até chegar na última página de Tartarugas, eu não havia conseguido identificar o que estava me deixando incomodada em relação a essa história. Durante todo o tempo. eu estava realmente desfrutando da leitura, mas não era aquela paixão desenfreada que faz a gente ter vontade de nunca mais tirar os olhos da página e esquecer do mundo lá fora. Era agradável, mas só isso. Então eu me dei conta do porquê: não existe uma trama nessa história.

Deixa eu explicar. Nós acompanhamos a vida de Aza e aprendemos sobre seus pensamentos mais íntimos e isso tudo é ótimo. Incrível mesmo! É genial (além de extremamente relevante) que o autor tenha escolhido falar tão abertamente de uma doença mental, mas tirando os sentimentos da protagonista, temos apenas momentos aleatórios e acontecimentos sem muita importância para a continuação do enredo. Me pareceu uma sequência de frases impactantes para usarmos como legendas e momentos reflexivos sobre a vida de quem sofre com TOC, o que não é exatamente ruim, mas não é excelente, sabe? Não existia nenhum envolvimento dos outros personagens e a base na qual a vida de Aza se desenrolava era fraca e superficial.

Não me entendam mal, a protagonista foi extremamente bem construída e a maneira como o autor a expõe para o leitor faz com que entendamos a sua posição. O que é o charme dos livros de Green: eles são tão unicamente e individualmente esculpidos que é impossível não sentir certo toque de exclusividade neles, como se cada um de seus personagens falassem conosco em um nível de intimidade reservado para melhores amigos.

Então o caso não é  de esse ser inferior aos outros livros já lançados pelo autor ou de eu não ter apreciado a leitura. Foi ótimo passar o meu tempo com a Aza e ter enxergado sua doença sob a perspectiva de alguém tão envolvido, mas eu gostaria de ter lido muito mais sobre o universo ao seu redor. E isso é só a minha vontade; eu entendo que mostrar a vida de uma adolescente unicamente pela perspectiva dela foi a intenção de John. E, até certo ponto, eu apoio sua decisão de focar nas dificuldades de viver com TOC. Eu só desejava que a história tivesse uma trama com mais acontecimentos.

E apesar de não estar em posição de avaliar se o retrato de uma vida com TOC que o autor criou é fiel ou não, posso afirmar seguramente que é um ótimo livro para exercitar empatia. Afinal, não é disso que o mundo precisa mais?

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