36 discos* de 2016 – parte 01

* EQUIPE TRINTA E SEIS INFORMA: SELEÇÃO FEITA A PARTIR DO GOSTO PESSOAL DOS COLABORADORES, NÃO TEMOS NADA A VER COM ISSO.

AINDA BEM que 2016 tá acabando!

bey_lemoneide

por Roberta Reis

É pouco para Lemonade o título de melhor disco do ano. A importância dele transcende 2016. E não é porque Beyoncé lançou o conceito de visual álbum, até porque o álbum anterior também já tinha esse formato. E muito menos porque, como alguns resumiram, conta a traição de Jay-Zzzzzz. Ao assistir à parte visual do álbum fica claro que se trata de uma obra em homenagem e pela valorização da mulher negra, trazendo muito de sua origem, família e trajetória.  Toda a obra audiovisual é impecável estética e poeticamente, além do documental. Cada “ato” mergulha em um universo totalmente diferente e uma história, recheada de referências até nos menores detalhes, vai se formando. Destaque para a participação de Serena Williams dançando maravilhosamente em Sorry. ❤ Ah, e tem as músicas também, rs. O mix inclui diversos estilos até então ignorados por Bey, como country em Daddy Lessons (que agora teve nova versão ao lado das Dixie Chicks) e rock (com participação de Jack White). As apresentações ao vivo originadas por esse álbum só o tornam mais especial, como a do VMA, quando ela formou um símbolo da vênus em pleno palco, e a do Bet Awards, cantando Freedom ao lado de Kendrick Lamar. Meu conselho é reservar um tempinho pra estudar esse álbum e tudo que o envolve.

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radioheaddd

Por Tobias Carvalho

Eles fizeram de novo. Mais uma vez, o Radiohead conseguiu tirar um disco da cartola e nos estraçalhar. Depois de cinco anos longe dos estúdios, A Moon Shaped Pool surgiu como um presente. Depois do término de um casamento de 23 anos, Thom Yorke resolveu fazer seu disco mais pessoal. A Moon Shaped Pool não é o disco do ano porque é um disco fácil. É dolorido. Referências a dor são o que não falta: as cordas orquestradas ao final de “Daydreaming”, a produção sutil de “Glassy Eyes”, o coro de vozes corrosivamente sublimes em “Present Tense”… são fragmentos que soam como a catarse de uma vida de frustrações. Há momentos de puro virtuosismo aqui, fruto do entrosamento de uma banda de cinco músicos experientes e que amam tocar juntos. O clímax na metade de “Full Stop” e o solo de “Identikit” não deixam dúvidas: todos parecem estar se divertindo muito com essa autoanálise, e é daí que vem a genialidade. A Moon Shaped Pool não é sofrimento. É uma oportunidade de redenção. “True Love Waits”, a música que fecha o disco, é uma favorita dos fãs há mais de 20 anos. Apesar de nunca ser tocada em shows, nunca havia ganhado uma versão de estúdio. Talvez esse tempo inteiro na vida dos caras tenha ressignificado a canção: de uma versão violão acelerado, True Love Waits foi reduzida a um dueto de pianos e o som da voz desesperançosa de Thom Yorke. Quem esperaria? O Radiohead não quer fingir que o amor não dói.  Talvez esse seja o melhor presente que eles nos possam dar.

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Por Matheus Bertoldo

Gostar de girl groups é provavelmente o meu maior clichê de música pop de todos. Com as Little Mix não tinha como ser diferente. Vencedoras da edição de 2011 da versão britânica do X-Factor (e até hoje o único grupo a vencer no programa por lá), elas seguem juntas e tão com TUDO. Nesse quarto CD, já experientes no ~mundo pop, elas sabem o que funciona com elas e isso fica claro, especialmente a união e sincronia delas, seja na combinação de vozes ou nos palcos. O Glory Days tem de tudo: muita indireta (e direta) pros boy lixo (Shout out to my Ex”, “You Gotta Not”), muito amorzinho (“Oops”, “Your Love”), muita superação (“No More Sad Songs”, “Power”), aquela lentinha pra quando bate a bad (“Nobody Like You”) e muita safadeza pra balada (“Touch”, “Down & Dirty”, “Private Show”, “Beep Beep”). Fazendo aquela boa música pop que a gente ama ouvir (e cantar junto), sem nada muito inovador e ~conceitual, mas acertado e muito bem feito, fazendo com que elas embarquem no que parece ser a melhor fase do grupo até então. E não esqueçam: se preparem pra performar “Touch” o verão todo nas baladinhas porque oh: QUE HINÃO.

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mahmundi

Por Cleber Facchi

Versos e melodias entristecidas em “Azul” —” Te espero, te espero, te espero / Não vá” —, o romantismo explícito na radiante “Hit” — “Fiz um hit / Pra entoar você” —, batidas e bases econômicas que flertam com o R&B na delicada “Sentimento”.  Em um intervalo de apenas quarenta minutos e dez faixas, a cantora e compositora carioca Marcela Vale faz de cada peça do primeiro álbum de estúdio um objeto de destaque. São versos confessionais, sempre intimistas, ponto de partida para uma obra guiada em essência pelos sentimentos. Ao fundo de cada composição, um mundo de possibilidades e referências nostálgicas. Jessie Ware encontra Rita Lee, Marina Lima dança ao som da dupla Chairlift. Sintetizadores coloridos, guitarras levemente empoeiradas, batidas e sobreposições serenas. Instantes que se dividem entre o som ensolarado de Eterno Verão e a completa melancolia de músicas como Quase Sempre. Um curioso exercício de visitar o passado sem necessariamente deixar o presente.

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frankocean

Por Dani Barbosa

Depois de ficar fazendo a gente de palhaço desde 2015, Frank finalmente lançou o tal do álbum. E melhor: lançou 2!!!! Mas eu to aqui é pra falar do Blonde mesmo. O Channel Orange foi o primeiro álbum do Frankzinho e ele já quebrou o mundo e o meu coração com todas as tracks deste disco magnífico. O que fez a expectativas pro tal segundo álbum se elevarem a um nível estratosférico. Em 2015, ele tinha anunciado que o sucessor do Channel Orange sairia em julho daquele ano. Aí chegou julho e: nada. Assim, sem explicação mesmo. Aí o tempo foi passando, ele prometendo novas datas de lançamento, as datas chegando e mais uma vez: nada. Frank finalmente parou de brincar com o meu coração em agosto, quando soltou dois discos na mesma semana: Endless e Blonde. O que fez ninguém entender porra nenhuma, porque o nome do álbum que ele tava prometendo era Boys Don’t Cry. Mas tudo bem. Frank foi muitíssimo perdoado por mim e por toda a nação terrestre por ter iludido nossas vidas pois o Blonde é simplesmente UMA COISA DE LOCO. Quando eu achava que não tinha como melhorar depois do Channel Orange, ele vai lá e lança o Blonde cheio de tracks que contam detalhadamente as bads que to passando na vida. Até parece que ele tava me stalkeando, safado. Resumindo: ver o álbum sendo lançado foi uma felicidade maior do que o tempo de espera, mas aí a risadinha vira lágrimas porque as músicas são lindas e tristes e a gente fica ouvindo e olhando pela janela do ônibus pensando naquele crush malígno e imaginando estar num clipe e pensando “como tu fez isso comigo, seu demônio???” enquanto chora igual o emoji da Kim Kardashian.

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Por Juliana Moreira

Rihanna nunca foi mulher de fazer o que os outros esperam. Não existe boy, fã de hit farofa nem crítica da mídia que tenha qualquer influência sobre esse ser. Depois de sete álbuns, já tava mais do que na hora de lançar algo que deixasse isso bem claro. E o ANTI cumpre muito bem esse papel. Na primeira faixa, “Consideration”, ela já dá o recado pro que vem a seguir: “I got to do things my own way, darling”. Só nos resta aceitar, pegar na mão de deusa Riri e ser conduzido pela vibe (ou completamente arrastado, como eu). Por sinal, QUE VAIBE, néam? Duvido não rolar o combo olhos fechados + pescoço girando lentamente em “Kiss it Better”, a sarrada básica em “Work” e “Needed Me”, a viagem no cover incrível de “Same Old Mistakes” e a leve chorada pelo boy em “Love on The Brain” e “Close to You”. É muito sentimento diferente num álbum só, e a Rihanna expressa todos eles de uma forma tão sincera e vulnerável que não tem como não se identificar com as mesmas certezas e angústias. Desafiador, verdadeiro e profundo: ANTI é o álbum mais Rihanna da Rihanna. ❤

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Confira os anos anteriores aqui!

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