Katy Perry, cantora e ativista

Esse ano parece mesmo que foi abençoado pelos deuses da música. É lançamento incrível atrás de lançamento incrível desde o primeiro dia do ano (oi Ed Sheeran). Então não é nenhuma surpresa que Katy Perry tenha escolhido esse início de 2017 para deixar todos boquiabertos com sua nova música, Chained to the Rhythm.

Além de estar empolgadíssima por finalmente ter material novo para me deliciar (tínhamos tido um gostinho dela em julho do ano passado com Rise, mas antes disso só tínhamos o Prism de 2014 para matar a saudade), o que mais despertou minha atenção foi o estilo escolhido por Perry para voltar ao mundo pop: com uma veia reggae, a cantora traz um tom político impossível de ignorar no atual cenário mundial. Escrita por Perry em parceria com a cantora Sia e o famoso produtor Max Martin, a música conta com participação do neto de Bob Marley, Skip, o que já dá uma grande noção do quão fora da zona de conforto a Katy foi para criar seu novo single.

Fazendo uma retrospectiva de seus últimos lançamentos (Firework, Roar, Rise), é possível identificar um padrão: músicas fortes, empoderadoras, com letras que falam sobre reinar na vida acima de qualquer obstáculo. Então nada mais natural do que uma leve estranheza ao ouvir Chained To The Rhythm, uma música aparentemente alegre e dançante, sem nenhuma mensagem clara sobre superação. Foi somente na segunda ouvida que eu me permiti prestar um pouco mais de atenção na letra, e percebi que a mensagem por trás do ritmo cativante era um pouco menos óbvia.

Em meio ao caos que se instalou nos Estados Unidos (e no resto mundo, vamos ser sinceros) desde que Donald Trump foi eleito, não é assim tão surpreendente que Katy esteja falando sobre uma sociedade acostumada a “andar por aí como se fossem zumbis” e que está tão confortável “vivendo em uma bolha que não consegue enxergar o problema”. É bastante fácil se deixar levar pelo ritmo envolvente da música e não perceber o real significado da narrativa: devemos acordar antes que seja tarde demais.

A narrativa de Perry é bastante privilegiada, e é exatamente do ponto de vista de uma mulher branca que ela enaltece o quão desatento nós estamos com relação as dificuldades alheias, o quão natural é simplesmente ignorar o problema e seguir como se nada estivesse acontecendo. Nos faz perceber que o ritmo ao qual estamos presos referenciado no título, não é o da música, e sim ao ritual de nunca questionar, sempre acatar e continuar vivendo dentro de uma ilusão de que tudo está bem.

E ainda que parece ser um passo bastante pequeno na caminhada que devemos realizar em direção a mudança, ter uma artista pop do porte de Katy trazendo luz a essa problemática é importante para conscientizar o seu público jovem de que algo precisa ser feito. Que mais artistas sigam o exemplo de Beyonce e façam cada vez mais pop que nós possamos dançar, mas que fale sobre tópicos pertinentes na política mundial e incentive os jovens ao redor do globo a fazerem a diferença da melhor maneira possível a eles. E como Skip Marley traz no último verso de seu rap em Chained: THEY WOKE UP, THEY WOKE UP THE LIONS!

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