36 discos de 2017 – parte 03

Leia as partes 01 e 02 também!

Harry Styles – Harry Styles

por Cindy da Rosa

Desde o primeiro minuto de Harry Styles, eu me encontrei em um estado de euforia e desespero. Mais do que um álbum bom, Harry quebrou o molde e surpreendeu até mesmo aqueles com altas expectativas. Com uma pegada mais rock do que qualquer um esperaria de alguém que recém saiu de uma boyband, é original e deliciosamente inesperado ele lançar esse estilo de música em 2017, quando a maioria dos jovens artistas parecem fazer um pop fabricado sem grande diferencial. Um repeat merecido para “From the Dining Table” e “Carolina”.

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Tove Lo – Blue Lips

por Matheus Bertoldo

Desde a sua estreia no cenário pop mainstream em 2014 (sdds “Habits (Stay High”) em todas as festinhas), Tove Lo sempre deixou uma coisa muito clara: ela não tá nem aí para o que pensam dela. Com o Blue Lips, terceiro álbum de estúdio da cantora, a mensagem só ganha mais força, começando pelo nome. Assim como seu antecessor, Lady Wood (de 2016), Tove busca subverter expressões ligadas ao sexo e conhecidas apenas para se referir a homens, criando suas “versões femininas”. Lançado em novembro deste ano, Blue Lips funciona também como segunda fase da história iniciada em Lady Wood. Enquanto o primeiro trata do início de sentimentos em um relacionamento, a busca por prazer e, consequentemente, os problemas causados por tudo isso, a sua continuação traz uma Tove mais honesta e consciente de tudo a sua volta. O álbum é separado em dois capítulos: Light Beams, que abre o álbum, traz a cantora em um ambiente já familiar, cantando sobre diversão e buscando pontos altos da vida através do sexo e das drogas. Aqui, “disco tits”, “shedontknowbutsheknows” e “bitches” são destaques. Já na segunda parte do álbum, Pitch Black, Tove surpreende e acerta muito. Falando sobre o fim do relacionamento iniciado no álbum passado, aqui a cantora usa sua músicas para mostrar sua vulnerabilidade de uma forma pouco vista até então, experimentando mais com sua voz, ao mesmo tempo em que resgata sonoridades antigas e as renova, como em “bad days”, “hey you got drugs?” e “cycles”Sendo o ponto final na saga contada por Tove Lo, o álbum cumpre seu papel muito bem, ampliando o trabalho ótimo dela até então. São músicas divertidas, verdadeiras e que, acima de tudo, mostram o talento de Tove como uma excelente compositora de música pop, sempre pronta para falar o que pensa, sem filtros.

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MC WM – Nós É Pika

por Leonardo Baldessareli

Nós é Pika, de MC WM, é um disco que levanta muitas questões: qual o signo do WM e o que seria um transariano? Quando o grave faz bum, o que o bumbum dela faz? Qual bumbum mais bate, qual bumbum mais pula? Gege é dos acordeons ou dos teclados? Afinal, se nós é pika, o resto é o quê? Na mera posição de buraco, só nos resta ouvir, admirar e balançar a raba com o disco de funk que MC WM lançou esse ano. Do início pro meio do ano, o cara começou a empilhar hits – desde a solo “Rabetânia” até as duas parcerias com MC Lan em “Grave Faz Bum” e “Sua Amiga Vou Pegar” e o feat. com Os Cretinos em “Qual Bumbum Mais Bate, Qual Bumbum Mais Pula”. No meio desse rebuliço, lançar um álbum parecia um tanto estranho, já que os caminhos do funk atual apontam para vários singles de sucesso em sequência como o único norte para o sucesso – mas MC WM sabia muito bem o que estava fazendo, afinal, Nós é Pika não é só um disco, são 17 hits juntos, vários já confirmados e alguns em potencial. Assim, além de trazer beats inovadores e versos de pura genialidade, o cara conseguiu fazer o jogo do funk de um jeito diferente: ao invés de um hit estratosférico e de uma “gangorra” de sucessos, com o hit anterior caindo de performance enquanto o novo estoura, o cara emplacou vários hits grandes ao mesmo tempo, e assim se mantém com 4 a 5 músicas no ranking das 200 mais ouvidas diariamente no Spotify brasileiro há mais de dois meses. Claro, ele não é o primeiro a fazer isso, ou pelo menos a ter essa ideia: o primeiro semestre do MC Lan teve uma lógica parecida graças à série “MC Lan Diariamente”, em que o cara lançou uma música por dia e estourou várias – e nomes como Livinho e Kevinho já são tão imensos que acabam mantendo a alta performance dos singles antigos mesmo quando trocam de prioridade. Mas MC WM lançou um ÁLBUM, algo muito raro no funk atual, e está trabalhando e hitando todas as músicas (metade do disco já ganhou clipe no Kondzilla). E, como comentei antes, ele não precisou de um hit estratosférico, de uma “música fenômeno”, pra ser um grande nome do funk – a que chegou mais perto disso foi “Rabetânia”, mas a performance da faixa não chega nem perto da de hits como “Bum Bum Tam Tam”, “Cara Bacana”, “Rabetão”, “Fazer Falta” ou até das novas “Agora Vai Sentar” e “Amar Amei”. Além de tudo isso, o disco e suas faixas acabam sendo mais uma prova imensa de como o funk atual no Brasil tem um padrão de consumo muito semelhante ao hip hop nos EUA, algo que coloca os dois gêneros quase “lado a lado” como fenômenos populares e urbanos: hoje, o hip hop tem vários artistas fenômeno nos EUA, alguns também sem um hit gigante, mas emplacando várias músicas entre as 200 mais tocadas no Spotify. Um exemplo é XXXTENTACION, que até chegou perto de ter um grande hit com “Jocelyn Flores”, mas chamou muito mais atenção pelo sucesso de várias músicas do seu último álbum simultaneamente. E, se você for levar em conta o consumo no Spotify, é quase como se esse cara fosse o MC WM, o Lil Uzi Vert fosse o Livinho, o Post Malone fosse o Kevinho, Migos fossem Jhowzinho & Kadinho, 21 Savage fosse o MC Lan, Lil Pump fosse o MC Fioti, Logic fosse o MC Don Juan, G-Eazy fosse o G15… e eu poderia fazer esses paralelos por linhas e linhas. Enfim, WM é um funkeiro gigante surgido na lógica da “cauda longa”, e não me surpreende caso você nunca tenha ouvido falar dele até ler esse texto. Aliás, se você realmente nunca o ouviu, Nós é Pika tá esperando seu play lá no Spotify, Apple Music, Deezer ou o que você preferir. Aliás, MC WM deu Check Mate bem antes do que certos concorrentes.

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Gorilaz – Humanz

por Carol Santos

Desde 2011 a banda não dava as caras, e sinceramente eu já não tinha mais tanta esperança se um dia voltaria a dar. O anúncio de Humanz, quinto álbum da banda liderada pelo Damon Albarn e Jamie Hewlett, foi ao delírio do lançamento a quebra de expectativas. Claramente o disco foi uma experimentação que envolve diversas referências, parcerias, gêneros e talvez, evitando qualquer noção de linearidade sonora. Não é um álbum para se escutar completo e em ordem para buscar algum sentido através disto, mas não me sinto confortável para afirmar que tenha sido com a intenção puramente comercial, e sim, querendo realmente experimentar e mostrar que poderiam ir além dos trabalhos anteriores, já considerados maduros. Como ponto alto do disco destaco as canções “Andromeda”, “Saturnz Bratz” e “We Got The Power”, todas formadas a partir de parcerias, assim como a maioria das canções do álbum. Do ponto de vista artístico, acredito que toda essa quebra foi muito proveitosa, mas parece ter deixado de lado um pouco da identidade da banda. O álbum em si não é nada entediante, embalou minhas tardes por alguns bons dias, serviu para conhecer todos os artistas envolvidos nas parcerias, além de trazer, como sempre. os elementos de hip hop e música eletrônica para cada vez mais próximo do grande público.

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Unpeeled – Cage the Elephant

por Jennifer Baptista

Peço perdão aos meus lads do Strypes e à Willow, que lançaram dois discos incríveis, mas preciso falar do Cage the Elephant. Embora eu já conheça a banda há certo tempo, em 2017 eles me ganharam de vez. Em Unpeeled, a banda revisita seus clássicos e transforma as músicas que já conhecíamos e amávamos, deixando-as mais acústicas. Além de reinventar suas próprias canções (quero destacar aqui a nova versão de “Trouble” e “Spiderhead”), o Cage the Elephant traz covers incríveis para as músicas “Whole Wide World”, “Golden Brown” e o cover-melhor-que-original de “Instant Crush”. São 21 músicas para se deliciar com o melhor da banda, viajando por todos os seus hits em um clima mais “introspectivo”, como se eles estivessem tocando pra ti em um showzinho particular.

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Liam Gallagher – As You Were

por João Guilherme Koefender

Até outubro deste ano, era só chutar uma moita que saíam vinte fãs saudosos do Oasis, os quais observavam um distanciamento cada vez maior dos irmãos Gallagher, em um misto de conformação (da certeza de que a banda não volta ao menos até o dinheiro acabar) e frustração (com o rumo cada vez mais alternativo de Noel nas suas faixas com os High Flying Birds). O que supreendentemente veio acontecendo desde o lançamento do single “Wall of Glass”, juntamente a uma participação inusitada no show beneficente de Manchester, organizado pela Ariana Grande (a qual, em um contexto normal, Liam possivelmente lincharia em um tweet aleatório) e a uma postura mais amigável, é o comeback magistral do irmão Gallagher mais novo, em um primeiro disco solo. Um Liam, mais aberto a novas possibilidades, juntou-se com o compositor pop Greg Kurstin, conhecido por ter produzido os singles mais conhecidos de Adele, a própria. A mistura fez um discão que supriu nossa abstinência de Oasis, entregando aquela atitude característica do Liam, com um rock sem muita moda e super acessível. A gente encontra as guitarras empolgantes no lead single e em “Greedy Soul”; e também algumas baladinhas que poderiam facilmente ter tido o dedo do Noel nos early days do Oasis, como as ótimas “Paper Crown” e “For What It’s Worth”. Há quem diga que a composição da segunda é uma declaração da saudade que Liam sente do irmão, apesar da rixa. Sendo ou não, se Liam continuar no caminho que começou neste ano, talvez a gente nem lembre mais da saudade que sentimos dos dois juntos.

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Todas As Bandeiras – Maglore

por Marta Karrer

O quarto disco do Maglore caiu como uma luva no meu 2017. Já tá batido falar que foi um ano difícil, mas os últimos doze meses foram mais pesados do que o normal e exigiram uma força sobrenatural de mim e de várias das pessoas que eu amo. Todas As Bandeiras chegou assim, de sopetão, dizendo tudo o que estava entalado na garganta e eu não conseguia achar um jeito de verbalizar. É um álbum sobre cantar pra disfarçar a dor e dançar pra afastar o desespero. A vibe pop levinha me ajudou a levantar da cama nos dias que pareciam ter bem mais que 24 horas, e as letras até hoje me passam aquela sensação de que tudo não está tão mal assim. Logo na faixa de abertura, “Aquela Força”, o vocalista Teago já vem constatando o óbvio que a gente tanto precisa ouvir: “Você só vai saber sendo/Você só vai saber vivendo”. Outra frase que me bateu forte justamente por ser tão simples foi na faixa-título: “Eu vou, eu vou ficar aqui” é um dos trechos mais viscerais do disco, que chega na essência do que é tentar seguir em frente num cenário tão difícil quanto o nosso. O único jeito de sobreviver esse ano que passou foi dançando e cantando a plenos pulmões. Que em 2018 a gente siga dançando pra lidar com o a dobradinha “dor de amor e contas pra vencer”.

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Nação Zumbi – Radiola NZ vol.1

por Ananda Zambi

O Nação Zumbi surpreende nesse disco já pelo fato de ser um álbum de covers. Mas não só isso: as escolhas das canções mostram a diversidade de estilos musicais que inspiram a banda, que inclui artistas como Beatles, Erasmo Carlos, Marvin Gaye e outros. O Nação revive clássicos juntando elementos sonoros diferentes do que eles estão acostumados a usar (teclados e sintetizadores), mas sem perder a forte marca da banda de guitarras e baterias pesadas – isso pode ser visto em “Refazenda”, do Gilberto Gil, “Amor”, do Secos e Molhados (até tem a participação de Ney Matogrosso) e “Ashes to Ashes”, do David Bowie. Outros destaques do Radiola NZ vol.1 são “Do Nothing” e “Sexual Healing”.

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Silva – Silva Canta Marisa (ao vivo)

Por Carol Goyer

De Claridão (2012) até Júpiter (2015), Silva se permitiu evoluir. E o crescimento do capixaba culminou em um álbum de covers que muitos diriam ser o tiro no próprio pé. Silva Canta Marisa (2016) foi bem o oposto disso e sua versão ao vivo (2017) tem motivos de sobra para entrar nessa lista. O primeiro ponto a se falar é a qualidade vocal de Silva, que tem uma daquelas vozes que você pode passar o dia ouvindo sem cansar. E tudo que ele transmite através dela é requerimento básico para qualquer uns dos hits brasileiros compostos por Marisa Monte e escolhidos para a setlist. Há de se elogiar também os arranjos mais românticos criados para faixas como “Na Estrada”, “Eu Sei (Na Mira)” e “Beija Eu”. Spoiler: você ficará com o refrão desta última por muitos dias na cabeça depois de ouvir o álbum. E, para consagrar o disco, o resgate histórico é digno de muitos elogios. Com composições de Marisa datadas de 1994, o álbum traz ainda covers de “De Noite Na Cama” (Caetano, Gil e Gal, 1974), “Pecado É Lhe Deixar de Molho” (Tribalistas, 2002), “Eu Sou o Caso Deles” (Novos Baianos, 1974) e “Sonhos” (Caetano, 1982), ápice da apresentação e merecedor de um coro lindo. Para selar a proximidade com Marisa, Silva ainda apresenta “Noturna [Nada de novo na noite]”, composição da dupla gravada no ano passado e única inédita apresentada no disco. Com dois talentos desses, não espere nada menos do que uma letra sensível e profunda.

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La Índigo – Manantial

por Felipe Ramos

Adoro descobrir coisas quando estão começando. Conheci La Índigo esse ano, logo em seu início, com o clipe de “Medianeras”. Imediatamente, fui hipnotizado pela voz maravilhosa da Anaí. Assim que saiu o EP, fiquei dias ouvindo em repeat – principalmente “Saudade”, minha música favorita deles. Sua vibe é muito gostosa e sempre me relaxa muito, me anima e me deixa com um sorrisinho no canto do lábio. Em alguns momentos da minha vida, suas músicas me fazem respirar fundo e voltar pro mundo real. Tive a sorte de ver um show ao vivo este ano e a banda é ainda mais deslumbrante de pertinho. Sério, ouçam La Índigo.

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The Strypes – Spitting Image

por Jennifer Baptista

Não posso deixar de falar do disco de 2017 mais tocado no meu last.fm. Em Spitting Image, meus filhos irlandeses do Strypes vêm mostrar que estão em constante evolução, sempre em busca de novos sons e novas possibilidades. Seu terceiro disco de estúdio mostra o claro amadurecimento dos quatro lads, que cresceram fazendo música (a banda lançou seu primeiro EP quando tinham entre 14 e 15 anos). Faixas como “Great Expectations”, que conta com Evan (baterista) tocando saxofone, fazem o ouvinte vibrar! “Mama Give Me Order”, cantada pelo Josh (guitarrista), faz com que sintamos coisas que nem sabíamos existir. E “Behind Closed Doors”, que ainda é minha favorita do álbum, é um resumo de tudo que o Strypes representa – principalmente se considerarmos o videoclipe genial. Não contentes em lançar um álbum fantástico, eles ainda lançaram logo em seguida o EP Almost True. Aos poucos, a banda está tomando o mundo com seu talento. Mal posso esperar pelo que The Strypes nos reserva no futuro.

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haim – something to tell you

Que as meninas do HAIM são maravilhosas e, obviamente, seriam minhas amigas (elas até foram assistir a Britney Spears em Las Vegas!) não é novidade nenhuma. Mas foi com o segundo álbum Something To Tell You, que as irmãs da Califórnia me conquistaram musicalmente. O som do haim ficou mais leve e Pop, o que refletiu nos clipes incríveis e cools-sem-serem-chatos de ‘I Want You Back’ e ‘Little Of Your Love”, as mais coloridas do álbum. Mas também rolam momentos épicos, como a balada ‘Right Now’ que ainda ganhou um registro intimista do diretor Wes Anderson – que é tipo vizinho delas e filmou o vídeo em plano sequência como broder das meninas. É daqueles ábum de ouvir com amigos na estrada, enquanto se canta cada verso com a alma. Tá muito caro uma passagem pra Los Angeles?

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