24 formas de comemorar o Dia do Orgulho LGBTQ

Hoje, 28 de junho, é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQ. Para comemorar, separamos 24 obras que nos inspiram a celebrar a diversidade de orientação sexual, de gênero e de amores ❤

LIVROS

Garoto Encontra Garoto, de David Levithan

Lançado em 2003, a história se passa numa cidade gay-friendly, sem casos de homofobia e onde a comunidade aceita homossexuais e transexuais sem problema algum. Escrito por um dos queridinhos do gênero young adult, Garoto Encontra Garoto segue a clássica fórmula de Muma comédia jovem, em que dois adolescentes que se conhecem, se curtem, mas então rola uma treta e um precisa reconquistar o amor do outro.

A Cor Púrpura, de Alice Walker

Talvez você já tenha assistido o filme, talvez não, mas com certeza você já ouviu falar desse romance que é considerado uma das grandes obras da literatura. A Cor Púrpura se passa no sul dos Estados Unidos na década de 40 – ou seja, um ambiente terrível para ser uma mulher negra e pobre como é o caso de Celie, a personagem principal. Tentando se manter viva em uma atmosfera extremamente opressora e violenta, Celie descobre sua sexualidade e o amor (próprio e pelxs outrxs) ao longo do caminho.

Tranny: Confessions of Punk Rock’s Most Infamous Anarchist Sellout, de Laura Jane Grace

O livro foi feito a partir dos diários que Laura escrevia. Na verdade, a história começa com Tom Gabel e segue a transição da vocalista do Against Me!, com momentos de crise de identidade e o caminho para sua autoaceitação. Numa entrevista, ela também contou que há várias letras do disco Dysphoria Transgender Blues escondidos pelo livro, pois usava os mesmos cadernos para escrever sua história e as letras da banda – e, muitas vezes, as duas se misturavam.

Will & Will, de John Green e David Levithan

O livro conta a história de dois meninos – um hétero e um gay – com exatamente o mesmo nome, Will Grayson, que acabam se encontrando em uma noite em Chicago. Cada capítulo é narrado por um deles e foi escrito por um dos autores. O romance foi o primeiro com temática LGBT a entrar na lista de best-sellers infanto-juvenis do New York Times.

As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky

Apesar da temática principal não ser LGBT, Patrick – interpretado por Ezra Miller na adaptação para o cinema – é um dos personagens mais queridos do livro.  Além do mais, a trama envolvendo ele e o namorado, que não é aceito pelos pais, é bem marcante e revela a situação de muitos adolescentes que sentem que precisam esconder sua sexualidade.

Carry On, de Rainbow Rowell

Quando as pessoas falam sobre fanfic, elas focam nas bizarrices e esquecem que a parte mais importante dessa subcultura é a liberdade dos autores e leitores de se expressar. Antes mesmo do cinema ou da TV estar aberta para personagens homossexuais, adolescentes escreviam fanfics com seus casais preferidos – mesmo que não fossem os mesmos aceitos pelo mainstream. Carry On é uma fanfic: a história é um spin-off de Fangirl e finaliza a história de Simon e Baz, dois bruxos adolescentes que se apaixonam enquanto tentam lutar contra o mal. (Parece familiar?).

Mais dicas de leitura

FILMES

Moonlight (2016)

É humanamente impossível fazer uma lista de filmes LGBTQ e não abordar Moonlight. Além de ser a primeira obra com protagonista gay a ganhar o Oscar de Melhor Filme, Moonlight aborda a masculinidade e a homossexualidade de forma sutil, poética, não estereotipada, que causa uma enorme empatia ao contar uma história de vida de um personagem monossilábico e extremamente marcante.

Mais sobre Moonlight:

Hoje eu quero voltar sozinho (2014)

O longa de Daniel Ribeiro fala sobre a adolescência, um período de pressões e descobertas do próprio eu. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho narra a história do jovem cego Leonardo (Ghilherme Lobo), que durante sua luta por independência conhece o aluno novo na escola, Gabriel (Fabio Audi), e tem de lidar com sentimentos que até então desconhecia. A convivência com Gabriel faz com que ele passe a vivenciar o mundo de outra forma, encontre o seu primeiro amor e entenda melhor de si mesmo. Disponível na Netflix.

Quer mais filmes daqui?

Considerado pela crítica o melhor filme LGBT já feito, Carol conta a história de um romance lésbico nos anos 50. O filme de Todd Hayes é inspirado pelo livro The Price of Salt de Patricia Highsmith, publicado em 1952. Tanto a rica e fina Carol (Cate Blanchett) quanto a vendedora de loja de departamentos/fotógrafa Therese (Rooney Mara) vivem em relações heterossexuais que as sufocam e não as fazem completas. Elas se encontram uma na outra mas hesitam em se entregar e viver seus desejos, seja por pressões sociais ou pelo medo que Carol tem de perder a guarda da sua filha. O filme acontece sem pressa, acompanhando o tempo das personagens, que são abrilhantadas pela atuação dessas duas grandes atrizes.

GBF (2013)

Filme situado no clássico formato de high school, com as garotas populares fazendo de tudo para ser a mais mais, até mesmo ter um “Gay Best Friend”, como se ele fosse um acessório. O filme vai mostrar que não, gay não é bichinho de estimação.

Minhas Mães e Meu Pai (2010)

Indicado ao Oscar de melhor filme, conta a história de Nic e Jules e seus dois filhos, Laser e Joni. Laser quer descobrir quem é seu pai biológico e vai atrás do doador de esperma que as mães usaram, conhecendo Paul – um cara meio Will, de Um Grande Garoto -, o que gera caos na família quando ele começa a se meter onde não foi chamado.

Paris is Burning (1991)

Paris is Burning mostra a maravilhosa cena gay e travesti de Nova York na década de 80, apresentando os balls (bailes), as houses de drag queens e travestis, as gírias, o voguing, os contextos socioculturais da comunidade e insights sobre gênero e sexualidade. O documentário é bibliografia básica para compreender o quanto o movimento LGBTQ influenciou e continua influenciando a cultura pop, além de ser um belo retrato de grandes nomes da cena drag, da dança e da música. Disponível na Netflix.

Bichas (2016)

Bichas é um documentário recifense, dirigido por Marlon Parente, que fala sobre vivências. Quem nasceu gay, cresceu ouvindo todo tipo de coisa como forma de xingamento, “bicha” é uma delas. O doc é sobre assumir o bicha: ressignificar o que antes era ofensa, como forma de fortalecer a luta. Ser bicha não é errado. Ser bicha é maravilhoso: “Quando alguém te chama de bicha e tu aceita aquilo como elogio acabou a agressão”. Entre os seis relatos, histórias sobre sair do armário, homofobia cotidiana e ignorância, resistir e levantar bandeiras, violências, suicídio, racismo dentro do meio e a importância dos “nichos” dentro da militância, entre outros. É sobre a bicha afeminada, que dá a cara a tapa, que é transgressora, que fogem do “padrão gay heteronormativo”, que são livres. É, também, entender que cada um tem sua história e vivência, então quem pode ir pra rua, gravar documentários, falar a respeito, deve empoderar quem não pode – é entender que cada um tem seu tempo. Por fim, é sobre ser livre, ser feliz. “Não é uma fase. É minha vida. Sou eu.”

SÉRIES

Please Like Me

Essa série australiana aborda as crises e as neuras de um jovem entrando na vida adulta, assim como seus relacionamentos com família e amigos. Please Like Me consegue abordar assuntos dramáticas sem deixar de ser engraçada ou precisar se apoiar em estereótipos de homens gays. Infelizmente foi cancelada, mas dá pra assistir suas quatro temporadas na Netflix.

The Fosters

A trama gira em torno da família Foster, composta pelas mães Sherri e Teri e seus filhos adotivos (e um biológico do ex-casamento da Teri). Impossível não se emocionar a cada episódio com os problemas abordados e com as formas de solucionar que essas mães incríveis sempre encontram.

Queer As Folk

Baseada na série britânica criada por Russel T. Davies (Dr. Who, Torchwood), Queer as Folk mostra a vida de um grupo de amigos gays vivendo em Pittsburgh. Lançada menos de um ano após a primeira cena de beijo entre homens no horário nobre da TV dos EUA, Queer as Folk foi a 1ª série com protagonistas gays e lésbicas, e já em seu piloto mostrou ser diferente de tudo que havia sido produzido sobre o tema até então.

Em uma época em que um mero beijo foi um verdadeiro marco televisivo, QAF inaugurou seu piloto apresentando os personagens em uma balada gay com a seguinte frase: “É tudo sobre sexo”. De fato, as duas primeiras temporadas dão ênfase à vida noturna dos personagens, – com sexo, drogas e música eletrônica – mas isso não significa que as histórias sejam rasas ou as personagens, unidimensionais. Na realidade, as personagens complexas e cativantes, assim como os diálogos originais e bem-humorados contribuíram para que a série conquistasse fãs até mesmo entre o público hétero.

Entre uma balada e outra, temas importantes são abordados: Justin (Randy Harrison), iniciando sua vida sexual, sofre com homofobia tanto na escola quanto em casa. Michael (Hal Sparks), que desde a adolescência pôde contar com o apoio e amor incondicional de mãe, precisa manter sua orientação em segredo no trabalho para não ser prejudicado. Mesmo morando juntas há anos, Melanie (Michelle Clunie) e Lindsey (Thea Gill) não podem contar com o apoio e reconhecimento de suas famílias, que não consideram o relacionamento como “real”. As dificuldades aumentam quando elas têm um filho juntas e Mel não tem direitos legais como mãe por não possuir parentesco biológico.

No decorrer da série são tratados outros assuntos que, infelizmente, seguem sendo atuais, como bullying, terapia de conversão, fanatismo religioso, violência e ataques contra a população LGBT. Em sua última temporada em 2005, a série teve um importante papel político na vida real ao desenvolver um arco em que grupos religiosos defendiam a Proposição 14, iniciativa que visava revogar direitos como união entre pessoas do mesmo sexo. Os episódios foram uma referência a grupos conservadores que desde 2004 tentavam redefinir casamento como união entre “um homem e uma mulher” e que tiveram sucesso em 2008, quando a Proposição 8 foi aprovada. Somente em 2012 a situação foi revertida e, após muitas batalhas na justiça e campanhas como NO H8, o casamento entre pessoas do mesmo sexo finalmente tornou-se reconhecido legalmente.

Embora deixe muito a desejar quanto a representatividade – já que quase todos os personagens são brancos, magros, cis e sem deficiência –, QAF foi inegavelmente inovadora e abriu caminho para séries como The L Word, Sense8 e The Fosters, essa última criada por Peter Paige, que interpreta o autêntico e (quase) sempre otimista Emmett Honeycutt. Com momentos engraçados, comoventes, frustrantes e surpreendentes, a mensagem de Queer as Folk, resumida no título do último episódio, permanece tão importante hoje em dia quanto na época: “We Will Survive!”.

The New Normal

Um casal gay, uma mulher que resolve fazer barriga de aluguel e sua filha, que deve ter em torno de 9 anos e acaba sendo a mais cabeça aberta da série. Ao longo da série, o casal vai destruindo seus próprios estereótipos e amolecendo o coração de pessoas conservadoras, como a cruel mãe da “barriga de alguel”.

Sense8

Mais do que um sci-fi envolvendo pessoas conectadas ao redor do mundo, a série criada pelas irmãs – e mulheres trans – Lilly e Lana Wachowski e J. Michael Straczynski chegou chegando na Netflix em 2015, trazendo uma carga imensa de diversidade e mostrando que você pode ser e amar quem quiser. Entre os oito protagonistas, temos dois que representam muito bem a sigla: Nomi (Jamie Clayton), uma mulher trans e lésbica, que tem um relacionamento lindo, forte e empoderador com Amanita (Freema Agyeman); e Lito (Miguel Ángel Silvestre), um ator gay mexicano, conhecido por seus papéis de “machão”, que vive no armário, apesar de ser muito feliz com seu namorado Hernando (Alfonso Herrera, Poncho <3), que lida bem com sua sexualidade e tenta transmitir isso a Lito. Em suas duas temporadas, a série lida com preconceitos, auto-aceitação e levanta bandeiras muito importantes para causas LGBTQ. Infelizmente, a Netflix acabou cancelando a série após duas temporadas. E embora o povo fique triste, dado o nível de representatividade que Sense8 contém, não podemos esquecer que também na Netflix há uma série toda trabalhada na representatividade, com pautas lésbicas, bissexuais e trans, que é Orange Is The New Black.

Mais posts sobre Sense8:

Will & Grace

O ano era 1998 e Will & Grace fazia história na televisão estadunidense. Criado por David Kohan e Max Mutchnick, o sitcom apresentava a amizade e as relações da hétero Grace Adler (Debra Messing) e seu melhor amigo gay Will Truman (Eric McCormack). Representando as bichas afeminadas, Jack McFarland (Sean Hayes) protagonizada as melhores cenas cômicas ao lado de Karen Walker (Megan Mullaly). A série veio quebrar tabus de forma engraçada e leve com citações memoráveis e incontáveis referências à cultura pop – sem falar nas imitações da Cher, inclusive para a própria cantora. Ganhadora de muuuuitas premiações televisivas em suas oito temporadas, Will & Grace “provavelmente fez mais para educar o público americano que quase tudo que foi feito antes”, segundo o Vice-Presidente dos EUA Joseph Biden Jr., em entrevista feita em 2012. Em uma era de revivals, a comédia que acabou em 2006 já tem seu retorno marcado para setembro de 2017.

Não esquecemos de Orange is the New Black!

Youtube

Põe na roda

O Põe Na Roda tá no ar desde 2014 e consegue unir informação sobre o mundo LGBTQ com humor. Tem vídeos sobre sexo, estereótipos, relacionamentos, sobre sair do armários, como lidar com questões sociais e também entrevistas com personalidades maravilhosas tipo Inês Brasil, Laerte e Conchita Wurst.

Tyler Oakley

Tyler Oakley é um dos maiores youtubers dentro da comunidade LGBTQ. Cheio de carisma e sem papas na língua, ele conquistou um público enorme e além do Youtube, tem um podcast – o Psychobabble, lançou livro, documentário e ainda apresenta um quadro no programa da Ellen Degeneres. Através de seus vídeos, Tyler tenta explorar causas que lhe são caras e gerar empoderamento ao espectador. Para celebrar o Pride month, ele lançou uma série em seu canal intitulada “Chosen Family: Stories of Queer Resilience”, onde dialoga com diversas pessoas sobre sair do armário, a arte drag, refugiados gays, Stonewall, um ano do atentado à Pulse e mais.

Troye Sivan

Antes de lançar um álbum incrível e investir na carreira de músico, Troye fazia sucesso no Youtube. Além de vídeos engraçadinhos de Boyfriend Tag com o Tyler Oakley (não, eles não namoraram), Troye também falava de coisas sérias e postou seu coming out video aos 18 anos, antes de assinar com uma gravadora para que ninguém o fizesse esconder a sexualidade. Sempre preocupado com a causa LGBT, ele fala disso nas suas letras (principalmente em HEAVEN), nos seus clipes e também fez vídeos sobre sexo e DSTs para alertar seu público jovem sobre a importância do sexo seguro. Nesse ano, ele fez um Pride video bem em tempo deste post sair, contando sobre as experiências de sua primeira parada.

Mais Troye?

Lorelay Fox

Descubra como é o dia a dia de uma drag queen com o canal Para Tudo da Lorelay Fox. No canal, ela fala sobre a arte drag, sobre suas experiências como homem gay e também dá dicas para quem quer começar a se montar. Ela ficou tão famosa que participou do programa Amor & Sexo da Globo e já tem mais de 300 mil inscritos.

Mandy Candy

Gaúcha e maravilhosa, a Mandy é a primeira transexual brasileira a fazer sucesso como youtuber. No canal, ela mostra como é sua vida hoje em Hong Kong, fala sobre questões trans e como foi o seu processo de transição.

Canal das Bee

Um canal que visa dar visibilidade a cada uma das letrinhas da sigla, discutir pautas importantes e dar voz e vez para as minorias: este é o Canal das Bee, que nasceu como TCC de Jéssica Tauane. Lutando contra todo tipo de preconceito desde 2012, o canal é um lugar seguro para muita gente, que consegue se identificar nos vídeos, se descobrir e se entender. Por mais sério que seja o assunto, eles conseguem levar as discussões sobre sexualidade e diversidade de forma leve e compreensível.

 

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