O álbum Witness e a decadência de Katy Perry

A minha história com a Katy Perry começou há tanto tempo que eu não lembro mais os detalhes desse início, mas sei que o álbum Teenage Dream foi a flecha que acertou meu coração. Clichê, eu sei. Provavelmente tem um monte de fãs por aí que conhecem ela desde a época dos EPs gospel e vão me acusar de ser mainstream. Whatever.

Apesar do tom brincalhão das músicas da Katy me agradar muito, foi nas músicas mais profundas que eu encontrei meu chão. Lembro claramente de chorar exageradamente ouvindo Firework pela primeira vez. A identificação com a música foi tanta que eu fiz uma tatuagem com a frase “you’re a firework” no meu pulso, algo como um lembrete pessoal de Katy para mim, para eu nunca esquecer de que eu sou válida sim. Depois dessas vieram outra tattoos, todas com títulos de músicas empoderadoras que faziam eu me sentir capaz de conquistar o mundo caso eu quisesse. Katy sempre foi pra mim uma mentora, me incentivando através de suas letras e me mostrando que, apesar de sua veia guerreira, não é preciso se levar tão a sério. Virei katycat e sempre vesti esse título com muito orgulho. Até esse ano.

O lançamento de Chained to the Rhythm já foi um pouco desanimador, nada semelhante às músicas poderosas que arrepiavam todos os pelos do meu corpo, mas ainda assim agradou meu gosto. Foi só com a estreia de Bon Appetit que eu comecei a perder o interesse por essa nova fase. Com ritmo agradável, ela não passa de uma música de fundo que qualquer outro artista poderia ter escrito e não lembra em nada a mulher que foi intitulada como “nova Madonna”. E quando eu achei que nada poderia ficar pior que isso, Katy descartou Apettit e lançou seu próximo single.

Swish Swish veio para esmagar qualquer esperança que eu tinha de que a nova era de Katy Perry iria ser boa. Buscando refúgio em uma briga banal com Taylor Swift, é um ato desesperado por atenção: quando nenhum dos seus singles anteriores fizeram grandes aparições nas paradas musicais, reviver a rixa pareceu uma tentativa imatura de fazer as pessoas falarem sobre seu álbum. Acontece que o tiro saiu pela culatra e a única coisa que as pessoas comentavam sobre os lançamentos de Katy era o quão inferior eles pareciam perto de seus trabalhos anteriores. A decadência de sua carreira virou manchete e os grandes veículos apelidaram o novo álbum Witness carinhosamente de “Titanic”.


No meio dessa onda de críticas ruins, os fãs permaneciam com pensamento positivo. Por menor que fosse, eu ainda estava segurando em uma corda muito fina de esperança de que ela fosse dar uma espetacular volta por cima e deixar todos de queixo caído quando o álbum saísse. De que Apettit e Swish fossem um lapso de mediocridade momentâneo. Por todos os momentos maravilhosos que Katy me proporcionou, eu abri meu coração para Witness e dei a ele uma segunda chance. Se arrependimento matasse…

O álbum desaponta desde o início. A primeira faixa é Witness, que trás o nome do cd no título e deveria ser algo espetacularmente chocante, que explicasse de maneira estupefata essa nova fase que Katy tanto tenta enfiar garganta abaixo de seus fãs. Decepcionante porque a música é um pop bem agradável, mas nada que se destaque e faça o ouvinte ansioso pelo restante do álbum. E essa sensação de mediocridade é uma presença constante durante os 54 minutos restantes.


As músicas que seguem deixam essa mesma sensação: todas boas, mas nada que referencie a mulher que quebrou o recorde de Michael Jackson como a artista com mais números 1 do mesmo álbum nas paradas. É tudo bastante… razoável. A melodia, as letras, os vocais, tudo com um tom de “já ouvi isso antes”. Ouvir um álbum do início ao fim nunca foi uma experiência tão tediosa e torturante. Principalmente quando meus artistas favoritos como Ed Sheeran e Harry Styles lançaram materiais tão incrivelmente originais.

A artista que escreveu frases épicas como “Do you ever feel like a plastic bag?” não mostra as caras em Witness, e tudo o que ganhamos são letras medianas compostas por clichês que já ouvimos de outros artistas um milhão de vezes. Músicas como Power e Hey Hey Hey, que falam de temas promissórios como girl power, decepcionam ao trazer “‘Cause I’m a goddess and you know it, some respect, you better show it” e “I ain’t got no strings, I’m no one’s little puppet, got my own cha ching in my chubby little wallet“. É uma sucessão de frases clichês que não combinam com a cantora que eu tanto idolatrava, me deixando com um gosto amargo na boca.


O fato que mais me apavora não é que as músicas são ruins. São faixas boas, que te fazem dançar e cantarolar as letras de maneira desatenta. E acredito que essa é a pior frase que poderia sair da minha boca quando se trata de Katy, porque para mim ela sempre foi alguém que criou músicas que me transportassem para outro universo, mesmo que fosse bobo como o mundo de California Gurls. Mediocridade é o adjetivo mais insultante que eu poderia proferir ao se tratar dela e, acreditem em mim, dói mais em mim em ter que escrever isso do que doeu ao ler a mídia fazendo o mesmo.

Foi só depois de ouvir esse álbum que eu consegui decifrar um sentimento que me incomoda desde Prism, mas  que se cimentou de maneira estupenda em Witness: que o material de Katy está cada vez mais cansativo. Como se toda música fosse apenas uma tentativa de recriar os sucessos anteriores, com os mesmo sons, temas e metáforas. Uma incansável busca pelo sucesso que fez dela a lenda do pop que ela se tornou. O problema é que ela nunca alcança as altas expectativas que se criaram desde Teenage Dream, e o público se exaustou de esperar ela se reinventar.


Se há quatro anos atrás alguém me dissesse que eu estaria escrevendo uma matéria de conotação negativa sobre a Katy, eu gargalharia com a impossibilidade da situação. Principalmente quando se trata de sua música, eu jamais esperaria que uma artista com um potencial tão grande quanto o dela pudesse lançar algo tão genérico e sem vida. Me decepciona justamente porque veio de alguém que sempre me presenteou com frases e melodias de arrancar o ar dos meus pulmões. Hoje eu me sinto como ela mesma canta em um de seus mais novos hits, Déjà Vu: “me diga algo novo (…) Acho que estamos vivendo um loop, déjà vu”. Eu não quero uma repetição da mesma pin up rodeada de doces de 2009, eu quero te ver renascer, Katy.

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5 comentários

  1. Nossa bebe que triste que tenha ficado com essa impressão do Álbum, e eu completamente ao contrario, achei uma triste forma forte de renascer e falar completamente sobre a vida pessoal …tudo bem que ela poderia explorar muito mais, e se forçar muito para tentar agradar a todos, mais ela foi sincera consigo mesmo…acho que isso é o mais importante….conheço um pouco de musica e composição então me joguei por inteiro e achei extraordinário..ela ser ela mesma….as letras falam sobre ela e as vezes todos precisamos mudar por nós mesmo e não para agradar ninguém.

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