36 discos de 2016 – parte 05

britney_glory

Por Pedro Veloso

Depois de um leve flop com Britney Jean, lançado em 2013, a atual prefeita de Las Vegas, Britney Spears, retorna com Glory – título de cunho religiosos escolhido pelos filhos dela, aliás. Mesmo não sendo anunciado como seu “álbum mais pessoal” como o antecessor, podemos perceber mais fragmentos da real Britney pela primeira vez em anos, embaixo das tantas edições de autotune e batidas: em faixas como “Man on The Moon”, ela canta sobre a solidão de ser uma estrela do pop (“Bebendo sozinha em meu vestido de festa) enquanto aguarda por um homem vindo do espaço, ou em “Private Show”, faixa meio ruinzinha, mas em que uma Brit animada arrisca seus dotes vocais, enquanto vende mais um perfume sabor baunilha de mesmo nome. Outras faixas de Glory podem soar mais impessoais, mas são ótimas para embalar outros momentos da sua vida, como preencher sua playlist de academia. “Love Me Down”, “Do You Wanna Come Over” e “Clumsy”, já malham seus glúteos sozinhos, enquanto “Better” e “Slumber Party”, parecem músicas que podem arrasar nas rádios e agradar os não-fãs da rainhaney (existem essas pessoas?), mas ainda trazendo aquele fator Britney, batidas do momento + letras safadinhas de duplo sentido. Em entrevistas pra divulgar o CD, Britney declarou que esse álbum era como o seu ‘bebezinho’. Esse cuidado dela (ou da sua equipe de empresários), é o que pode ter contribuído para que Glory fosse um dos melhores discos da cantora, que agradou aos fãs e até parte da crítica. Resta torcer pra que em 2017 a gravadora não desista de pelo menos vender alguns singles a mais e invista em uma divulgação. A rainha merece.

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Por Natasha Heinz

Quando Awsten Knight canta “like happy songs with titles that don’t match at all“, em “Gloom Boys”, eu automaticamente penso nos glory days de Fall Out Boy, Panic! At the Disco e aquela mania de colocar títulos gigantes nas músicas. Waterparks, que lançou seu primeiro álbum em novembro, mas compartilha muito daquela geração de bandas: um som mais animado, com muito autotune e letras irônicas e autodepreciativas. Um tipo de música tão próxima do pop mainstream que, se você não prestar atenção nos refrões, nem parecia E M O (shhh). Waterparks foi uma das surpresas mais agradáveis desse ano e eu nunca imaginaria ao ouvir “Stupid For You” pela primeira vez, ou mesmo ao ver o final do show deles, que acabaria escrevendo sobre Double Dare pra essa lista de melhores discos do ano. Mas, de alguma forma, eu acabei vendo todas as entrevistas possíveis no Youtube e, em algum dia às 3 da manhã, notei que não ia parar de ouvir essa banda tão cedo. Double Dare é divertido o suficiente para ouvir na academia, ou de manhã cedo caminhando pro trabalho, ou tomando banho. Ao mesmo tempo, a cada nova ouvida, você descobre uma nova tiradinha, um verso irônico, uma letra totalmente relatable que dá vontade de cantar junto a plenos pulmões. Waterparks vai sair em sua primeira turnê como headliner em fevereiro, mas uma simples busca pelo nome da banda no tumblr já mostra que a fanbase vem crescendo e está preparada pra um futuro ~grandioso. Se 2016 foi mesmo o ano da volta do emo, quem sabe 2017 não nos traz de volta os coloridos? Por mim, tudo bem.

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Por Aline Bernardes

This is Acting é aquele disco bom de dançar na balada e de cantar junto a cada refrão chiclete-empoderador-doloroso. O álbum que sucedeu, 1001 Forms of Fears, e os estrondosos hits “Chandelier” “Elastic Heart” e “Big Girls Don’t Cry” não faz feio – ainda mais quando conhecemos a história por trás das novas canções. Mas antes, uma pequena observação. Para quem não sabe, antes de estourar como cantora, Sia era mais conhecida no meio artístico como compositora, sendo a cabeça por trás de músicas como “Diamonds”, da Rihanna, e “Pretty Hurts”, da BeyoncéVoltando ao disco. This is Acting é feito integralmente por músicas que foram compostas para outros artistas, mas que foram… rejeitadas. Assim, o que foi recusado por cantoras como Adele, Katy Perry, Shakira e Demi Lovato, ganhou vez na voz da australiana. Em termos de refrãos fáceis, desses para aprender a cantar de primeira, a melhor é “Alive” e seus versos simples, mas impactantes (“but I survived / I’m still breathing / I’m alive”). Se a pedida é botar a bunda para rebolar, “Move Your Body” é invencível – e a versão remix consegue ser ainda mais contagiante! Para um momento um pouquinho mais intimista, “Broken Glass” é aquela que qualquer coração fragilizado vai ficar ouvindo no repeat. Há quem faça pouco causo de This is Acting já que, de acordo com Sia, a proposta é que esse álbum fosse uma “atuação”, uma Sia interpretando músicas que deveriam ter sido de terceiros. De fato, não parece atuação. Parece Sia mesmo. Prefiro analisar o conceito do álbum de outra maneira. Pra mim, é como se ela dissesse: “vocês que não quiseram gravar essas músicas, vejam como eu as transformo em hits”. Vendo dessa forma, Sia mais do que arrasou. A quem interessar possa: em outubro foi lançando o This is Acting Deluxe, uma versão estendida do disco, com 7 músicas a mais.

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mitski

Por Carina Schröder

Ouvir esse disco (desculpa, tenho 100 anos) é fácil. Uma delícia. Um som que desliza pelos seus ouvidos, entra na corrente sanguínea, dança dentro do seu coraçãozinho e sai em forma de arrepios e muitos sorrisos e talvez algumas lágrimas. Do início ao fim, Puberty 2 traz músicas tão honestas que você pode ficar em dúvida se está apaixonado ou de coração partido. Mas não tem problema, ao chegar na última música você vai estar se sentindo curado e grato por sentimentos que nem sabia que tinha. A romantização da tristeza virou um clichê em 2016, mas Mitski faz isso melhor e de forma mais original do que qualquer um. Abram um espacinho em seus corações para um dos álbuns mais sinceramente bonitos dos últimos anos e se permitam curtir a fossa, curtir um amor, curtir uma guitarrinha irada™, curtir uma voz maravilhosamente triste e suave. Abracem a tristezinha, abracem música boa e o fato de que nenhum sentimento é desperdiçado (essa é a deixa pra começar a chorar).

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Por Lucas Spiering

O maior girl-group da atualidade (não somos nós que estamos dizendo e sim, revistas como a Forbes) lançou, em 27 de maio desse ano, o 7/27 que leva no título a data de formação do grupo no programa The X Factor USA. Recentemente, foi considerado um dos melhores álbuns pop do ano, pela Rolling Stone, na frente de artistas como Ariana Grande e Bruno Mars. Para começar, uma das coisas que chamam atenção são os vocais solo das cinco integrantes, que estão muito bem distribuídos desta vez – o que criou uma harmonia maior na totalidade das músicas. O Fifth Harmony veio com um álbum em que explorou as tendências de rádio, na maioria das músicas, mas também apresentou novas influências, com uma vibe mais tropical, com aquelas músicas feitas para bater cabelo na pista de dança e, também, as baladinhas. Como já era esperado com o amadurecimento, elas se mostraram ainda mais confiantes e, consequentemente, assumiram mais o lado sexy. Quando todo mundo pensava que não poderia haver nada maior que “Worth It” (que possui mais de 1 bilhão de views no YouTube), último single da era “Reflection” elas surpreenderam mais uma vez com o lançamento da música “Work from Home” (que iria se chamar “Work”, se a Rihanna não tivesse lançado a dela antes), com a participação do rapper Ty Dolla $ign. Além de mostrar um pouco do que viria pela frente no segundo álbum da carreira, se tornou o maior hit do grupo até então. Elas chegaram ao 4º lugar do Billboard Hot 100 e tem o clipe mais visto do ano, com mais de 1 bilhão e 200 milhões de visualizações. Ainda antes do lançamento oficial do álbum, elas apresentaram “Write On Me, single promocional lançado junto com um vídeo bem fofo todo em preto em branco, que indicava que o álbum seria mais versátil que o anterior e teria as tão esperadas baladinhas. Ela vem mais lenta, mas ainda assim sensual, roubando a cena, com um refrão bem catchy, daqueles que dá vontade de sair cantando. O segundo single, “All In My Head (Flex)”, é daquelas músicas gostosas de verão e conta com uma vibe mais reggae e a participação do Fetty Wap. Também ganhou um clipe, que se passa inteiramente na praia, com as cinco de biquíni/maiô e alguns boys malhados enquanto elas sensualizam. Não é à toa que a música ganhou o VMA na categoria “Song of Summer”. Abrindo o álbum, com uma letra carregada de empoderamento feminino, temos “That’s My Girl”, o terceiro single, uma música que mostra bem a atitude girl power, com batida e refrão fortes. “I Lied”, “The Life”, “Scared of Happy” e “Not that Kinda Girl”, são as que melhor traduzem a vibe do disco, com pegadas mais eletrônicas e refrões poderosos. Para complementar as baladas, temos “Squeeze”, “Gonna Get Better”, “Dope” e “No Way”, que mostram um lado mais vulnerável das meninas, ainda pouco explorado e que conquistou o coração dos fãs. E assim se fecham as 12 faixas desse álbum que veio para marcar de vez o nome da girlband na música, ainda que, infelizmente, tenha sido o último da banda em sua formação original, após a recente saída de Camila Cabello. O 7/27 é um álbum muito bem planejado, que tem exatamente tudo que um grande álbum pop precisa.

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Por Brenda Luíza Ferreira Vidal

É fato: 2016 foi pra lá de movimentado. Mesmo que muitos estejam receosos com o que ainda está por vir, no mundo da música os ventos sopram à favor. Entre tantas produções incríveis, bati minha meta pessoal de ouvir mais de 50 álbuns e, para o desespero de quem quer ser jornalista musical, me vi incapaz de eleger qual é o #1 na lista de melhores discos do ano. Entretanto, Solange e seu político A Seat At The Table vieram à minha mente quase que imediatamente quando me perguntei que disco merecia ser lembrado (e louvado) nesse ano. Você tem um tempo para ouvir a palavra de Solange Knowles? Então, have a seat e esteja disposto porque, diferente das coloridas presilhas espalhadas pelo cabelo da cantora na capa do disco, as batidas, os versos e as melodias têm um único objetivo: deixar a coisa bem preta. Racismo, feminismo, resiliência , empoderamento e orgulho negro. Em meio a arranjos neo soul, experimentações, pop e combinados com um fundo R&B, Solange constrói um cenário etéreo, suave e cativante, que já nos conquista em “Rise”, a primeira faixa do disco. A musicalidade faz o equilíbrio perfeito aos versos diretos e crus. De forma inteligente e sensível, Knowles usa a criatividade ao apresentar letras e depoimentos em forma de interlúdios, produzindo canções que se entrelaçam e dão forma à narrativa do disco que traz a pesada discussão racial dos Estados Unidos à tona. Assim como “Lemonade”, da irmã Beyoncé, as origens surgem como uma ferramenta natural para tratar do assunto. Sua mãe, Tina, aparece no interlúdio “Tina Taught Me”, em depoimento sobre o orgulho pela cultura negra e o incoerente discurso do racismo reverso (“Eles têm o mês da História Negra/ Mas não temos o mês da História Branca!/Bem, tudo o que já foi ensinado é a história branca/ Então, por que você está bravo com isso? Por que isso faz você ficar com raiva? Isso é para me suprimir/ E para fazer com que eu não me orgulhe). Já em “Interlude: Dad Was Mad”, o pai, Matthew, relata um dos diversos casos de racismo que sofreu ainda criança, como expõe nos versos “Entre integração, segregação e racismo/ Essa foi a minha infância”. Os singles, assim como cada canção do álbum, não aliviam. “Don’t touch my hair” com uma das letras mais necessárias dos últimos tempos, fala de como os corpos negros, principalmente da mulheres, são constantemente invadidos (Não toque meu cabelo/ Quando são sentimentos que eu uso). Entenda: nossos cabelos são incríveis sim, obrigada, mas não foram feitos para você tocar e ficar maravilhado ao dizer “nossa, é tão macio né?” Já em “Cranes in the sky” Solange trata da solidão da mulher negra, das angústias de tentar (em vão) vencer as consequências do racismo mudando a si mesma (Eu tentei mudar isso com o meu cabelo/Eu estourei minha conta do cartão de crédito/ Pensei que um vestido novo deixaria tudo melhor). Com a ajuda de Lil Wayne, Kelela, Sampha entre outros artistas, as parcerias tornam-se fundamentais para o enriquecimento de cada faixa. Como seu terceiro disco, Solange se aproxima de Kendrick Lamar, Blood Orange e Beyoncé, artistas negros que fizeram de seus trabahos mais recentes manifestações de resistência dos negros nos E.U.A. Coeso e completo, A Seat At The Table é a melhor resposta para quem achou que Solange seria apenas aquele hit dream pop fofinho perdido 2012 (lembram de “Losing You”?). Maduro e contundente, o registro reforça sua qualidade musical e passa um recado de força para negros de todo o mundo: “All my niggas let the whole world know/ Play this song and sing it on your terms/ For us, this shit is for us”.

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Partes 01, 02, 03 e 04.

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