36 discos* de 2017 – parte 01

* EQUIPE TRINTA E SEIS INFORMA: SELEÇÃO FEITA A PARTIR DO GOSTO PESSOAL DOS COLABORADORES, NÃO TEMOS NADA A VER COM ISSO.

Lorde – Melodrama

por Nicholas Guerini Selistre

Simplesmente o melhor álbum de 2017! É assim que começo falando sobre o segundo álbum da Lorde, o Melodrama. Além de conquistar o meu coração durante esse ano, o álbum também deixou qualquer crítico do cenário musical estarrecido e obcecado pelas batidas criadas pela cantora neozelandesa junto com o seu novo produtor Jack Antonoff (produtor do “1989”, da “Cobrinha” Swift, e  vocalista da banda Bleachers). Isso foi reforçado pelo recente prêmio de melhor álbum do ano pela NME (e rumo ao melhor do ano pelo Grammy também). Lá em 2013, no seu primeiro álbum, Pure Heroine, a Lorde com seus 16 anos já desconstruía a música pop com batidas Trap e acordes solitários para falar sobre o seu amadurecimento e as suas inseguranças, o que resultou num debut aclamado pela  crítica  e  fãs. Porém, no Melodrama, quase 4 anos depois (e com toda a pressão de criar uma obra tão relevante quanto a sua de estreia), a música está mais eletrônica e melancólica, o que se mistura para criar a atmosfera da festa que Lorde está curtindo, dançando e sofrendo (“we told you this was melodrama”). A solidão está presente em todas as músicas do álbum, junto de uma erupção de sentimentos intensos de uma jovem que agora reside no mundo de fama (e squads…). Ela está se recuperando de um relacionamento, onde espera pelo sinal verde para seguir em frente, mas é constantemente relembrada por um “supercut” de momentos do casal. Além de estar vivendo na adrenalina (with alcohol) cada momento e desconhecendo o que haverá quando a sobriedade aparecer, mesmo que isso a faça se sentir um grande fardo. Isso não é nada mais que um jovem (como muitos de nós) procurando o seu espaço, seu “perfect place” na sociedade, querendo deixar a sua marca e a sua arte a partir de suas ânsias e seus tormentos, nem que seja por caminhos incertos e complexos (but wtf are perfect places anyway?).

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Paramore – After Laughter

por Gabriela Cavalheiro

Em uma era de sorrisos dissimulados e redes sociais vazias, o Paramore basicamente re-inventou a expressão ‘fake happy’ com o disco After Laughter. Com 12 faixas bem 80s, cheias de sintetizadores, riffs de guitarra que grudam na cabeça e letras brutalmente honestas, esse álbum funciona tanto como um soco no estômago quanto um convite para dançar sozinho na sala de casa.

As músicas de abertura: “Hard Times”, “Rose-Colored Boy” e “Told You So” funcionam como boas-vindas à nova era tons pastéis dessa banda que sofreu bastante nos últimos anos, especialmente com brigas internas. Toda essa confusão deu origem à mais sombria “Idle Worship”, a Blondie-like “Grudges” e a experimental “No Friend” que conta com a participação de Aaron Weiss do MewithoutYou. “26”, “Caught In The Middle” e “Fake Happy” (e, honestamente, a maioria das faixas desse álbum) conseguem transmitir as tristezas e angústias de ser um jovem tentando se achar no mundo. Com After Laughter, o Paramore conseguiu apresentar uma face mais madura e provar que eles ainda têm muito potencial a oferecer ao público.

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The Maine – Lovely Little Lonely

por Natasha Heinz

Queria que todo mundo tivesse uma banda pra amar do jeito que eu amo o The Maine. Uma banda que nunca faz nada errado e, mesmo quando tu inicialmente não tem certeza se o novo álbum é o melhor que eles já lançaram, faz músicas que te cativam aos poucos, que vão se tornando mais próximas de ti a cada ouvida, até o momento em que o final do ano chega e tu se dá conta que elas viraram tuas melhores amigas. Tem aquela que tu coloca no volume máximo e canta junto (“Don’t Come Down”), aquela que te dá um aperto do peito toda vez que aparece (“Sound Of Reverie”), aquela que tu não ia muito com a cara no início mas te conquistou (“Black Butterflies and Déjà Vu”), aquela que está lá pra ti sempre que tu precisa (“How Do You Feel?”). Com Lovely Little Lonely, The Maine conseguiu fazer algo que eu não achava possível: me tornar ainda mais fã. Em uma época que ouvir música pode ser difícil para muita gente, é bom saber que eu tenho mais um álbum deles pra tocar, se nada mais der certo.

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Scalene – Magnetite

por Lucas Régio

Recheado de críticas políticas e sociais, riffs poderosos e vocais raivosos. Assim é o magnetite, terceiro álbum de estúdio da banda Brasiliense Scalene. Um disco muito bem construído pra se ouvir de cabo a rabo com bastante atenção e saudar a nova safra do Rock Brasileiro. Destaque para faixas como “Dispotia”, que carrega uma pesada crítica religiosa, “Esc (Caverna Digital)” e sua mensagem super Black Mirror e “Phi” e sua belíssima melodia.

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Tim Bernardes – Recomeçar

por Cleber Facchi

Melodias e arranjos cuidadosamente elaborados, lembrando a boa fase de veteranos como Brian Wilson e Paul McCartney. Nos versos, a busca declarada por mudança (“Quis Mudar”), incertezas (“Talvez”), relacionamentos instáveis (“Não”), depressão (“Ela”), descrença política (“Tanto Faz”) e o natural esforço seguir em frente (“Recomeçar”). Depois de três álbuns como vocalista e líder da banda paulistana O Terno — 66 (2012), O Terno (2014) e Melhor Do Que Parece (2016) —, Tim Bernardes fez do primeiro trabalho em carreira solo uma obra guiada por sonhos, desilusões, crônicas musicadas e diálogos breves com o ouvinte. Instantes de pura delicadeza, guiados em essência pela voz, pianos e arranjos econômicos de Bernardes, lembrando em alguns aspectos a rica obra acumulada pelo Fleet Foxes ao longo da carreira. Um exercício autoral que parece dançar pelo tempo, como se 1967 e 2017 se encontrassem em um mesmo ambiente criativo.

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The Cranberries – Something Else

por Cristian Cardozo

2017 não foi um ano de novos álbuns que me fizeram parar para escutar e depois escutar de novo. Mesmo assim, Something Else foi um álbum que o The Cranberries lançou este ano com músicas velhas. Ou clássicos da banda. Apesar de não trazer músicas novas, eles conseguiram renovar os sucessos da banda, como Linger sendo executada por uma orquestra. Poeticamente, eu gosto de pensar em como tudo pode mudar e ser diferente sem deixar de ser bom e reavivar momentos que estão conectamos com aquelas músicas.

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Joji – In Tongues

por Felipe Ramos

Acompanho o trabalho de George “Joji” Miller desde meados de 2011/2012, quando eu e meus amigos de ensino médio ríamos dos vídeos bizarros e nonsense de seu canal, Filthy Frank. Desde aquela época, Joji já mostrava seu talento musical em músicas debochadas, com sua incrível voz e com beats extremamente criativos – como é o caso de “Trap Dumplings”, “Rice Balls” ou “Fried Noodles”. Com o tempo, ele começou a lançar músicas mais sérias assinando como “Joji” em seu Soundcloud. Seu primeiro álbum não-oficial foi “Chloe Burbank”, e eu já sabia que precisava ter ouvido esse tipo de som há muito tempo. Ultimamente, ele anda lançando suas músicas pelo canal 88rising (recomendo “i don’t wanna waste my time”, inclusive), e esse ano lançou seu primeiro EP oficial, In Tongues e eu fiquei sem palavras. É tão delicado e emocionalmente intenso que no dia em que ouvi “Will He” pela primeira vez, passei o resto do dia me sentindo mal. O EP todo fala sobre break ups e fuck ups, misturando isso com temas como espiritualidade. O clipe de “Will He”, inclusive, é excelente. Devo muito ao Joji, porque com ele, eu descobri as maravilhas do Lo-Fi e me apaixonei pelo Childish Gambino.

“Will he play you those songs just the way that I did? Will he play you so strong just the way that I did? Will he treat you like shit just the way that I did? ‘Cause I don’t blame ya.”

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Phoenix – Ti Amo

por Janaína Ajala

Em uma tentativa de se manter nas paradas da música Indie, mas ao mesmo tempo querendo inovar e se distanciar do aclamado Wolfgang Amadeus Phoenix, surge então Ti Amo, o sexto álbum da banda francesa. A ideia é trazer para o ouvinte um pouco da antiga Itália, ou melhor, da Itália idealizada pelos próprios integrantes da banda.

Dividido entre versos sexys da faixa “Ti Amo” (“Open up your legs”) até frases românticas e fofinhas da “Fior di Latte” (“Don’t think about it, trigger me happy“), Phoenix consegue nos levar para um passeio pela antiga Europa através dos sintetizadores e a batida que lembra muito o movimento New Wave, músicas essas que poderiam facilmente ser trilha sonora da trilogia Before Sunrise (já consigo imaginar Celine e Jesse passeando pelas ruas de Viena com Via Veneto tocando ao fundo).

Ti Amo é um bom álbum, mostra o amadurecimento da banda. É um disco para sentir. Mostra que Phoenix consegue se reinventar e continuar jovial. Para os fãs mais nostálgicos e órfãos de Wolfgang só digo uma coisa: escute Ti Amo de coração e mente aberta, pois se surpreenderão.

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Lana Del Rey – Lust For Life

por Camila Oliveira

Só o fato de termos a Lana del Rey sorrindo na capa do disco já era o suficiente pra Lust for Life estar nesta lista, certo? Certo! ❤

Mas a verdade é que embora seu quarto álbum de estúdio traga a melancolia, os instrumentais sessentistas e algumas temáticas já esperadas pras canções de Lana (como a nostalgia, os amores que te destroem e a Hollywood já sem graça), Lust for Life é a obra mais madura de Lana.

Comparando com “Honeymoon”, “Ultraviolence” e “Born to Die”, dá até pra dizer que é um álbum mais animadinho e esperançoso! Apesar das várias influências do hip-hop e trap, o que chama mesmo atenção em Lust for Life são os vocais e os feats.

Em “Love”, “13 Beaches” e, especialmente, em “Change” a voz de Lana soa mais sensível e poderosa que nunca. E considerando que nenhum álbum anterior da LDR contou com participações, é uma surpresa ver que a faixa que dá nome ao disco é uma parceria incrível com The Weeknd (feat que já amávamos desde “Prisoner”).

Nomes como A$AP Rocky (em Summer Bummer e Groupie Love), Sean Ono Lennon (Tomorrow Never Came) e a Stevie Nicks ( Beautiful People Beautiful Problems) também somam aos convidados e dão pluralidade ao disco.

E aí, tá explicado por quê Lust for Life também ficou entre os dez melhores discos de 2017, pela NME?

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The national – sleep well beast

por Tobias Carvalho

Em um ano em que grandes artistas como Fleet Foxes, Grizzly Bear e Feist agraciaram seus fãs com retornos gloriosos, não poderia ser diferente pro National. Sleep Well Beast é uma grande adição a uma discografia já muito madura. Meus momentos favoritos estão no miolo do disco, nas faixas 6, 7 e 8. “Turtleneck”, um quase-punk político que te joga pra época do começo da banda; “Empire Line”, uma canção de desamor tão linda quanto qualquer uma que o Matt Berniger já escreveu; e “I’ll Still Destroy You”, um pedido de desculpas de um pai pelos genes que passou pros filhos. Apenas mais um presentaço dessa banda que não cansa de ser maravilhosa.

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Demi Lovato – Tell Me You Love Me

por Pedro Veloso

Nossa menina-mulher Demi está crescendo: saem os hits virginais “Give a Heart a Break” e “Heart Attack”, pra faixas sobre sexo, vícios e… beijo pra recalcadas? A cantora foi buscar inspiração na bíblia do Pop Stripped, da Christina Aguilera – outra ex-disney – pra fazer seu ábum mais adulto e mirando o mainstream.Demi tem a seu favor uma das vozes mais potentes da geração, que abafa qualquer sussurro da Selena Gomez e uma produção caprichada focada no pop. Aprende, Miley! Infelizmen a indicação ao Grammy não veio, mas calma lovatics: os humilhados ainda serão exaltados! Na próxima a gente leva Album Of The Year.

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Jorge Drexler – Salvavidas de Hielo

por Tiago Bianchi

O único latino-americano a faturar um Oscar de Melhor Música com Al Otro Lado del Río, em Diários de Motocicleta (2004), retorna esse ano com uma pérola inventiva e simples, atualizada e acústica e, principalmente, RECHEADA de fofura. Com Salvavidas de Hielo, Jorge Drexler afunda ainda mais na tendência de gravar música da forma mais orgânica possível, iniciada no premiado Cara B (2008), consolidada em Amar La Trama (2010) (gravado totalmente “ao vivo” em um estúdio de Madrid) e ficando mais dançante, como propõe o nome, em Bailar En La Cueva (2014). Usando apenas as “ferramentas básicas de um trovador”, o álbum foi totalmente gravado a partir de violões, guitarras e seus materiais – instrumentalmente é o mais “suave” na carreira do uruguaio.

Suavidade, marca registrada de Drexler também nas letras, que vem de cara na primeira faixa a ser revelada do disco, o abraço em forma de música que é “Telefonía”, que com a gente sobre o amor na maravilhosa era das telecomunicações – esteja você lutando para completar uma ligação internacional ou gerenciando seus contatinhos no Tinder. Em seguida veio “Silencio”, música que não apenas é uma ode ao tema no nosso mundo hiperconectado, no qual Drexler oferece “elegantes instantes” do mesmo em um excelente exemplo do truque de ouro de todo bom compositor, no qual deve-se saber que a música também é composta por silêncios – uma discussão musical cabeçuda mas surpreendentemente relaxante. A faixa tem ainda a “participação” do passarinho de estimação do estúdio, captado acidentalmente pelos microfones, mas não é a única: Drexler não poupa e ainda faz três duetos com as cantoras Mon Laferte, Julieta Venegas e, em especial, Natalia Lafourcade, na música que dá título e fecha o disco. Ainda como mestre da composição que é, Drexler homenageia Joaquín Sabina, outro grande trovador e compositor em “Pongamos que hablo de Martínez”, fazendo um lindo agradecimento por toda sua sua carreira a partir do momento que o veterano lhe aconselha a largar a medicina para seguir a carreira musical e partir com o violão debaixo do braço para a Espanha, país onde se estabeleceu e vive há mais de duas décadas.

A vida como imigrante entre América Latina e Europa, tema recorrente na carreira de Jorgito, também é parte do último single e primeira música do disco: a sensacional e impactante “Movimiento” vem com um clipe que alterna imagens de uma corredora tarahumara (povo nativo de Chihuahua, no México) e Drexler recitando, a partir de uma biblioteca em Madrid, uma letra que, em tempos de uma das maiores crises humanitárias da história, fala dos imigrantes em todos nós: Yo no soy de aqui / Pero tu tampoco! Um disco desse nível só prova que Drexler segue como um artista que consegue acompanhar o espírito do seu tempo ao abordar assuntos e formas tão simples quanto complexos, elegantes e amáveis, sin perder la ternura jamás.

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