36 discos de 2016 – parte 06

A-C-A-B-O-U

bomiver

Por Rafael Duarte

Nos 4 anos que separaram 22, A Million de seu antecessor o Bon Iver aprendeu alguns truques novos. É verdade que a banda de Justin Vernon já namorava sons eletrônicos desde o EP Blood Bank, mas aqui a produção salta aos ouvidos já no começo da primeira música. Este é um álbum de desconstrução que tenta desesperadamente não cair no óbvio, começando já nos títulos das faixas que abusam dos números, ideogramas e espaços. Uma vez passado o estranhamento inicial, no entanto, este se mostra um dos discos mais instigantes do ano, em cada nova ouvida é possível encontrar um novo som escondido. A produção “suja”, cheia de sobras e retalhos deixados de propósito em todo lugar, acaba deixando as canções ainda mais íntimas, nos levando para um universo particular confuso, como um mural cheio de lembranças. Mesmo com todo este esforço para não se repetir, as melodias doces e a voz delicada de Vernon ainda conseguem se destacar, mostrando que a alma da banda permanece intacta. 22, A Million surpreende por ser exatamente o oposto do que se esperaria do Bon Iver tempos atrás, difícil vai ser esperar mais 4 anos pelo próximo.

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kingsofleon

Por Cindy da Rosa

Fazer resenhas musicais sempre se mostrou um trabalho bastante difícil para mim. Isso porque meu conhecimento musical se resume a gostar ou não de algo. Não sei nada sobre vocais, notas ou qualquer aspecto técnico de uma música. A única coisa que eu sei é como ela me faz sentir. E Kings of Leon tem a manha de fazer com que eu sinta umas paradas tão boas que é praticamente impossível eu ouvir algo feito por eles e não amar. O álbum “Walls” conta com apenas 10 musicas, mas é evidente que a seleção de faixas é composta apenas pelo melhor material da banda. Quando o primeiro single “Waste a Moment” foi lançado, ficou claro que ia ser mais um álbum incrível para a discografia da banda. É a clássica música animadinha do KOL que faz tu ter vontade de pegar um carro e sair dirigindo/cantando por aí. Os destaques do álbum ficam com “Over” e “Reverend”, que eles já estão performando por aí e provavelmente será o próximo single. Já o título de minhas favoritas ficam com as mais lentinhas “Walls” e “Muchacho”, baladinhas dignas de uma banda de índice-rock-country do tamanho do Kings. O restante do álbum é uma onda de músicas fantásticas, uma atrás da outra, nos deixando sem possibilidade de escolher uma que seja “menos legal”. Há três anos atrás, eu fiz um Tweet que ainda se mantém de acordo com o que eu penso sobre essa banda maravilhosa: não há necessidade de usar drogas quando se tem um novo álbum do Kings of Leon para ouvir.

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realfriends

Por Gabriela Cavalheiro

Com certeza 2016 foi o ano da volta do emo. Mas um emo maduro, adulto, que trabalha das 9h às 17h enquanto ouve playlists do good old days no spotify. Tão adulto quanto alguém na faixa dos 20-30 anos e que não faz ideia o que quer da vida – mas sabe muito bem o que não quer. E a Real Friends conseguiu resumir isso muito bem nos 37 min de The Home Inside My Head. Esse é o segundo álbum de estúdio da banda de Illinois que, depois de cinco anos fieis ao emocore, resolveram puxar mais pro pop punk. E que Deus abençoe essa decisão THIMH (não sei se o fandom deles abrevia desse jeito, mas convenhamos que o nome é muito comprido) é um disco nostálgico. Tão nostálgico quanto alguém que olha pro passado com orgulho de quem superou muita merda emocional e sabe que, apesar de tudo parecer tão desesperador (na vida, em 2016, etc), as coisas vão acabar se ajeitando. Se estiver com preguiça de ouvir tudo, recomendo: “Stay In One Place”, “Mokena”, “Mess”, “Colder Quicker”. Mas já aviso: cada letra desse disco é um tapa right in the feelings.

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bowie

Por Felipe Ramos

O último legado de David Bowie parece que foi feito e lançado exatamente para o dia do início e do fim. É como se ele tivesse calculado sua morte para um dia específico e fatídico, deixando o lançamento pro seu aniversário e completando tudo como um artista sombrio que tinge e rabisca a tela com seu próprio sangue. O álbum já abre com “Blackstar”, toda mórbida e com um tom bizarro, que mesmo quando fica mais alegrinha, ainda consegue manter o conceito inicial. O disco inteiro é uma obra-prima, meio experimental como já era esperado vindo dele. Admito: nunca fui muito fã. Comecei a escutar no final de 2015 e logo quando fui me apaixonando por suas músicas, Blackstar é lançado no mesmo período da sua morte. Porém, não acho exista mais perfeita forma de terminar uma carreira do que a que Bowie fez: Compondo e lançando um disco magnífico sobre a própria morte. Me impressiona como dá pra ouvir “Blackstar” e “Lazarus” e soar como uma introspecção pela mente do próprio artista. Inclusive, a aura triste e mórbida de “Lazarus” SEMPRE me deixa triste – não dá pra evitar. É impressionante como o disco, como um todo, consegue me passar o conceito de morte: mórbido, triste, mas com um pouco de alegria e alívio. Dos poucos lançamentos do ano que eu ouvi, Blackstar é, definitivamente, o mais marcante em todos os sentidos. “Look up here, I’m in heaven now; I’ve got scars that can’t be seen; I’ve got drama, can’t be stolen; Everybody knows me now.”

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starboy

Por Vine Nunes

E lá vem o canadense Abel Tesfaye lançando disco novo em 2016, um ano após o aclamado “Beauty Behind the Madness”, álbum que lançou The Weeknd como um dos principais nomes do hip hop/r&b norte americano. Rápido e rasteiro, sem mais delongas, o álbum é muito dancante. É, também, muito soturno em diversos momentos (calma que tudo tem um porque): a ótima participação da Lana del Rey (sdds Lana, kd vc?) com a faixa “Stargirl Interlude”, evidencia esse fato – o próprio de The Weeknd tem essa pegada mais nebulosa, tanto em seu Instagram, como nas artes de Starboy (admito que queria uma camiseta com essa estampa de presente, fikdik Tai kkk). Se você quiser dançar como nunca, a frenética “False Alarm” é a pedida. Ela tem um beat meio 80’, meio Devo, meio B-52s. Olha a pegada dela ao vivo aqui. Rockin’ é um dos destaques, com uma batida bem radiofônica. Gruda de prima. Claro que tu já escutou a faixa título “Starboy”. Tem Daft Punk – eles também fecham o álbum com o “I Feel it Coming” – parece que é uma continuação de Random Access Memories, vai dizer? A parceria entre eles merece um destaque, mesmo que num primeiro momento você ache que não tem nada de nenhum dos dois, no fundinho parece que eles foram feitos um para o outro. Tem Secrets, que parece um disco dos 70’. Tem a participação do maior homem vivo rs KENDRICK LAMAR, em “Sidewalks”, com rimas pesadas e certeiras. É o ponto mais rap do disco, sem sombra de dúvida. Quase empatando com “All I Know”, que conta com o pupilo (?) do Drake, Future, um dos grandes nomes de 2016. Tem faixa pra caralho – 18 – ao longo de 68min de um álbum com a verve dancante, soturna, 80’, que não cultua drogas, mulheres, mas foca na decadência desse universo, como um final de festa. Mas uma baita festa, como ele sempre soube tocar.

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Por Gabriel Palhares
Kanye West é uma figura polêmica e polarizada como a atual situação politica brasileira, mas é inegavel o talento que ele tem pra se reinventar. Depois do mais agressivo Yeezus, ele nos traz essa confusão em forma de album chamado the Life of Pablo e que confusão maravilhosa. A beleza do album está na complexidade que é a persona Kanye West e como ela transparece aqui. Vai desde as provocações em “Famous”, até auto consciência ,a dificuldade de se conectar com os amigos,a midia, a percepção das pessoas sobre ele. São diversas digressões sobre ele, sobre o passado, sobre o presente, sobre o que é a fama, sobre seu ego, sobre o próprio pinto (?) e tudo muito bem acompanhado com a instrumentalidade que assim como suas letras, mistura um pouco de tudo. Dos coros de gospel, para os sintetizadores com autotune, até beat oitentista.
Em poucas palavras The Life of Pablo reconhece o ego e vê além dele. Um album que vai de “The media said he’s way out of control \ I just feel like I’m the only one not pretendin’ \ I’m not out of control, I’m just not in they control” para “I been thinking \ About my vision \Pour out my feelings \Revealing the layers to my soul” , para “What if Kanye made a song about Kanye / Called ‘I Miss the Old Kanye’ / Man, that would be so Kanye / That’s all it was Kanye / We still love Kanye / And I love you like Kanye loves Kanye” —”I Love Kanye” , é algo que vale a pena ser ouvido.

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