A sensação (quase) indiscritível de ir a um show do Ed Sheeran 

Começo esse post esclarecendo algo necessário para compreender a natureza desse texto: sou uma apaixonada por shows. Minha vida inteira, turnês dos meus artistas preferidos guiaram meu caminho, e a ideia de perder a oportunidade de presencia-los ao vivo me deixa com um gosto amargo na boca. Além de ter uma conexão estilo trilha-sonora-para-cada-momento-da-minha-vida com a música, a experiência de ir até um show sempre me empolgou. A compra dos ingressos, a expectativa dos dias anteriores, a espera de horas na fila, a incerteza de conseguir ou não ficar na grade… é uma das minhas combinações favoritas de sentimentos.

Com o tempo eu criei uma lista imaginária de pessoas que quero ver ao vivo antes de morrer, algo como uma bucket list de shows que desejo presenciar para me sentir uma pessoa completa. O Ed Sheeran é um artista que estava na lista há muito tempo, então nada mais natural do que minha necessidade de ir ao show dele quando anunciaram as datas da turnê brasileira. Parte da divulgação do álbum Divide, ele marcou quatro apresentações no Brasil e nenhuma delas era na minha cidade. Foi um momento de decisão bastante tenso, sabendo que eu teria que investir um dinheiro inexistente na minha conta bancária caso eu realmente quisesse ir adiante com a ideia. Com o tempo eu me rendi ao lado impulsivo que eu não possuo, mas que fez uma aparição muito bem vinda nesse caso, e investi todas as moedas do meu porquinho na data de São Paulo.

Então essa é a história de como eu estou aqui escrevendo esse post, na tentativa de compartilhar como foi a experiência de ver um dos meus ídolos ao vivo. A minha visão desse show é feita sob a lente de alguém que não só ama concertos, mas que admira o talento do Ed de maneira bastante ingênua. Totalmente leiga às tecnicidades musicais que envolvem a composição de uma música, eu acredito que ele poderia simplesmente colocar sua discografia para tocar na caixinha de som do iPhone dele que eu já ia me dar por satisfeita. Felizmente ele entrega muito mais do que uma apresentação genérica quando se trata de suas performances, resultado da genialidade de ser “uma banda de um homem só”.

Uma hora antes de começar o show a plateia começou a desenrolar um “ola” pelo estádio e naquele exato momento todos os pelos presentes no meu corpo se arrepiaram de emoção. Não consigo imaginar o amor que deve inundar o coração de uma pessoa ao estar naquele palco diante de milhares de pessoas torcendo por ti. O sorriso estampando o rosto do Ed e a animação com quem ele cantou cada música é a prova de que ele não esquece o quão privilegiado ele é por presenciar tal cena. Ele mostrou uma humildade e gratidão que infelizmente não é regra quando se trata de artistas jovens que ascenderam à fama.

Apesar de não ter passado nenhum segundo na presença dele fora do palco, é possível enxergar um brilho sincero no olhar quando se trata de seus fãs. Surpreendentemente, em um estádio com 40 mil pessoas, Ed conseguiu transformar aquele momento em uma situação íntima como uma simples comemoração entre amigos, na qual dançávamos juntos e cantávamos do fundo de nossos pulmões sentimentos escondidos por tempo demais. Como se fosse uma festa privada, entre nós dois apenas e ninguém mais.

Ao olhar ao meu redor, eu percebi que eu não era a única a me sentir dessa maneira especial. Apesar de ser um show composto por 90% de millennials, aparelhos como smartphones estavam incrivelmente ausentes do nosso campo de visão, brevemente apontados ao palco nos momentos com hits mais conhecidos. É satisfatório ver pessoas ao teu lado simplesmente curtindo a música, e acredito que o crédito é todo do Ed por conseguir cativar a atenção das pessoas. Suas músicas são performadas de maneira tão talentosa que nenhum álbum faz jus a majestosidade que é ouvir esse homem ao vivo. É um momento tão envolvente que tudo parece superficial em comparação à música sendo tocada ali; até mesmo o celular parece perder a importância quando se trata do violão de Ed.

Muito dessa relação se deve às letras bastante relacionáveis das quais ele assina embaixo 100%. A vulnerabilidade a qual ele se expõe na composição de suas músicas é evidente até mesmo nas faixas mais agitadas. Ed não tem medo de transparecer não atender ao estereótipo de homem durão; ele se orgulha de ser o cara que teve seu coração quebrado e canta para o mundo todo ouvir o quanto ele não é cool. E isso mais do que qualquer outra coisa consegue trazer um estádio inteiro para dentro de sua roda de amigos. Ele toma iniciativa em uma conversa informal na qual o tema principal é o amor, e não existe quem não se relacione com suas vitórias e derrotas.

A discussão era bilateral, partindo do cantor e tendo como resposta os gritos de milhares de fãs apaixonados por suas palavras. Com o álbum mais vendido de 2017 nos Estados Unidos e acostumado a performar para estádios lotados como o do Allianz Parque, era inegável a felicidade dele ao estar na presença daquelas pessoas. Assim como nós estávamos agradecendo aos céus por aquele momento, Ed parecia se encontrar na mesma situação; o sentimento era recíproco e ele fez questão de demonstrar. Em inúmeras situações ele se afastou do microfone e simplesmente admirou a capacidade de sua plateia de ovaciona-lo da maneira mais lisonjeadora possível: lhe declarando as palavras que ele mesmo escreveu nos seus momentos difíceis.

Eu poderia trazer estatísticas, dados técnicos e quais músicas entraram no setlist para que vocês tivessem informações concretas do show, mas acredito que uma simples busca no Google lhes proporciona isso. Com esse post, eu ofereço a vocês uma coletânea das memórias que rapidamente se tornaram umas das melhores da minha vida. Entre conversas cantadas e diálogos entre músicas no qual Ed agradecia pela empolgação e exigia gritos ainda mais altos, eu filmei cada segundo dessa experiência no meu cérebro para rever nos dias em que a vida parecer difícil demais.

"Nós mantemos este amor numa fotografia

Nós fizemos estas memórias para nós mesmos

Onde nossos olhos nunca se fecham

Nossos corações nunca estiveram partidos

E o tempo está congelado para sempre."

Um show diferente dos quais eu tinha experimentado previamente, onde eu simplesmente me permiti dar um passo para longe da grade e dançar. Aproveitar cada minuto do lado das minhas amigas e do nosso ídolo. De gritar aquelas letras que foram fundo de momentos tão marcantes da minha vida, que embalaram as cenas de um filme que só eu e Ed temos os detalhes. Ver essas músicas ao vivo faz eu sentir um misto tão assustadoramente maravilhoso de sentimentos que eu sigo minha vida com a incerteza de que algum outro show vai superar esse para mim. E a minha gratidão por ter tido essa noite para completar o roteiro da minha história não poderia ser maior.

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