Green Day: o que vivemos na segunda vez da banda em Porto Alegre

Na última semana, o Green Day desembarcou em Porto Alegre pela segunda vez. Com 30 anos de carreira e 12 álbuns de estúdio nas costas, o trio de punk rock/pop punk (não deixem o Billie Joe ler isso, pfvr) conseguiu hipnotizar milhões de pessoas durante quase três horas de apresentação.

Passaram-se sete anos desde o primeiro show da banda californiana na capital gaúcha, que foi considerado como um das melhores performances que eles já haviam feito. E como diz a letra de Wake Me Up When September Ends: “seven years has gone so fast”.

A gente sabia que esse show ia ser bom, mas não esperávamos que fosse ser TÃO BOM ASSIM. Resolvemos abrir nossos corações e trazer duas pessoas da nossa equipe para contar como foi presenciar tudo isso ao vivo.

VIVA BRAZIL 🇧🇷

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Chorei ao som de ‘Jesus of Suburbia’

Por Gabriela Cavalheiro

Quando anunciaram os valores dos ingressos do show do Green Day em Porto Alegre, minha primeira reação foi “gente, que que é isso?”. A alegria de não precisar mais pagar boletos da PUC vem casada com a desgraça de não poder pagar meia-entrada e isso é algo que provavelmente nunca vou aceitar. Na luta pela economia, a gente faz o esforço de ir atrás de alguém com cartão de crédito que dá desconto, caminha até o ponto de venda para evitar a facada da taxa extra e também aceita o ingresso de cadeira inferior. É Green Day, vai valer a pena.

Apesar da empolgação, foi só quando a banda entrou no palco e começaram os acordes de ‘Know Your Enemy’ que caiu a ficha de que eu estava vendo ao vivo, de novo, a banda que me ensinou inglês, que moldou meu gosto musical e me fez assistir MTV de forma compulsiva por causa de um clipe de 12 minutos.

Há meses, bebendo um vinho com amigas, percebi que eu tinha apenas dez anos quando o ‘American Idiot’ foi lançado. Eu era praticamente um bebê e o Green Day me ajudou a transformar toda aquela mistura de angústia, incompreensão e propensão ao desastre de uma criança/pré-adolescente em algo lindo. Nunca tinha compreendido a grandiosidade disso até que me vi com 23 anos cantando cada palavra de ‘Jesus of Suburbia’ junto com milhares de pessoas em um estádio, com a mesma emoção de quando tinha 11/12 anos, trancada no meu quarto com o diskman no volume mais alto, esbravejando cada estrofe do meu CD favorito. Admito que foi bem difícil controlar as lágrimas.

Green Day é uma banda incrível de se ver ao vivo e cada segundo desse show compridíssimo valeu a pena. Meu coração quase foi ao chão quando alguém jogou uma camiseta do Linkin Park para o Billie Joe e ‘Still Breathing’ se tornou uma homenagem ao Chester Bennington e a foto com a bandeira do “Fora Trump + Fora Temer” já se tornou plano de fundo do meu computador. A única coisa que não perdoo é o camarote com open bar de finger food.

Eu vivi pra ver o melhor show da minha vida – duas vezes

Por Jennifer Baptista

O tempo é uma coisa doida, né. Quando eu falo que “2010 parece que foi ontem” não estou brincando. Parece irreal que sete anos nos separam daquele emblemático ano. Este foi, provavelmente, um dos anos mais loucos da minha vida. Estava no ensino médio, no auge da minha adolescência roqueira. Tinha os melhores amigos, ouvia as melhores bandas e ‘21st Century Breakdown’ era um disco que não saía do meu rádio. Tantas vezes coloquei-o pra tocar no máximo do volume ou o deixava de som ambiente enquanto ficava horas no telefone com meu melhor amigo. Esse disco foi importante pra mim, pois foi o que me aproximou real do Green Day e foi o responsável por trazer a banda para seu primeiro show em Porto Alegre, naquele outubro de 2010.

Embora eu gostasse pra caramba do Green Day, mal sabia eu que estava prestes a entrar no melhor show da minha vida. O Gigantinho ficou pequeno para aquela performance cheia de força, vida e momentos inesquecíveis. Foi inesquecível e eu pensei que nada fosse chegar perto daquele momento.

Quando anunciaram que o Green Day voltaria ao Brasil, sete anos depois, minha reação foi de alegria. Seguida de dor e sofrimento, já que até os 45 minutos do segundo tempo este seria mais um show que eu perderia. Graças ao meu namorado (obrigada, Felipe) e a uma promoção inesperada, eu acabei comprando o ingresso três dias antes do show. Foi uma surpresa absurda, que me deixou ainda mais despreparada para o que eu estava prestes a presenciar no 7 de novembro de 2017.

Você deve estar pensando “que mulher que enrola pra contar as coisas, minha deusa!”, mas eu juro que não é proposital. É que simplesmente (ainda) não fui capaz de processar tudo o que aconteceu na terça-feira passada. Quando eu pisei no Beira-Rio e esperei durante dois shows de abertura pela chegada do trio californiano, eu não poderia sequer imaginar o que aconteceria nas horas seguintes.

‘Bohemian Rhapsody’ tocando nos alto falantes e sendo cantada em uníssono pelo estádio inteiro deu início a toda a loucura. Foi uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida e a banda sequer tinha subido ao palco. Quando o show começou real oficial com ‘Know Your Enemy’ (assim como foi em 2010) acompanhada de muitos fogos, eu senti que seria uma das noites mais incríveis da minha vida.

O que aconteceu depois foi absurdamente indescritível.

A cada música nova, a vontade de viver se renovava. Eu passei o show inteiro sorrindo, porque todos os sentimentos mais lindos ecoavam pelo meu corpo. Não pude conter a emoção quando a banda tocou ‘Still Breathing’, uma música cheia de significados, que se tornou ainda mais “carregada” quando Billie Joe segurou uma camiseta do Linkin Park jogada pela plateia. (Meus olhos ficam marejados só de lembrar da força desse momento.)

Inclusive, Billie Joe segurou muitas coisas que lhe foram jogadas pelo público: de bandeiras nacionais a bandeiras arco-íris e mensagens de ‘Fora Temer’. O Green Day sempre foi uma banda política e Billie Joe não deixou de discursar contra todo o tipo de preconceito que há em nossa sociedade. Aliás, o frontman tem uma presença de palco extraordinária e sabe como ninguém interagir com o público, não deixando o povo parado em nenhum minuto.

Conversando sobre o show com o meu melhor amigo lá do começo do texto, ele comentou que o Green Day é uma banda de show. É aquela banda que você TEM DE ASSISTIR quando tiver a oportunidade. É um ritual que todos deveriam vivenciar. É catártico, transformador.

Cada momento que passamos juntos dentro do Beira-Rio foi fantástico e eu tenho certeza de que cada uma das pessoas presentes também sentiu essa força absurda que é o Green Day. Eu posso ter saído do show com dores em todas as partes do meu corpo, mas eu definitivamente saí de lá renovada. É uma experiência de vida. Foi o melhor show da minha vida – mais uma vez.

A letra de ‘Good Riddance’, música que encerrou o repertório da noite, não poderia ser mais certa: it’s something unpredictable but in the end it’s right – i hope you had the time of your life.

A gente teve, Billie. Pode acreditar.

Porto Alegre!! Thank you all for the best shows ever in Brazil! We hope to see you soon!!! #aindaestamosvivos #vivabrasil

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