36 discos de 2016 – parte 04

Então é nataaaal… (quase)

alicia

Por Matheus Rodrigues

Em toda entrevista que concede, Alicia Keys faz questão de dizer que “Here”, seu novo álbum, é o melhor que ela já fez. E temos motivos para discordar? A produção é polida ao máximo, chegando a sufocar por se fazer convencer tanto de que é uma obra-prima, efeito inegavelmente causado pela coesão entre as faixas. Mas como podemos dizer que “Illusion of Bliss”, faixa que aborda o vício em drogas, onde Keys apresenta uma performance vocal sem freios e sem marchas, rasgando a garganta no sentido mais literal da palavra, é de alguma forma “polida”?. Pois bem, os momentos mais experimentais não ficam só na faixa supracitada, como também aparecem em “The Gospel”, uma tentativa bem sucedida de conscious rap, que sobrevive graças a visceral letra sobre seu passado e seu presente, de certa forma. Nova York, tema recorrente nas músicas da cantora (alô Jay-Z), também não passa despercebida na faraônica “She Don’t Really Care_1Luv”, ode a sua sonoridade mais antiga, homenageando as mulheres que fazem funcionar a maior cidade do mundo. Outras homenagens também são feitas em “Girl Can’t Be Herself”, que sampleia o épico cover de La Vie En Rose”, cantado por Grace Jones, onde a cantora assina de vez que não se sente mais obrigada a usar maquiagem quando não quer (o que ela já fez e faz em suas exibições públicas, causando burburinhos nos tablóides). Ainda sobra preocupações com o curso da humanidade, especialmente com a comunidade negra, após as acentuadas tensões raciais nos últimos anos, trazidas nas faixas “Kill Your Mama”, “More Than We Know” e nas interludes “conversadas”. No fim do álbum, fica aquele gostinho gostoso de que a mulher fechou bonito com esse projeto. De que ainda temos que ouvir ele inúmeras vezes para pegar todas as suas ideias. E se tiveres “In Common” na versão que baixaste, ainda dá tempo de fazer uma dancinha conceitual bem legal. ariana_dangerous

Por João Guilherme Koefender

Depois do sucesso estrondoso de My Everything, álbum feminino mais executado no Spotify, Ariana Grande deu seus primeiros passos como promessa do pop na era do streaming. O segundo disco da cantora do rabo de cavalo e dicção meio difícil de entender, introduziu a mesma como popstar – já que o primeiro álbum, Yours Truly, trazia uma proposta mais R&B. Foi aí que ficou a dúvida: quem é Ariana Grande, além do penteado característico, da voz incrível, do jeitinho tímido e engraçadinho e das músicas inegavelmente cativantes? O incidente dos donuts e um buzz single não-tão-cativante-assim (a esquecida “Focus”) fizeram muitos acreditarem que Ariana teria cinco minutos de fama. Foi então que veio Dangerous Woman, mais um álbum feito em parceria com Max Martin (mais conhecido como o Dono do Pop) e outros colaboradores de sempre. Piada para muitos, o nome do álbum representa um crescimento e amadurecimento da cantora – não em relação seu ao “visual infantil” (aceitem que Grande é pequena), mas sim, a todo o resto. Mais confiante, mais focada, mais performer, com músicas e vídeos mais fortes, Ariana é sim, uma Dangerous Woman. Afinal, com esse álbum, mostrou que veio pra ficar e se afirmou como popstar. Como isso aconteceu? Basta ouvir “Into You”, melhor single pop do ano. O primeiro verso (“I’m so into you, I can barely breathe”) chama a atenção no primeiro suspiro, assim como a mensagem subliminar de “Side to Side”, que com a ajuda de Nicki Minaj, tornou-se mais um signature moment de Ariana. As 15 faixas do álbum, um álbum pop despretensioso em um ano de tantos discos carregados de ativismo, ofereceram o chiclete que a gente precisava pro ano inteiro. Da faixa-título low-tempo carregada de guitarras, ao house noventista regado a voguing de “Be Alright”, ao disco de “Greedy”, à participação de Lil Wayne em “Let Me Love You”, à faixa bônus “Gave It Away” – produzida pela lenda da Broadway, Jason Robert Brown -, Ariana mostra a sua versatilidade e potencial como artista que sim, sabe o que está fazendo e sabe com quem se envolve. A meio de comparação, Dangerous Woman é o Good Girl Gone Bad da Ariana. Claro, ela tem que comer muito arroz com feijão pra chegar onde Rihanna chegou. Mas, podem anotar: citando Minaj, “young Ariana run pop“. Podem esperar muito mais da nova promessa do pop. Afinal, como mostrou durante 2016, ser mulher perigosa é ter visão e determinação. E isso Ariana tem de sobra.

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foxes

Por Anna Carolina Chies

Terminar um relacionamento é sempre muito difícil, mas sempre rende umas boas lições para a vida inteira. E é isso que o álbum All I Need, da Foxes (a.k.a. a mina inglesa mais legal do synthpop que vc respeita), nos passa, sendo um verdadeiro consolo para os órfãos de relacionamentos amorosos de 2016. A cada música, o álbum parece descrever uma fase do término de um namoro, desde o primeiro pensamento de “acho que não quero mais” até a fase em você está totalmente plena pra sair por ai pegando todo mundo. É uma verdadeira terapia, o 1989 (Taylor Swift,2014) do synthpop em 2016, eu diria. Além desses ótimos motivos para escutar o All I Need, é muito bacana ver a evolução do trabalho da Foxes desde seu primeiro álbum, Glorious (2014). All I Need mostra que ela definitivamente não é apenas “a mina que canta na música do Zedd”(no caso, Clarity). Enquanto Glorious tem uma pegada mais para o pop, em que você fica meio em dúvida do estilo musical de Foxes (se é pop, se é indie, se é indie-pop com uns eletrônicos…), All I Need mostra que a vibe da moça é mesmo o synthpop. As músicas são repletas de arranjos com sintetizadores, que te transportam diretamente para o fim dos anos 1980. Ou seja, até as músicas de fossa são animadas, perfeitas para quem não quer ter uma fossa tão deprimente assim. As minhas preferidas do álbum, e que eu super indico, são “Scar”(música de superação) e “Amazing” (música de “já estou bem”). Ainda tem as que foram hits do álbum, como “Body Talk” (que tem um clipe muito mara) e “Cruel”(uma música super animadinha, com um clipe super animadinho, que conta como é difícil amar quem não pode ser amado). Acho que te dei argumentos suficientes pra escutar essa maravilha musical que 2016 trouxe, né?!

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liniker

Por Louisiane Cardoso

Liniker e os Caramelows foi a melhor coisa que me aconteceu em 2016. Tudo começou, quando casualmente, “Zero” tocou em uma playlist aleatória que escutava no Spotify. A melodia que exclamava sensualidade, era a preliminar certeira que todo mundo deveria ter, pelo menos uma vez na vida. Esta música foi o necessário para atiçar a minha curiosidade sobre quem era Liniker e os Caramelows. Até o nome exala coisa gostosa. O  álbum Remonta foi todo produzido e gravado com base de crowdfunding dos fãs da internet que foram a força necessária para levar este som delicioso que a banda faz. E se “Zero” já te deixava arrepiado, o restante do disco é a própria chamada para fazer amor. Seja com alguém ou com as 13 faixas que compõem o álbum. “Remonta”, “Caeu” e “Tua” são as minhas preferidas e que tocam obrigatoriamente todo santo dia no meu Spotify. Também são as que têm que ouvir de olhinho fechado pensando naquela noite memorável que você teve recentemente. “Prendedor de Varal”, “Lina X”, “Louise Du Brésil e “BoxOkê” são as mais agitadinhas e certeiras para uma festa. E para desabfar com toda dramaticidade que nós merecemos, ainda tem “Você Fez Merda” e “Ralador de Pia” para cantar bem alto e extravasar aquela dorzinha no fundo do coração. Pois se tem uma coisa que Liniker e os Caramelows sabem fazer, é música pra fazer e remontar o amor.

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steven

Por Isadora Sauer

Steven Tyler (68 fucking anos) é uma das figuras mais emblemáticas e consolidadas da história do rock mundial, o que explica o choque que muitos levaram quando ele anunciou que ia lançar o primeiro álbum solo e que seria country. Pra legião de fãs do Aerosmith, o choque não foi tão grande, já que o amor de Steven pelo gênero não é novidade e sempre ficou claro em toda a obra da banda, como “Crying” que podia perfeitamente ser uma balada country se alguns elementos fossem adicionados. We’re all somebody from somewhere acabou se transformando num álbum misto de country, rock e power ballads. “Sweet Louisiana” é o hino country do disco, seguida de perto por “Somebody New”, “Love Is Your Name” (o primeiro single), “Gypsy Girl” e a pegajosa “RED, WHITE & YOU”, que traz os famosos elementos country americanos na letra: “american girls”, “4th of July” e “good ol’ boys”. A faixa-título do álbum é a que mais lembra o Aerosmith dos anos 70: pesada e com riffs brilhantes (que lembram os do Joe Perry, guitarrista do Aero). A versatilidade do vocalista é exposta na versão “broken down” sensacional do sucesso “Janie’s Got a Gun” e no cover de “Piece of My Heart”, que deixaria Janis Joplin orgulhosa. As duas melhores canções do álbum são baladas: “It Ain’t Easy” e “Only Heaven” são impecáveis e merecem destaque pela qualidade vocal de Steven, que parece só melhorar com o tempo. Em suma, sair da zona de conforto tendo uma carreira sólida como uma estrela do rock mundial aos 68 anos, não é fácil, mas Steven Tyler mostrou que é possível e com maestria.

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zayn

Por Renata Carolina

Vencedor da categoria Revelação do Ano no prêmio AMA de 2016, Zayn (agora sem o Malik) deixou um legado especial ao mundo pop nesse ano que se encerra. Entre polêmicas e entrevistas cheias de sinceridade, Zayn lançou o álbum de estreia da carreira solo exatamente um ano após a saída da banda One Direction. O próprio nome já diz ao que veio: Mind Of Mine chega para mostrar ao mundo como é a mente artística do cantor (que adora reforçar o quanto sua criatividade era limitada ao lado dos boys do X Factor). LeNdO a LiStA dE mÚsIcAs jÁ pErCeBeMos QuE TeReMoS AlGo DiFeRenTe. O novo som é recheado de letras, vozes e ritmos muito sensuais. Zayn é um cantor que transpira sexualidade. A intro é o primeiro soco no estômago. “MiNd Of MiNdd” é um convite para a entrada nessa mente que parece ter sido sempre tão incompreendida. Seguida do primeiro single, “PILLOWTALK”. Uma música para aumentar o volume até estourar e gritar junto. O clipe que acompanha fala por mim: a música é tão boa quanto fazer sexo. Depois do ápice (com o perdão do trocadilho), temos a balada “iT’s YoU”. Suave, ainda que sensual, deixa claro para todo mundo que esse menino tem uma voz cheia de potência. “BeFour”, que sugere algumas indiretas aos ex-colegas de banda, é dançante e perfeita para curtir na balada depois de alguns bons shots de vodca. “sHe” segue a vibe balada alucinada e com sussurros que parecem uma eterna noite proibida. Um dos grandes destaques do álbum, “dRunk” apresenta um Zayn com muitas habilidades vocais. Entre agudos e notas altas, destrói em cada segundo. Trazendo personalidade e mostrando suas raízes de maneira forte, a música breve de apenas 1:44, “INTERMISSION: fLoweR” foi escrita em urdu e é um grito de liberdade emocionante. Somos jogados de volta para a pista de dança ao ouvir “rEaR ViEw”. A faixa parece que perde a força das demais. É pop e menos sexy, mas ainda exibe os perfeitos agudos que Zayn já apresentava na época de 1D. O único dueto do CD é ao lado da cantora Kehlani. Em “wRonG”, as vozes dos dois parecem feitas uma para a outra. Chegamos em mais um dos grandes destaques. Se virasse single, imagino que teria mais um clipe repleto de pessoas suadas, drogadas e absolutamente bonitas. A melhor. Uma pausa para respirar e lembrar que estamos falando de um cantor talentoso: vem “fOoL fOr yOu”. Fecha os olhos, pensa naquela história de amor que ainda não cicatrizou e pode começar a chorar. Uma balada clichê, que tranquilamente poderia ser assinada pela antiga banda do Zayn, essa faixa precisa ser cantada ao vivo um dia. O primeiro tombo do álbum vem com os nomes de “BorDerSz” e “tRuTh”. Chatas. Parecem ser a mesma música, prolongando o sofrimento. Chegamos tão alto nas primeiras 10 músicas que temos a sensação de que a força acabou. Então, somos empurrados de volta a uma festa barulhenta. “lUcoZaDe” tem uma batida mais empolgante. Anima, mas ainda não salvou os minutos finais. “TiO” tira um sorriso logo no começo. Com menos sensualidade que o início do álbum, essa música também seria uma perfeita escolha de single. “BLUE” parece completamente deslocada e feita por engano. É linda, profunda, mas não tem a identidade do Zayn. “BRIGHT” e “LIKE I WOULD” podem ser ouvidas na sequência por quem busca energia e bom humor. Por fim, mas não menos importante, “SHE DON’T LOVE” deveria ser colocada lá no começo, ao lado das melhores músicas do álbum. Mais um pouco de agudos incríveis para deixar a certeza de que a saída da boyband foi a melhor coisa que esse menino maravilhoso já fez na vida.

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Aqui as partes 01, 02 e 03.

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