Swish Swish: um review da rixa entre Katy Perry e Taylor Swift

O mundo pop é recheado de peculiaridades que rendem manchetes bastante criativas por aí. Seguidamente os jornalistas, ao entrevistarem artistas exuberantemente talentosos, optam por focar em detalhes que nada tem a ver com suas carreiras, mas que rendem matérias sensacionalistas para seus veículos. Há uns bons anos, surgiu na mídia uma suposta rixa entre Katy Perry e Taylor Swift, originada de uma situação tão pateticamente exagerada que chega a ser cômica e a mídia fez a festa.

Resumindo a história, Katy teria “roubado” os dançarinos de Taylor, os contratando para suas turnê enquanto eles ainda estavam participando da Red Tour. Swift, como sempre, fez um alarde maior do que o necessário e acabou inclusive escrevendo a música “Bad Blood” sobre o acontecimento. Para agravar ainda mais a situação e continuar com os boatos, Katy chegou a se pronunciar sobre o assunto diversas vezes e deu a entender que não ficaria por isso mesmo: haveria uma revanche em forma de música em seu futuro.

Eis que esse dia chegou, e fomos agraciados (ou não) com “Swish Swish, que contém deboche até no título. A letra é claramente uma resposta ao hit de Swift, insinuando uma relação de falsidade com uma pessoa que teima em querer aparentar algo que não é. Uma parceria com Nicki Minaj (com quem Taylor também teve um desentendimento), o hit conta com versos como “engraçado como o meu nome continua saindo da sua boca, porque eu continuo ganhando” e “carma não mente, ele guarda recibos”. Não vamos nem entrar no mérito de quão ruim a música é ou de quão genérica e sem originalidade a letra soa, somente que é claro o fato de estar retratando uma relação de inimizade e que vai de encontro com todas as indiretas trocadas entre as duas no decorrer dos anos.


No grande esquema das coisas, é espantosa a proporção que a briga tomou e o quanto ela ainda continua a se desenrolar, quase quatro anos depois do desentendimento maior. O que desperta a pergunta que não sai da minha cabeça: até quando veremos essas duas artistas incríveis explorarem uma briga infantil em troca de exposição na mídia? Mesmo que o objetivo solene não seja figurar manchetes e fazer com que as músicas sejam ouvidas, é bastante claro que elas querem expor as atitudes que julgam erradas uma da outra para o mundo todo ver; como se expondo os erros da outra elas ganhassem algo. Mas até onde é válido continuar com essa atitude depois de todo esse tempo?

Claro que vale lembrar que, como compositoras, elas escrevem sobre acontecimentos que influenciam suas vidas, seja positiva ou negativamente, e essa situação deve mesmo ter causado incomodo em determinado momento. Acontece que cada vez mais parece um joguinho imaturo de indiretas que tem o mundo inteiro como expectador. É imprescindível se fazer claro e vocalizar a insatisfação com determinada cenário. Não é necessário engolir tudo com sangue de barata, mas é suficiente dizer “não estou contente com você” e ponto final. Esse vai e vem entre as cantoras já dura quatro anos e, para ser sincera, o motivo já expirou.

Sinceramente, já era bastante irritante quando a Taylor tornou tudo público e escreveu “Bad Blood” logo em seguida. Até hoje me questiono como ela conseguiu ser tão madura em 1989 quando se tratou do seu relacionamento com Harry Styles, mas quando chegou a hora de Katy ela continuou sendo a drama queen de sempre. É dois lados de uma mesma moeda, mas são lados completamente opostos: uma atitude não condiz com a outra.

E eu compreendo que Katy quer mostrar seu lado da história, pois ela talvez não tenha tido a oportunidade que Taylor teve de expor os seus sentimentos de maneira tão clara (apesar dos tweets e insinuações em entrevistas). Também concordo que as pessoas precisam desmistificar Taylor e parar de acreditar cegamente em suas histórias. Toda e qualquer situação que ela incorpora em suas letras é apenas o lado demasiadamente dramatizado da cantora, e não uma verdade absoluta. Tudo tem dois lados e frequentemente o lado de Taylor faz com que ela seja a vítima da história. O que é compreensível; todos nós costumamos abraçar nossa dor de maneira que a pessoa que a causou seja a ruim da história, mas é imprescindível que lembremos de tudo isso ao ouvir história como essa lê-la primeira vez.

Acontece que Katy trazer essa briga à tona novamente somente mostra o quão imatura é a forma que ela também está lidando com tudo isso. Como o ditado diz: “dois errados não fazem um certo”. Apesar de entender o desejo dela de finalmente dar sua versão dos acontecimentos, não posso deixar de ficar um pouco decepcionada por ela não ter escolhido ser maior do que isso e deixado para lá a necessidade de expor a colega de profissão. Nós queremos muito ouvir hits relacionáveis; por favor, nos contem seus dramas e angustias, mas não apontem o dedo de forma tão cruel para quem as inspirou.

Não é sobre simplesmente esquecer o que aconteceu e se tornar melhores amigas; é sobre aprender a perdoar os erros e falhas de caráter do outro, de compreender que se o outro erra, o melhor que podemos fazer é sinalizar e seguir em frente. Guardar magoa é mais prejudicial à pessoa apegada a ela do que a pessoa que causa o sofrimento. Ficar pontuando incansavelmente o mesmo erro mostra falta de compaixão e imaturidade, e se torna ainda mais cansativo quando as pessoas envolvidas são públicas e o mundo inteiro tem de ficar assistindo à briga.

O que eu tenho a dizer a essas duas popstars maravilhosas é: vocês são duas mulheres fortes, independentes, bem sucedidas e, o mais importante de tudo, adultas. Por favor, resolvam suas indiferenças como gente grande: conversem. Entendam o lado da outra, deixem a mágoa ir embora e sigam em frente. Já passou do estágio de cansativo ter de assistir uma jogando a outra na lama. Vocês são melhores do que isso.

Mais Katy Perry?

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