36 discos de 2016 – parte 02

ladygaga_joanne

Por Douglas Hengem

Joanne é com certeza o álbum que os fãs não esperavam. Depois uma era conturbada em ARTPOP e uma depressão por conta da pressão sofrida, a Gaga que conhecemos resolveu se fechar um pouco e rever seus propósitos como artista. Em Joanne, ela mostra um álbum mais íntimo, focado na música e coeso. Inspirado na tia falecida aos 19 anos, o álbum usa diversas metáforas pra contar a história dessa pessoa que inspirou a cantora. Sem megalomania nas letras e nos instrumentais, Gaga conseguiu entregar um álbum muito bem produzido e acabado. Apesar de achar “Joanne” ficou deslocada dentro do álbum sendo a faixa número 3, ainda sim a coerência se mantém avaliando o resto das faixas. Joanne pode não ser o retorno pop triunfante que todos os fãs(?) aguardavam, mas com certeza é um ótimo álbum. Vê-la tão linda nos lives de divulgação do CD e tão mais focada em entregar uma performance focada na música trás tanta alegria pra fãs que, assim como eu, esperavam tanto que ela conseguisse não se perder nesse showbiz que acaba por destruir tantos outros.

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banks

Por Nicholas Guerini Selistre

Com ano fortíssimo para a música pop, que contou com lançamentos das maiores divas – como Rihanna e seu ANTI “urban-conceitual”, Beyoncé e o seu visual álbum Lemonade, e Lady Gaga com seu intimista-country Joanne – Banks lança o seu The Altar, que traz aquele gostinho dark pirigótica que poucas têm, mostrando que o pop farofa em 2016 ficou com a só Britney mesmo (a famigerada Neyde para os mais chegados). Depois de 2014 com o lançamento de Goddess, Banks embarcou numa viagem de autoconhecimento, empoderamento e exorcismo de relações tóxicas, o que resultou no seu segundo álbum. E é justamente por esses motivos que eu me senti tão abraçado por ele – por ter sido a síntese do meu ano. Quando a Banks abre as portas pro Altar com “Gemini Feed” (sem dúvidas, o maior hit do CD), mostrando que chega de aguentar o mozão passivo-agressivo e que não vamos mais correr que nem cachorrinho atrás dele; ou que só ela fode gostosinho a si mesma melhor do que ninguém e dane-se a opinião alheia em “Fuck With Myself”; ou ainda que ser trouxa fraca é coisa do passado em “Weaker Girl”. E demonstra que, como outras cantoras (não disse quem), possui seu próprio “Judas” para ser expurgado, exteriorizando inquestionavelmente a força dessa grande deusa que habita o corpo dessa mortal, a “Mother Nature” que deve ser seguida como modelo, e que nada vai destruí-la ou colocá-la para baixo. Esse, provavelmente, não é o meu álbum favorito do ano (principalmente levando em consideração o little monster doente que há dentro de mim), mas merece todos os holofotes necessários, por ser melodicamente obscuro e forte, por ser diferente e destemido, por ter o toque fashionista que sua criadora possui, e, além de tudo, por aspirar à força e independência que precisamos ter para encarar a vida e seus “Poltergeist”.

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giphyiggypopPor Nathalia Domineli

Lançado em março, Post Pop Depression é o décimo sétimo álbum de estúdio de Iggy Pop. Produzido por Josh Homme conta com a participação de Dean Fertita, guitarristas do Queens of the Stone Age e Matt Helders, baterista do Arctic Monkeys. Por mais que a produção do disco tenha antecedido a morte de David Bowie, é possível sentir seu reflexo em Post Pop Depression (…ou é só minha impressão?). Talvez devido a angústia contida no título e as letras que contemplam crises artísticas e os conflitos causados pelo fim da carreira e da vida. Quanto a sonoridade do álbum, logo em “Break Into Your Heart” já fica evidente a influência do Queens of the Stone Age, com vocal potente, fortes riffs de guitarra e o mood sombrio. No entanto, em “Gardenia”, o primeiro single lançado, temos uma cativante balada que tende mais para o rock alternativo e contrasta com as composições mais densas. O destaque do disco fica com “Sunday” que tem o seu apogeu em um cuidadoso e surpreendente final orquestrado. Entre guitarras pesadas, sonoridade soturna, letras honestas e dramáticas o álbum se desenvolve até a última faixa “Paraguay” onde ouvimos um Iggy Pop raivoso, que desabafa e fantasia sobre se desligar do mundo e da fama e ir morar na América do Sul. Antes de seu lançamento, o ídolo punk insinuou que este poderia ser seu último álbum. O que é admissível vindo de alguém com 69 anos e quase 50 de carreira! A impressão que fica é a de que, se for seu último trabalho, Iggy Pop terá encerrado a seu modo, de forma sincera e provocativa.

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Por Rona Abdalla

Não tem como negar, a Sandy é a rainha desse Brasil e fez o frágil coração de uma geração acelerar os batimentos e fazer turu turu turu turu. Nesse ano, lançou o segundo trabalho ao vivo, gravado no Teatro Municipal de Niterói, no Rio de Janeiro. O Meu Canto, dirigido por Raoni Carneiro e com produção de Lucas Lima, traz 20 músicas, parcerias inéditas e reúne os principais sucessos dos três cds solos da cantora. O destaque ficou por conta de uma participação; A junção com Tiago Iorc resultou em “Me Espera”, que ganhou clipe, versão estúdio, espaço na novela das sete e o coração de todo mundo.  Sandy deu cara nova às canções que já faziam parte de turnês anteriores e o resultado é encantador. Em “Pés Cansados”, primeiro hit da carreira solo, ela decidiu se aventurar na Autoharp, instrumento que parece aqueles tocados por anjos, e a música “Sem Jeito”, também do primeiro álbum solo da Sandy, ganhou uma introdução toda especial com direito a dancinha ritmada.  Além das regravações, cinco músicas inéditas compõem o novo trabalho: “Me Espera”, “Respirar”, “Colidiu”, “Salto” e “Meu Canto”, mostram o amadurecimento e força do trabalho solo de Sandy.  Mas claro, falar de Sandy sem falar de Sandy & Junior é tipo fogueira sem brasa, Romeu sem Julieta, Claudinho sem Buchecha. A verdade é que nunca falta! Neste, “Nada é Por Acaso” e “Desperdiçou” levaram a galera a loucura e diretamente a um passado não muito distante. Meu Canto é, de fato, um dos trabalhos mais intimistas da cantora, mas que, ao mesmo tempo, mostra a grandeza e talento dessa maravilhosa que nos ensinou e ainda nos oferece tanta coisa por meio da sua arte.⁠

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unnamedcarlyrae_Por Matheus Conci

Vamos ao que interessa: Carly Rae Jepsen é a maior artista pop que você não respeita. Isso mesmo. A canadense ainda – e pelo jeito, sempre – vai ser lembrada como a cantora de um hit só – que me recuso a fazer referência aqui. Ano passado, ela já sofreu o maior revés da carreira, ao lançar E.MO.TI.ON, um dos melhores, se não, melhor álbum POP de 2016. Para comemorar o aniversário do lançamento deste, ela divulgou o E.MO.TI.ON Side B, com oito faixas “renegadas” da primeira leva do seu master piece. E o que ela fez? Outra pérola! Músicas cheias de energias e frases que grudam como em “Higher” (“You take me higher than the rest”) ou o refrão de “First Time”. Mais uma vez, é dos anos 80 que a diva se inspira, e lacra de maneira “tímida” – para não usar termos como flop – uma carreira que os fãs mais impacientes, como eu, não aguentam mais esperar emplacar e a colocar ao lado de “grandes-nomes-que-não-mereciam-estar-lá”. #polêmica

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Por Jennifer Baptista

Desde que esse disco saiu, em agosto, eu já perdi a conta de vezes que tentei colocar meu sentimento por ele em palavras. Sempre falho miseravelmente, mas tentarei, uma última vez. Desculpe o transtorno, mas precisamos falar sobre O Terno – e o melhor disco do ano. 2016 foi um ano dourado para a música nacional. Temos discos e performances preciosas. Entre elas, jaz o amarelo e nada discreto Melhor Do Que Parece, o terceiro álbum do power-trio paulista de canção-rocknroll-pop-experimental. Com 42 minutos de duração, esse é um disco que pede que tu pare tudo e se concentre em cada nota, cada linha… Stop and take the time to smell the roses, como diria o Ringo, sabe?! Quando tu dá o play em “Culpa”, single que abre os trabalhos – e que tem um clipe genial, com o melhor selo O Terno de qualidade –, é como se tu embarcasse em uma viagem que começa agitada e com passos coreografados e vai ficando mais calma – mas não muito. Algo que eu acho bem interessante no registro é a forma como ele consegue intercalar muito bem os diversos moods nele contidos. É uma jornada rock, pop, samba, que passa pelas montanhas de Minas Gerais, vai à Lua e retorna à Terra pra encerrar de uma maneira apoteótica com “Melhor Do Que Parece”, uma faixa absurdamente linda, com instrumental de dar inveja e carregada de feels. A sonoridade que o trio encontrou pra esse álbum parece tão certa. Traz diversas referências, experimentações, instrumentos inusitados e consegue, ao mesmo tempo, se encaixar em perfeita sincronia. Os meninos desesperados de “66”, single do primeiro álbum da banda, já podem se acalmar, porque acharam sobre o que cantar.

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Confira a parte 01 também!

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