Black Mirror: todos os episódios da temporada 4 comentados

Atenção: Contém muitos spoilers

Black Mirror com certeza foi uma das séries mais marcantes de 2016, com a temporada 3 – a primeira produzida pela Netflix. Os antigos fãs tiveram suas expectativas atingidas, enquanto os novos fãs correram pra ver também as seasons 1 e 2 e aquele especial de Natal que pqp, é um dos meu top 3.

A espera para a 4ª temporada foi árdua, mas finalmente, ao final de 2017, os seis novos episódios foram disponibilizados. Eles dividem opiniões, mas um consenso é um geral: foi a mais fraca até agora.

1 – USS Callister

Esse episódio se encaixa bem no “conceito” Black Mirror (e também da vida real): através da tecnologia, vemos do que o ser humano é capaz. O personagem principal é aquele clássico estereótipo do cara que se acha um gênio incompreendido, o frustrado que culpa os outros pelas suas derrotas, acha que não recebe o valor que merece e encontra na sua maior qualidade – sua inteligência e conhecimentos de programação – uma forma de se vingar. No mundo virtual, ele mostra sua verdade, torturando e tratando como realmente gostaria as pessoas da sua convivência, lembrando como muitas vezes assumimos outra personalidade online. A ideia de transformar gente da vida real em personagens de seu jogo é bem interessante e o visual do episódio é bem bacana, tanto que conquistou fãs de Star Trek e Star Wars e já rolam boatos de um spin off (pra mim, as batalhas e seus cenários e vilões lembram muito mais Power Rangers, não?), mas a resolução final das coisas não convence. O episódio é super arrastado e de repente tudo começa a dar certo – hackear o sistema, enrolar ele, roubar a nave, entrar no buraco, a personagem real invadindo a casa dele.

Melhor pessoa desse episódio

2 – ArkAngel

Falar sobre pais superprotetores e até onde isso pode chegar é um ótimo tema. Posso ver na vida real pais loucos para usar o ArkAngel e poder controlar melhor seus filhos. Pena que o roteiro do episódio toma um rumo clichê de final fácil. Sexo e drogas? Groundbreaking. Preferia ver que ela cresceu e virou uma adulta cheia de traumas, com problemas psicológicos, talvez até alguém completamente dependente da mãe, enfim, qualquer coisa que não fosse esse único caminho mais óbvio. Ótima ideia, péssima execução.

Esse lance de conteúdo censurado não é genial? Chateada que não aproveitaram melhor essa ideia

3 – Crocodilo

Também conhecido por o episódio mais chato da temporada. Personagens chatos. História chata. O clichê do “atropelamos alguém, e agora?” que todo mundo já conheceu em Eu sei o que vocês fizeram no verão passado. O lance de consultar as memórias é ok e parecia ser ainda um projeto experimental, diferente do excelente The Entire History of You, da primeira temporada, quando as pessoas já possuem chips e podem consultar qualquer lembrança passada. Mas daí consultar as memórias DO RATO? Pelamordedeus, me senti feita de trouxa. Fico imaginando que perguntas fizeram pro rato lembrar do momento. kkkk

É isso mesmo, nem um gif decente eu achei porque ninguém se importa com esse ep

4 – Hang the DJ

Sim!!! Esse foi o primeiro episódio da temporada que me fez sentir assistindo Black Mirror. Bem pensando e bem executado. Talvez eu seja muito shipper (sou mesmo!!), mas adorei torcer pelo casal, não fazer ideia do que ia acontecer, ficar imaginando porque eles eram obrigados a obedecer o tal sistema – eles querem? Pagaram por isso? Agora o uso é obrigatório? – e ainda perceber algumas alfinetadas e ironias em relação à maneira como nos relacionamos atualmente. Assim como San Junipero, um romance com final feliz. A vantagem do primeiro é ser um alívio de esperança em meio à tantos episódios devastadores, enquanto o segundo é o único bom depois de tanta coisa medíocre.

Aqui eu já estava em lágrimas

5 – Metalhead

É talvez o episódio mais diferentão de toda a série (até Anitta twitou sobre!). Filmado todo em preto e branco, ele segue uma receita requentada também: um personagem fugindo. A tensão é boa, o suspense é bom, mas a tecnologia aqui fica atribuída somente aos robôs que matam os humanos e dominam o mundo, tema mega recorrente na ficção científica. Aqui achei o contrário dos primeiros: ideia fraca, mas bem executado. Episódio bom de assistir.

6 – Black Museum

O melhor episódio da temporada. Triste ter essa dose maravilhosa de Black Mirror justamente quando chega ao final, mas, na minha opinião, salvou a temporada. O episódio poderia até ser um encerramento geral da série, já que o museu conta com vários artigos que apareceram anteriormente e muuuitas referências. A trama de Black Museum é bem amarrada, explora muito a tecnologia e MUITO o comportamento humano. Se tivesse que botar um defeito, diria que é o início, quando ela parece descobrir o local sem querer. Poderia ter sido um pouco mais sutil, mas é apenas um detalhe que não chega a interferir. As 1h9min são muito bem utilizadas, trazendo histórias interessantes e fechando com chave de ouro. Aquele tipo de episódio que faz você se sentir mal pra caralho, mas vibrar por ter assistido algo que te deixe tão abalado.

Não assista antes de dormir

Ranking de episódios:

1 – Black Museum (6º)
2 – Hang the DJ (4º)
3 – Metalhead (5º)
4 – USS Callister (1º)
5 – AkrAngel (2º)
6 – Crocodilo (3º)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s