Música da Semana #43: Papisa – Instinto (e mais dicas de minas pra ouvir!)

Música da semana é a nossa ~nova série aqui no 36. Cada sexta, vamos escrever um textão falando sobre alguma música que passou a semana inteira no repeat. Porque a gente gosta de compartillhar a vida e porque sim. 

Esse post começou a ser feito na semana passada, foi adiado, teve muitas formas e edições. Ele foi repensado e visto com novos olhares, assim como as discussões que o fizeram acontecer. Re-escrevo ele agora com a cabeça “mais fria”, mas não menos conturbada.

O machismo e seus desdobramentos (desrespeito, abuso, estupro) entraram – ainda mais – em pauta na última semana, quando nos deparamos com o relato de Clara Corleone no Facebook. Ex-esposa de Felipe Zancanaro, integrante da Apanhador Só, ela contou detalhes de seu relacionamento com o músico e toda a hipocrisia do recém-lançado “hino feminista” da banda. O texto repercutiu, muita gente reagiu, o “acusado” se pronunciou e a banda, que iniciaria tour de disco novo, entrou em um ~hiato.

A história da Clara se proliferou, gerou novos relatos, desenterrou relatos antigos, fez surgirem matérias irresponsáveis, mas também abriu espaço para uma discussão muito interessante sobre como nós, mulheres, somos tratadas nesse mercado da música – no palco, nos backstages e na plateia. Muita gente deturpou a discussão e desejou a morte do cara lá e de todos os caras da música (tanto que a Clara teve que fazer outro textão explicando o que a galera não entendeu, aqui). Mas também muita gente decidiu dialogar e ouvir as minas sobre o que elas têm a dizer sobre como a gente pode se defender, se a gente deve expor esses relatos nas redes e como a gente pode criar um ambiente seguro pras minas dentro da cena – olha aqui o artigo do Noisey.

Se tem uma coisa que a gente pode – e tem que – tirar dessa história toda é que há muito o que ser feito ainda. E a gente só vai fazer se fizer juntas. As minas estão ganhando voz, mas a gente tem que aprender a ouvi-las.

Então, vamos aproveitar esse momento pra enaltecer as minas fodas que fazem música foda? Vamos falar das minas que não estão com a banda, que são a fodendo banda?!?!

Papisa

Vamos começar com Papisa, projeto da Rita Oliva, que traz o místico embalado a batidas eletrônicas, tons de pós-punk e MPB. Em 2016, ela lançou seu primeiro EP como artista solo (depois de Cabana Café Parati) e chamou a atenção de público e crítica, sendo chamada de “Cat Power psicodélica” pelo Popload. A vibe do trabalho é gostosinha demais e dá pra sentir que a artista realmente se entrega fazendo cada uma das músicas. Se há algo a se reclamar, é que temos apenas três músicas para desfrutar… Porém, Rita já trabalha na produção do seu primeiro disco em meio a suas tours pelo país. Olha essa mulher, sente essa música!

O EP Papisa está inteirinho no Spotify. Acompanhe a página dela no Facebook.

Luiza Lian

Estética experimental, beats de funk e hip hop, atmosfera eletrônica, arte da spoken word e cânticos umbandísticos: bem-vindo à viagem de Oyá Tempo, de Luiza Lian. A energia do trabalho é absurda, seus vocais são potentes e toda a produção do álbum é feita de forma impecável, o que justifica o porquê de ela ser considerada uma das melhores artistas brasileiras atuais – além de Oyá Tempo ser um dos lançamentos mais elogiados do ano. Seu segundo disco foi lançado como álbum visual, formato bem interessante que está bem em alta ultimamente – Beyoncé, Frank Ocean e a gaúcha Alpargatos apostaram nessa forma de promoção de seu trabalho (olha aqui). O curta-metragem deixa a obra ainda mais rica e torna a experiência ainda mais completa. Acesse também o site e explore ainda mais este universo.

Ouça o disco também no Spotify e acompanhe página da Luiza.

Gostou? Recomendo ouvir o álbum ARDIPITHECUS da Willow, que tem um clima parecido, é igualmente maravilhoso e altamente subestimado – ah, e ela só tinha quinze anos quando produziu.

Bloody Mary Una Chica Band

Por que montar uma banda quando você pode ser a fodendo banda? No maior estilo do it yourself, Marianne Crestani criou a Bloody Mary Una Chica Band. Munida de sua guitarra vermelha e bateria, ela faz um dos melhores garage noise que eu já ouvi na vida! A barulheira é revigorante e impossível de não se apaixonar. Em 2013, lançou seu primeiro álbum, gravado ao vivo em K7 (ouça aqui). Seu segundo trabalho, o compacto Heart Disease (2016) foi feito todinho por ela e gravado ao vivo – pra soar de forma mais orgânica. Todo esse cuidado estético torna a sonzeira ainda mais incrível. Senta que lá vem pedrada:

Ouça o Heart Disease no Spotify e acompanhe a página do projeto.

Ema Stoned

Ema Stoned é um trio de minas fodas que fazem um rock experimental ainda mais foda. Atualmente, é formado por Alessandra Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo) e Jéssica Fulganio (bateria e vocais). O clima é meio espacial, meio psicodélico, mas 100% maravilhoso. O disco de estreia, Gema, foi lançado em 2013 e foi bem elogiado no Braza e lá fora. No final de 2015, o então quarteto – com Sabine Holler (Jennifer Lo-Fi) ainda na formação – se reuniu no Estúdio Aurora em São Paulo e gravou o EP Live From Aurora (2016), com cinco músicas do primeiro disco e a inédita “Emanuelle”, que deve estar no próximo álbum do Ema Stoned. Agora em agosto, elas lançaram a instrumenal “Próxima B”, que minha-deusa-do-céu! Só ouve aqui:

Ouça mais no Spotify e acompanhe a página das gurias no Facebook.

Conheça também:

  • We are not with the band
    O WANWTB é um coletivo lindo que coloca em destaque as mulheres da cena independente brasileira. Dando voz e vez pras minas, elas discutem sobre as dificuldades e lutas desse meio, além de produzir um arquivo de quem atua na cena, empoderando e desmistificando o papel da mulher, vista apenas namorada, acompanhante ou groupie e não como parte integrante da música. Confere algumas das entrevistas que elas já fizeram aqui.
  • PWR Records
    O selo recifense faz um trabalho muito maneiro de promoção das mulheres na música nacional e só assina trabalhos de bandas que tragam força feminina em suas formações. Confira os lançamentos no Bandcamp.

Quer mais minas? Vem ouvir:

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