escrevi este texto enquanto deveria estar fazendo um trabalho

Na quarta de manhã, recebi dois áudios de quase 5 minutos de uma amiga. Entre novidades sobre a própria vida e explicações sobre a vida dos outros, ela disse que tinha falado sobre mim no fim de semana anterior e que estava, ao mesmo tempo, muito feliz e um pouco triste por eu não estar lá. “Tu faz muita falta”, ela disse, no dia a dia, nas jantas e nos encontros entre amigas. Faz sentido, claro, mas talvez não tanto. A verdade é que, até eu contar que estava indo viajar (em torno de dois meses antes da data), a gente nem se via tanto assim mais. Depois de anos convivendo diariamente, falávamos pouco e nos encontrávamos menos ainda. Só que, quando voltamos a sair de novo, foi quase como se tivéssemos voltado ou parado no tempo. Mas de um jeito bom.

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Na quinta à noite, depois de duas taças de vinho, eu cliquei em um vídeo que o Youtube estava me mandando ver há alguns dias. Era um vlog – na verdade, três – de um certo membro de uma certa banda que não deve ser nomeada e eu assisti a ele(s) inteiro(s). Minha primeira reação foi mandar uma mensagem no grupo das migas dizendo como eu os odiava. Daí, fui dormir. Porém, acordei no outro dia e resolvi colocar a bendita banda para tocar enquanto trabalhava. Não é que deu certo? Eu cantarolei as letras como se estivesse ouvido cada um dos álbuns na semana anterior, pesquisei, escrevi e incrivelmente consegui render. Não incomodou mais. Como eu disse para outra amiga: eu odeio o fato de que eles existem mais do que eles em si. Não perguntem.

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Na sexta à tarde, uma terceira amiga mandou uma mensagem chorosa sobre o fim do estágio dela. Ao invés de falar “que chato” ou “que pena”, resolvi mandar uma mensagem mais animadora. Às vezes, eu sou meio grossa demais e não me dou conta que as pessoas só precisam de um consolo – e daí eu falo demais. Falando com ela, lembrei de quando saí do meu último estágio e de como também chorei: eu reclamava do trabalho todos os dias e estava saindo para ir viajar, mas até hoje sinto falta do caminho que fiz por um ano e meio para chegar lá e do clima que encontrava todos os dias (mesmo que nem sempre fosse o melhor deles). É estranho pensar que aquela vaga já nem existe mais e que outras pessoas não vão ter a mesma experiência que eu tive. O conhecido é confortável.

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Minha mãe transformou meu quarto em escritório e mudou a escrivaninha exatamente para o lugar que eu pedi para ela me ajudar a colocar por meses. Ela ia usar meu armário para guardar as roupas dela, mas eu acho que não cabe tantas roupas assim em duas malas. Talvez no ano que vem ela consiga, visto que a gente faz listas de coisas que eu deixei de trazer e vão ter que vir numa nova leva todos os dias. Uma amiga que eu via pelo menos uma vez na semana só responde mensagens do WhatsApp esporadicamente e às vezes ela curte minhas fotos no Instagram 3 dias depois. Não é porque as pessoas ficaram no lugar que elas não têm nada para fazer; pelo contrário, a rotina é pesada e, às vezes, não temos tempo nem de fazer as coisas para nós mesmos. Imagina para os outros.

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Uma amiga disse que algo muito importante para o meu intercâmbio era encontrar uma música que fazia eu me sentir bem. Eu acredito nela e, por isso, comecei a fazer playlists. Dá trabalho, mas é muito legal, mesmo que eu acabe voltando para alguns artistas com (muito) mais frequência que outros. Eu tinha vários planos do que ia fazer quando chegasse aqui – blogs, shows, passeios -, mas eu também tenho uma rotina e, às vezes, chego em casa à noite e fico assistindo uma série qualquer no Netflix e arrumando meu quarto. Nesses momentos, é quase como se eu nunca tivesse saído de casa, tirando o fato de que não tenho o barulho dos cachorros e as paredes do meu quarto aqui são completamente brancas. Aos poucos, vou me acostumando e criando novas manias.

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Algo novo que faço por aqui é ir para todos os lugares de bicicleta. Tem muitas lombas e, de vez em quando, preciso descer da bicicleta e subir a pé mesmo – mas isso tem acontecido cada vez menos. Às vezes, fico com preguiça de pedalar ou penso em ir a pé para poder pegar algo no Starbucks pelo caminho, mas acabo subindo na bicicleta mesmo assim: já é uma rotina. Eu gosto de voltar para casa à noite de bicicleta. Não só porque me sinto mais segura, mas porque preciso descer uma lomba cheia de curvas para chegar no meu prédio e só deixo a bicicleta ir, enquanto sinto o vento no meu rosto. É um dos poucos momentos da minha vida que não estou prestando atenção na música dos fones ou preocupada com algo que ainda não aconteceu.

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Resumidamente: mudanças são legais e agora eu preciso voltar para o meu trabalho.

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