blink-182, adolescência e aquele revival

Uma informação um pouco triste sobre a minha prateleira de CDs é que ela não tem nenhum álbum do blink. É que, quando eu realmente comecei a colecionar CDs, já não parecia ter a chance da banda lançar qualquer coisa num futuro próximo e as músicas antigas já estavam todas nas minhas ~mix tapes~ (só que em CD-R). Apesar dessa pequena negligência, blink faz parte de toda narrativa de envolve a minha relação com música e da grande maioria das bandas que já gostei na vida. Não fosse por blink-182, eu teria demorado mais uns 5 para descobrir qualquer coisa sobre a existência da Warped Tour; não fosse por blink-182, não teria colado metade dos pôsters que tinha na minha parede, porque as bandas não existiriam.

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Ainda assim, a banda ficou meio que em um local recolhido, um altar inalcançável. Por ter acabado no início de 2005, os anos de glória do emo/pop punk pra mim (aka minha adolescência) passaram sem nenhuma esperança de ver algum show, reunião, música nova da banda. Mesmo em 2008, tudo parecia distante e surreal. Tanto que o lançamento de Neighbourhoods em 2011 – que foi legal, que causou furor e umas lágrimas – não disse muita coisa.

Porém, em 2016, o lançamento de California chegou pra mudar o mundo da música declarar: a cena está de volta e sob o comando de John Feldman (produtor do álbum e de todos os outros do ~estilo que você tem ou não ouvido falar). blink-182 só funciona em 2016 por um motivo: eles trabalham com a nossa nostalgia sem ficarem parados no tempo. California é tudo que blink é com tudo que blink já foi, bem pelo contrário do que o Neighbourhoods.

O bizarro – ou não tanto – é que isso acontece num momento crucial da banda: a saída de um dos membros fundadores. Mas a verdade é que blink só lançou California e o álbum só é bom assim justamente pela falta do Tom. Porque Tom não queria aquele passado de “What’s My Age Again?”, Tom não tinha planos imediatos pro blink (tudo bem, o problema é dele) e Tom, mais do que tudo, queria ser sério.

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E, fala sério, quem espera música para pensar do blink? O problema não está – como muitas pessoas defenderam – nas piadas preconceituosas, e sim nas músicas desconectadas do contexto. Se você retira blink do contexto, tem uma banda que meio que deu certo. Porque, sim, blink deu certo, mas não é para todo mundo. É para adolescentes descobrindo música, é para pessoas que cresceram ouvindo esse estilo. É para quem faz parte desse contexto. Incrivelmente (ou não), Matt Skiba se encaixou perfeitamente nesse papel de meio que um revival.

California é isso: é uma música de 40 segundos inicialmente irritante, mas que depois vai te deixar cantando sem parar “I wanna see some naked duuuuuuuudes“, é uma música que eu não vou problematizar que te joga de volta ao cenário de “The Rock Show” (“She’s Out of Her Mind”), é “Bored to Death”, com um clipe numa escola por uma banda de caras com quase 50 anos.

Claro que eles não ficam parados no tempo, como mostram “Los Angeles” e “San Diego”, ou até “Cynical”, mas até essas músicas são facilmente palatáveis para fãs antigos procurando conforto e jovens tentando encontrar de onde veio aquilo que eles escutam hoje.

O que eles escutam hoje? A nova geração do pop punk.

Por favor, vamos ouvir California juntos e se abraçar:

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