Trilhas sonoras que são quase protagonistas de seus filmes

Quais os fatores que transformam um simples longa em um filmão da porra? Pra alguns, tem a ver com roteiro, direção, atuações, fotografia. Para mim, todos esses fatores contam. Porém, algo que é muito, mas muito importante, é a trilha sonora. Quando o som escolhido é certeiro, ele marca, emociona, deixa a gente arrepiado e se torna um personagem importantíssimo na história.

Sou muito apegada às músicas escolhidas para compor um filme. É uma das coisas em que mais presto atenção quando me relaciono com a sétima arte. A música importa e torna a experiência cinematográfica ainda melhor e mais intensa.

Entre scores – aquelas trilhas, normalmente instrumentais, feitas especialmente para a obra – e seleções especiais de músicas licenciadas, há muitas trilhas sonoras que carrego com carinho, junto da memória que tenho de cada um dos filmes. Depois de alguns (muitos) conflitos internos, elegi minhas favoritas para compartilhar com vocês.

The Life Aquatic with Steve Zissou (2005, dir. Wes Anderson)

Wes Anderson é um diretor conhecido pela preocupação estética que traz em cada um de seus filmes. Da fotografia simétrica à paleta de cores, cada pequeno detalhe é uma obra de arte. Em Steve Zissou, ele convidou o cantor brasileiro Seu Jorge para viver Pelé dos Santos, um dos tripulantes nessa aventura marinha. Além de atuar, ele é responsável por toda a trilha sonora do filme: um tributo a David Bowie, no melhor estilo voz e violão, com versões em português de grandes hinos do britânico. Uma música é mais preciosa que a outra e as letras são sensacionais. Além de criar um clima todo especial no longa, é um disco pra se levar pra vida e escutar em todos os momentos.

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Her (2013, dir. Spike Jonze)

Não poderia fazer uma lista sobre trilhas sonoras e não puxar a sardinha para a minha banda favorita. Em 2013, o Arcade Fire se juntou com seu buddy Spike Jonze – um dos meus diretores favoritos, diga-se de passagem – para compor a trilha sonora de seu filme Her, que trata sobre relacionamentos na era moderna, pode-se dizer. O Spike já tinha trabalhado com a banda em seu terceiro disco, The Suburbs (2010), quando produziu o curta metragem Scenes From The Suburbs, de onde saiu o clipe da canção homônima ao disco. Voltando para a trilha sonora, ela é feita com extrema delicadeza: é suave, aveludada, combinando com a estética em tons pasteis do filme, e acrescenta em muito na construção desse futuro-distópico-não-muito-distante-meio-black-mirror. As composições são instrumentais e têm como base, em sua maioria, o piano, te levando para lugares alegres e tristes, ensolarados e frios… A trilha conta ainda com a música “The Moon Song”, que no filme é cantada por Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson e ganhou duas outras versões completas por Karen O, do Yeah Yeah Yeahs, cantando solo e em dueto com Ezra Koenig, do Vampire Weekend.

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Submarine (2010, dir. Richard Ayoade)

O debut de Richard Ayoade como diretor de cinema foi o indie-sucesso-do-tumblr Submarine. A vida do jovem de 15 anos Oliver Tate (Craig Roberts) na cinza cidade de Cardiff e todos os dramas que parecem enormes na adolescência são regadas de uma estética/fotografia muito bonita e delicada, que é ornada com a trilha sonora de Alex Turner, do Arctic Monkeys e The Last Shadow Puppets. São apenas cinco músicas (e uma intro), mas elas fazem parte da história do menino que descobre o amor e todas as estranhezas das relações interpessoais. Esse trabalho marca uma fase mais “leve” na sonoridade de Alex, que foi refletida no álbum Suck It and See, do Arctic Monkeys – que conta com uma nova versão de “Piledriver Waltz”, música que encerra a trilha sonora do filme.

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Swiss Army Man (2016, dir. Daniel Kwan e Daniel Scheinert)

Este é um filme precioso demais para não ser mencionado. Swiss Army Man saiu no ano passado e foi uma alegre surpresa. Nonsense e surreal, ele conta a história de Hank (Paul Dano), um homem que se encontra em uma ilha e está prestes a se suicidar, até que o cadáver Manny (Daniel Radcliffe) “aparece”, o salva e vira uma espécie de canivete suíço, ajudando o ex-suicida a lidar com a situação e construindo uma amizade. As músicas carregam a mesma estranheza do filme e trazem forte instrumentação vocal. Quem assina essa trilha sonora é Andy Hull e Robert McDowell, do Manchester Orchestra, e contam com a participação dos dois protagonistas – já que a trilha é, também, um personagem das aventuras. As músicas são muito fortes, muito presentes – mesmo quando os atores não cantarolam em cena. É difícil explicar em palavras, você tem que assistir e viver isso.

► Ouça no Spotify

Mas é aquele ditado: nem só de scores viverá o homem. As trilhas sonoras licenciadas também tem o seu valor – e um bom filme é capaz de tornar resgatar e eternizar músicas. De “Don’t You Forget About Me” em Breakfast Club, passando por “Lust For Life” em Trainspotting, “Where Is My Mind” em Fight Club ou “Twist and Shout” em Ferris Bueller’s Day Off, exemplos são o que não faltam.

Guardians of the Galaxy (2014, dir. James Gunn)

Blockbusters também têm coração, digo, boas trilhas sonoras. É o caso de Guardiões da Galáxia, filme da Marvel, que conta a história de um improvável esquadrão de criminosos que acabam se tornando heróis e salvam o universo juntos. O “líder” deles é Peter Quill (Chris Pratt), o Starlord, um terráqueo que nunca conheceu seu pai e ficou órfão depois que sua mãe morreu de câncer quando ele era criança. A única coisa que trouxe de seu planeta natal, quando foi sequestrado por saqueadores, foi um toca-fitas que traz uma única fita, com a especial seleção feita por sua mãe no formato da Awesome Mix Vol. 1. É através dele que conhecemos as músicas que compões a trilha sonora do filme, direto da década de ’80. Grandes hinos embalam essa aventura, como “Hooked On A Feeling”, do Blue Swede, que desde o primeiro trailer já deixou todo mundo louco com seus “ooga chaka/ooga-ooga-ooga chaka”. Mas não para por aí, ainda tem “Moonage Daydream”, de David Bowie, “Cherry Bomb”, das Runaways, e “I Want You Back”, do Jackson 5, que marca a divertida cena do baby Groot dançando no final do longa. O segundo filme, lançado esse ano, traz a segunda parte da mixtape, que não é tão marcante quanto a primeira, mas traz clássicos como “Surrender”, do Cheap Trick, e “My Sweet Lord”, de George Harrison.

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Gostou desse post? Qual a trilha sonora da tua vida? Comente, espalhe a palavra e quem sabe a gente não faça uma parte 2, com trilhas sonoras de séries… Who knows…

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