Clube do livro #Junho: Tudo e todas as coisas

Clube do livro é uma seção nova aqui no 36 para discutir nossas aventuras literárias. Livres de qualquer preconceitos, falamos de tudo aquilo que fazem nossas mentes se transportarem para outro universo.

Se existe um sentimento que melhor descreve os seres humanos do século XXI é a famosa #gratidão. Mas até que ponto realmente a praticamos fora das hashtags em nossas redes sociais? Chegamos ao ponto em que se tornou redundante afirmar que nosso estilo de vida multitarefa acaba por fechar nossos olhos para as coisas simples da vida. Escolhendo focar em como nossa vida não é da maneira que gostaríamos que fosse, é comum ignorarmos os privilégios que possuímos e o fato de que nem todas as pessoas desfrutam dos mesmos. As dificuldades do próximo passam despercebidas porque não temos de viver com elas; estamos muito ocupados com os nossos problemas para notar que aquilo que é parte da nossa rotina, pode ser a necessidade do outro. Quando eu li a sinopse deste livro, foi exatamente essa linha de raciocínio que se formou na minha cabeça.

tudo e todas as coisas

O livro “Tudo e Todas as Coisas” (editora Novo Conceito, 304 páginas), de Nicola Yoon, é escrito do ponto de vista da adolescente Madeline, que sofre de uma doença rara na qual uma reação alérgica grave pode ser causada por, literalmente, qualquer coisa. Em razão disso, a garota nunca saiu de casa em toda sua vida e seu convívio com outras pessoas é restrito a duas pessoas: sua mãe e sua enfermeira. Levando uma vida bastante monótona, Maddy aprendeu a se moldar à sua condição, porém (e agora vem a parte clichê) sua perspectiva muda quando uma nova família se muda para a casa ao lado. Ela conhece Olly, um menino inquieto que lhe faz questionar os valores que a rodearam a vida inteira.

– Eu não estou apaixonada. Não posso estar apaixonada. – E por que não? – Qual seria o sentido disso? – digo, jogando as mãos para o ar. – Uma pessoa como eu apaixonada seria como um crítico de comida sem pupilas gustativas. Seria como um pintor que vê tudo em preto e branco. Seria como… – Uma pessoa que nada pelada sozinha.

A ideia por trás da história é tão intrigante que me deixou curiosa durante todo o tempo de leitura e é tão relacionável que o seguinte questionamento não saiu da minha cabeça: “e se fosse comigo?”. Por mais que eu não me encontre em uma situação remotamente parecida com a dela, o drama de Madeline faz com que eu crie empatia por sua história. E ao me colocar em seu lugar, é assustador perceber a quantidade de privilégios que eu possuo e não valorizo.
Com foco inicial em Maddy e sua família, o relacionamento entre ela e Olly se torna parte importante do enredo conforme a história se desenvolve e a autora utiliza dessa vertente para expor de maneira mais clara as angústias da adolescente. Sua saúde física foge da normalidade que conhecemos, mas não muda o fato de que ela possui inseguranças como qualquer outra garota de sua idade. 

A vida é um dom. Não se esqueça de vivê-la.

Apesar de um final um pouco inquietante e oportunidades de aprofundamento da trama e dos personagens, “Tudo e Todas as Coisas” é um romance ideal para espairecer e se desligar da rotina. Com capítulos curtos intercalados a ilustrações e maneiras alternativas ao texto corrido, é uma leitura rápida e leve. Best seller do The New York Times, ganhou adaptação para os cinemas no dia 15 de junho aqui no Brasil e é uma ótima maneira de se distrair. Principalmente para desviar um pouco o nosso olhar que teima em permanecer em nosso próprio umbigo.

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