Para ouvir #1: as pequenas margaridas de Nana

Baiana que mora na Alemanha e mistura sambinha/bossa nova a nuances francesas: bem-vindo ao mundo de Nana. Se até agora você não ouviu falar do trabalho musical de Ananda Costa, ninguém aqui vai te julgar. E se você perdeu o grande lançamento de seu álbum Pequenas Margaridas no streaming, tudo bem também, você provavelmente estava ocupado com o retorno da Taylor Swift no Spotify tentando sabotar a Katy ou com o lançamento da disco da Lorde. Mas chega! Não tem mais motivos pra você não conhecer essa artista.

Pequenas Margaridas é um disco lá de 2013, o debut album de Nana, que tem só 26 anos e já carrega uma discografia de responsa, que conta também com o EP berli(m)possível (2015) e muitos singles. A chegada “tardia” nos serviços de streaming é para celebrar sua mini-turnê francesa, que acontece dos dias 21 a 23 de junho, e para fazer o aquece pro seu segundo disco, o CMG-NGM-PDE, com lançamento previsto para setembro. Em breve, seu EP deve estar também disponível.

Hoje, vamos falar de Pequenas Margaridas, esse pequeno tesouro perdido na música nacional.

Nana faz uma música muito particular. Suas raízes baianas, da cidade de Catu, estão muito presentes na sonoridade dessa bossa nova que encontra o indie pop e visita a França. Confuso? Pode ser, mas é o que a cantora me faz sentir. Quando eu dou play, me transporto pra um apartamento meio hipster (no melhor sentido da palavra) em alguma cidade interiorana francesa, em que o sol da manhã adentra a janela e transforma tudo em uma cena com um enquadramento e fotografia bonitos.

“Montanha Russa” é a responsável por abrir os trabalhos do disco e promover a imersão nesse universo leve e em tons pasteis. A música é bem levinha, acompanha de um instrumental divertido, que me remete ao Acústico-Sucateiro da Apanhador Só. É popzinha, mas com aquele gostinha de música brasileira contemporânea. O clipe dela é um amô: Nana e seus amigos em um parque de diversões, dançandinho, de um jeito bem fofo.

Uma das coisas que mais me encanta na música em geral são as misturas. Claro que sempre existiu disso, mas a cena brasileira atual se apropriou desse mix de ritmos e culturas diferentes na sonoridade – como na Cuscobayo e Francisco, el Hombre -, algo que eu acho simplesmente lindo. E Nana sabe fazer isso muito bem: o trabalho tem aquela cara de bossa nova, mpb e coisas nesse estilo que vem lá de outros tempos, mas suas intromissões de indie pop e seu jeito fofo de ser, com sua voz calminha, tornam tudo muito único, muito Nana. Por mais brasileira-raiz que seja sua música, esse casamento com o pop e sons elétricos/eletrônicos fazem com que nos perguntemos por que não vemos mais disso seguidamente.

Vamos do pop ao samba, nas faixas “Pequenas Margaridas” e “I Can’t Fall In Love”. “Manhã” talvez seja minha favorita do disco. Eu gosto de todo instrumental dela e da simplicidade que tem. É uma música levinha, sabe?

Tem de tudo em Pequenas Margaridas e esse tudo funciona em harmonia. Desde a valsa “Benjamim”, que deixa tudo lento e íntimo, a faixas mais agitadinhas como “Aniversário” e “Céu de Estocolmo”. “Passarinho” é super indie, até tem pitadas de psicodelia – e o tecladinho é amor demais. Seja cantando em português ou inglês, como em “Let’s Dance Again”, a artista é uma fofura que só. A vibe tropical e urbana de “O Calor” é outra coisa que gosto demais. Seus instrumentos são pesados e trazem toda a confusão da vida cotidiana. Em “Expressionismo Alemão” temos o retorno do sambinha.

Na reta final, “Emanuelle” é toda clássica, curtinha e levinha. “As Nuvens” encerra esse carnaval indie pop. Seu instrumental é um abraço, que coisa gostosinha. É lentinha e tem todo aquele jeito que parece que nunca vai acabar… Até que acaba e tu já quer ouvir tudo de novo.

A cantora tem um cuidado não só em trazer todo o melhor em cada quesito de suas músicas, mas também toda uma preocupação estética com tudo que é conectado, seja nos singles, EP, disco e nos clipes, que – por mais simples que sejam – são sempre lindíssimos.

Letras descomplicadas, vocais macios, situações cotidianas, referências mil. A obra funciona, as peças se encaixam, mas não é pra qualquer um. Confesso que quando conheci Nana, à primeira ouvida, nosso santo não bateu. Então, dei um tempo, peguei um ar e resolvi dar uma nova chance. Assim, constatei que Pequenas Margaridas é uma ótima trilha sonora pra um dia inventando receitas em aventuras culinárias – ótima trilha também pra fazer aquele brigadeiro de colher no fogão; para aqueles dias chuvosos – mas também para dias em que o sol dá as caras e entra pela frestinha da janela. É pra dançar sozinho no quarto e também pra curtir acompanhado com quem se quer bem.

Nesse álbum, descobrimos o que que a baiana tem. Agora, só nos resta aguardar por setembro e pelo novo disquinho. O que virá é um mistério, mas uma coisa a gente já sabe: com Nana, ninguém pode.

Ei, você! Tem uma banda ou projeto musical maneiro? Manda pra gente! Quem sabe, você (ou vocês) viram notícia aqui no Trinta e Seis. Estamos aguardando teu material em 36contato@gmail.com.

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