Clube do livro #Agosto: Sobre voltar a ler e maratonas literárias

Clube do livro é uma seção nova aqui no 36 para discutir nossas aventuras literárias. Livres de qualquer preconceitos, falamos de tudo aquilo que fazem nossas mentes se transportarem para outro universo.

O que é um bom leitor? O que faz? Onde vive? Do que se alimenta?

Bem, leitura é algo muito pessoal e não é como se houvesse uma fórmula ou modus operandi para sair da inércia e chegar no “estado ideal de leitura”. É um hábito que se constrói – e cada um o faz do seu próprio jeito, naturalmente. Dito isto, nesse encontro do nosso clube de leitura, vou falar sobre como retomei (ainda estou retomando) o meu hábito de leitura e do quão louca e intensa foi a experiência de participar de uma maratona literária.

1. Como é que se lê mesmo?

Após anos acumulando e empilhando livros que nunca seriam lidos, decidi que chegara a hora de dar um jeito em tal situação. É difícil ser uma amante de literatura, uma ex-letrista, e não ler. A sensação que se tem é frustrante demais…

A verdade é que o mais difícil é começar. Mas uma vez que se decide pela retomada da leitura, as coisas vão se encaminhando. A gente, na maioria dos casos, aprende a ler quando pequeno e passa lendo a vida toda. A gente lê todos os dias: sinais e placas, redes sociais, posts de blogs – então não é como se tivesse abandonado 100% tal atividade. Ainda assim, da mesma forma que se dá início ao processo de letramento, a coisa toda tem que ir por baby steps, devagarzinho.

Uma dica, que funcionou pra mim, é colocar uma meta de leitura. E não precisa ser nada muito megalomaníaco, não. Comece com 10 ou 20 páginas por dia. Não se precipite, não queira ler tudo de uma vez. Vamos com calma.

2. Opte por leituras fáceis

Para minha retomada inicial, além da minha meta de 20 páginas/dia, comecei por livros mais fáceis de serem consumidos. Isso vai muito do seu gosto e estilo literário. Por aqui, escolhi um livro de poesia para abrir os trabalhos – “Outros Jeitos de Usar a Boca”, de Rupi Kaur. Apesar de fortes e impactantes, as pílulas de sabedoria da canadense são, de certa forma, mais fáceis de assimilar que longos capítulos de prosa. Disso, parti para um livro de crônicas curtinhas – “Tá Todo Mundo Mal”, da Jout Jout. Era uma linguagem que eu já estava acostumada, graças a seu canal do Youtube, e se tornou bem acessível e prazeroso de ler.

Importante: Tem que ser bom pra você, tá? Não adianta correr atrás de uma meta que não tá funcionando. Ajuste a meta a sua rotina e não esqueça que esse processo precisa ser divertido. Tá bem? Então tá bem.

3. Desafie-se: que tal uma maratona?

Talvez eu tenha feito uma coisa meio doida nesse processo. Quando eu estava na finaleira do livro da Jout, descobri que o booktube estava se preparando para iniciar a Maratona Literária de Inverno 2017, organizada pelo canal Geek Freak. Achei demais e uma ótima oportunidade de tornar ainda melhor essa retomada de leitura. Por que não, né?

Decidir correr essa maratona foi uma das coisas mais divertidas que fiz. Primeiro, por causa da adrenalina e do comprometimento. Segundo, porque a sensação de chegar ao final de um desafio como esses, com aquele gostinho de dever cumprido é gratificante demais.

Não vou me estender muito, mas foi basicamente assim: o prazo foi de três semanas (inicialmente duas, mas acabou sendo estendida) e durante esse período tu deveria escolher uma modalidade, entre três e nove livros. Optei pela dificuldade média, no nível intermediário, cujo número de leituras era três livros. A maioria dos participantes escolhia uma TBR (to be read, que é a lista de livros a serem lidos) no começo, mas as mudanças são livres, afinal de contas, o objetivo da maratona é dar um gás no hábito de ler, então vai muito de cada um, de seu próprio tempo. Conforme a vontade, o desempenho no período, os flops e o gostar ou não de determinado título, muita gente alterou a TBR – eu incluída. Na semana final, mudei meu livro final (“Deuses Americanos”, do Neil Gaiman) por outros dois livros (“Faça Boa Arte”, também do Neil Gaiman, e “A Casa de Vidro”, da Anna Fagundes Martino). No fim, acabei lendo sete livros em três semanas, e fiquei bem satisfeita comigo mesma.

Minha lista ficou assim:

– “Eleanor & Park”, Rainbow Rowell
– “O Clube de Leitura de Jane Austen”, Karen Jay Fowler
– “Nimona”, Noelle Stevenson
– “Chico Bento: Pavor Espaciar”, Gustavo Duarte
– “Escolhas”, Felipe Cagno, Gustavo Borges e Cris Peter
– “Faça Boa Arte”, Neil Gaiman
– “A Casa de Vidro”, Anna Fagundes Martino

Recomendo fortemente as leituras, principalmente “Eleanor & Park” e “Nimona” – que leituras fantásticas!

4. E a ressaca literária?

Precisamos falar de ressaca literária: the struggle is real. Não pensem que tudo foram flores durante a maratona. Não foi. Tem adrenalina, tem o desafio, tem a satisfação de terminar. Mas também tem a pressão, o sentimento de que tudo vai dar errado, o medo do flop e a famosa ressaca literária. Basicamente, quando a ressaca bate, você não consegue ler de jeito nenhum! Ou lê daquele jeito, meio sem vontade, sabe?

Existem alguns tipos de ressaca, e eu passei por dois deles durante a maratona. O primeiro foi logo no início, após finalizar a leitura de “Eleanor & Park”. Eu me apaixonei tanto pelo universo da Rainbow Rowell que foi difícil sair dele. Por isso, fiquei mais do que o esperado em “O Clube de Leitura de Jane Austen”, que até era bom, mas acabou sendo arrastado – tanto por não atingir alguma expectativa que eu tinha, quanto por não ser o livro que eu acabara de ler e amara. O segundo é aquele sentimento de que o resto do mundo é mais interessante, sabe? O que no caso da maratona pode ter sido também causado pelo sentimento de pressão geral. Aconteceu na leitura de “Deuses Americanos”: o livro tem mais de quinhentas páginas e eu estava pressionada demais pra terminar logo. E por mais que eu estivesse adorando a leitura (ainda estou, pois sigo lendo), esta não é tão fácil, então é meio arrastada… Por isso que decidi mudar a leitura, apesar de não ter abandonado definitivamente. E esses novos ares que novas leituras trazem são ótimos – e recomendados.

5. A leitura deve te dar prazer

Esse é um tópico bem importante e se relaciona um pouco com o anterior. O livro que você lê tem que ser bom pra você! Sério. A menos que estejamos falando de leituras acadêmicas, não faz bem ler um livro que você não está curtindo – na verdade, isso só nos afasta do hábito literário. O livro não está bom? Muda. Pega outro pra ler, seleciona um estilo diferente, um gibi, um pocket… Não se sinta obrigado a permanecer em um livro que não está sendo compatível. Pode ser que não seja o momento certo. Quem sabe no futuro? Está permitido abandonar livros, teje decretado aqui. Inclusive, indico esse vídeo.

6. Mantendo o ritmo

Por fim, o importante é seguir lendo. Não vou dizer que manter o ritmo é fácil, pois não está sendo essa barbada pra mim. Tem dias que eu sinto falta da pressão da maratona, pra ser honesta. Minhas leituras diminuíram um pouco, mas sigo firme no pensamento de manter o hábito. Gibis e e-books têm ajudado bastante nisso, assim como textos no Medium e newsletters. Encontre o que você ama e deixe que isso encante a sua vida. Mesmo que aos pouquinhos, seguimos lendo. Vamos juntos?

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