36 discos de 2015 – parte 05

5secnds

Por Natasha Heinz

Como diria John Green: “I fell in love the way you fall asleep, slowly and then all at once”. Foi basicamente isso que aconteceu comigo em relação a 5 Seconds of Summer: da realização de que tinha algo ali quando ouvi “Try Hard” pela primeira vez até as palavras que vou escrever a seguir. Em Sounds Good Feels Good, segundo álbum do quarteto australiano, 5SOS soa como a melhor banda da Warped Tour de 2004 – só que eles nunca vão tocar na Warped Tour porque estão muito ocupados seguindo os passos do One Direction e conquistando países uma arena por vez (só na pre-order, esse álbum foi #1 em 50 países). Apesar de não gostarem de nenhum dos maiores rótulos dados pela imprensa – boyband de um lado, pop punk do outro -, acredito que eles (como todas as bandas que eu ouvi crescendo) são o que cada pessoa que ouve as músicas precisar que sejam. Isso é, de certa forma, consciente (e pop punk heheh). Para mim, eles são a produção do John Feldman que (re)conheço há anos, a participação extremamente marcante dos Madden Brothers (Good Charlotte) e músicas como “Fly Away”, “Safety Pin” e “Jet Black Heart”, além da meiguinha “San Francisco”, que teriam me marcado na adolescência e ainda encantam hoje. Se, de um lado, 5SOS não pode carregar a medalha do pop punk porque o som deles vai muito além do que qualquer banda marcante do gênero tentou ir, o título de boyband – que remete a algo genérico e criado pela mídia por dinheiro – também não cabe, porque eles têm um objetivo: dizer aos fãs que é normal você ser meio errado e tudo vai ficar ok, assim, de adolescente (eles têm entre 19 e 21 anos) para adolescente. Fica claro na escolha de singles de Sounds Good Feels Good: “She’s Kinda Hot”, um manifesto de outcasts (“they say we’re losers and we’re alright with that”) e “Hey Everybody!”, sobre como viver fora dos padrões da sociedade é muito mais legal do que trabalhar 9 to 5. Na mesma linha, está a minha música favorita: “Permanent Vacation”; co-escrita pelos Madden Brothers, ela lembra “Festival Song” (Good Charlotte) e “Longview” (Green Day) quando os três vocalistas (sim, rolam HARMONIAS) cantam em conjunto “hey, I’m doing fine and I know I’m out of line, so let’s sing this one more time. It goes, destination: permanent vacation”. Por fim, na música – ou melhor, nas músicas – que fecha o álbum “Outer Space/Carry On”, gravada na beira da praia, o frontman canta quase num sussurro: “we’re all going home and it won’t be long, you know it’s gonna get better”. Se o primeiro álbum do 5 Seconds of Summer soava meio genérico e já era incrível, esse, mais pessoal e ambicioso, mostra que essa banda ainda vai ir muito longe, só esperem. E, depois dessa babação de ovo toda, só me resta dizer: 5SOS, take my money, take my keys!

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Por Luis Felipe Abreu

“Qual é a música que se canta para os mortos?”, pergunta Sufjan Stevens logo na primeira faixa de Carrie & Lowell. É um início simbólico, já que todo disco se constrói como uma reflexão sobre o luto, deflagrada pela morte da mãe de Sufjan em 2012. Portadora de distúrbios mentais, Carrie abandonou o filho pouco após seu nascimento e só voltou à família cinco anos depois, quando casou-se com Lowell. O disco é uma reflexão sobre esse período de reconquista familiar, de férias no Oregon e autodescobertas – um enclave de felicidade encravado em meio a um continente de incompreensão, já que Carrie, quatro anos após seu retorno, desapareceu uma vez mais. Na tentativa de compreender a mãe, Sufjan compõe um conjunto de canções doloridas e singelas, uma reinvenção após o caleidoscópico Age of ADZ (2010). A sonoridade é etérea, com pouca instrumentação e muita atmosfera, retomando e forçando ao limite o folk de Seven Swans (2004). A voz de Sujfan aparece sempre em sussurros ou em falsete, prestes a esvanecer no ar ou se partir ao meio, emoldurada por violões dedilhados e pianos tímidos. Os quatro anos passados na companhia da mãe e do padrasto, com as férias solares e a sensação de ter uma família, dão a tônica ao disco como flashbacks em Super 8, intercalados a dúvidas e desolação. Da confusão de “Drawn to the Blodd” à ira de “No Shade in the Shadow of the Cross”, o repertório poetiza as fases do luto, culminando na aceitação em “Fourth of July”, quando Sufjan assume a voz da própria mãe – finalmente a entendendo – em um diálogo de leito de morte. “Should Have Know Better”, canção que resume todo disco, coroa esse acerto de contas. Discutindo a necessidade de sofrer com a perda para dela extrair algum sentido, Sufjan acaba por cunhar mesmo uma ode à vida. Seu irmão tem uma filha, ele canta, e a beleza que ela carrega em sua inocência é a redenção de todos os males.

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Por Tobias de Carvalho

Elza Soares está cuspindo fogo. 78 anos de pura energia, ironia e paixão. É possível que tenha sido em 2015, depois de muito atestar que a carne mais barata do mercado é a carne negra, que Elza resolveu lançar a sua obra-prima. E isso depois de 34 álbuns de estúdio. Sim, nós acompanhamos o nascimento de um clássico. É aqui que Elza resolveu denunciar violência doméstica e machismo (“Maria da Vila Matilde”), falar de uma travesti com uma “dupla caceta” (“Benedita”) ou simplesmente destilar erotismo (“Pra Fuder”). Ao se reunir com vários expoentes do cenário alternativo paulista (Romulo Fróes, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, todos da banda Passo Torto, além de alguns compositores solo e integrantes da Bixiga 70), que participam da composição da maioria das músicas do disco, Elza encontra sua passagem para a inovação. O auge do disco fica mesmo por conta da faixa-título. “A Mulher do Fim do Mundo” é o último grande statement da mulher brasileira.  O choro de Elza, como ela mesmo diz, não é nada além de carnaval. Por favor, que deixem ela cantar até o fim

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Por Gabriel Nonino

Ainda sendo meio que um Beatles sujo, voltando um pouco às origens de integrante do Oasis, mas seguindo na linha intimista solo do primeiro disco, Noel Gallagher faz um bom trabalho em Chasing Yesterday (2015). O segundo álbum da Noel Gallagher’s High Flying Birds não difere muito do primeiro, homônimo da banda (2011), tampouco decepciona: começa com um tom melancólico em “Riverside”; passa por seu inesgotável potencial de fabricar hits em “In The Heat Of The Moment” (onde rola até um nanana explosivo que empolga DEVERAS); flerta com a época do Oasis em “The Girl With the X-Ray Eyes”; e assim segue, confirmando a velha teoria de que o Oasis se resumia basicamente na capacidade do Noel de SEGURAR AS PONTAS (perdão, Liam). Os clamores para a volta da banda, inclusive, é produto muito mais de uma sensação lúdica do que de uma saudade do som (pelo menos pro MAD FOR IT aqui). Chasing Yesterday mostra, enfim, que o Noel saiu dos ombros dos gigantes pra voar muito alto com seus pássaros. (sinceras dsclpas pelo trocadilho, glr).

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Por Nana Soares

Pra quem não sabe, Silva é o Justin Timberlake brasileiro (príncipe do pop). Esse ano, ele lançou seu terceiro álbum de estúdio (ouça aqui) que, assim como os dois anteriores, é uma delícia de ouvir. O som tá mais calmo e segue aquela linha do pop com umas ~~batidas eletrônicas. Reparem também nas letras: são lindas e pra todas as situações: tem pra quem tá superando o ex, pra quem tá muito apaixonado, pra quem quer mandar um recadinho pros parente reaça. Tudo com aquela voz suave de quem tá sussurrando na sua orelha que só o Silva tem. O single atual é “Júpiter”, que é uma música bem legal e que trouxe o Silva dançandinho no clipe ❤ ❤ Destaque supra-sumo do álbum fica para “Se ela voltar” e “Feliz e Ponto”. E vou parar por aqui, porque se não eu listo todas as faixas. Até porque, mais uma vez, Silva fez um álbum super coeso e que dá vontade de ouvir inteirinho. O moço, pra quem não conhece, é um multi-instrumentista e que começou a carreira na Igreja #KatyPerry. É um lindo e tímido, já fez participações incríveis com outros músicos do Brasil e tá sendo elogiado por todo mundo. Se quiser conhecer melhor, ouça também o álbum “Vista pro mar” e veja os covers de Marisa Monte que ele fez recentemente. É difícil não se apaixonar. Tá curtinho, tá sucesso, tá amor, tá pop nacional de qualidade.

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Por André Araujo

Kurt Vile tem singrado a década de 10 tal como a sombra magrela e cabeluda que é, dedilhando na sua jazz master a mais apropriada trilha sonora desses belos e desesperados anos que somos obrigados a enfrentar. Depois de Smoke Ring For My Halo (2011) e Wakin’ Up in a Pretty Daze (2013), dois grandes discos que ajudaram a sedimentar as bases estéticas do já célebre popsicofolk da Philadelphia (pensem em The War On Drugs, banda que Vile fundou junto ao Adam Granduciel e largou logo antes da banda virar a nossa vedete preferida em momentos de doce melancolia ou dolorida ansiedade), KV lançou agora em 2015 o mais frontalmente pop e palatável disco de sua incrível carreira: B’live I’m Goin Down. Seguindo a tendência de ser um exímio titulador para discos, cujo trocadilhismo irei deixar para cada um se deleitar no deciframento, B’live I’m Goin Down já abre os trabalhos com a maior música pop de 2015 (Blank Space é de 2014?), um hino à síndrome de personalidade dissociativa que KV estetiza de maneira tão doce, sutil e engraçada que só aqueles que sofrem as dores da psicopatologia poderiam fazer. Poderíamos até pensar que KV se junta a Elliot Smith e Daniel Johnston na linhagem (ainda em construção) do PPP – pop psico-patológico. Pelas minhas contas, não há uma canção do disco que não faça referência, explícita ou metafórica, a algum tipo de distúrbio mental, desde as múltiplas personalidades de “Pretty Pimpin”, ao discurso embolado fruto de anti-psicóticos em “Wheelhouse”, à sua FUNKY PSYCHOSIS em “Lost My Head There”. Com umas guitarras cada vez mais setentistas à la Neil Young e Bruce Springsteen, Kurt Vile não se deixa levar pelo estereótipo tough-but-emotional-white-man-with-a-guitar-and-a-bag-full-of-feelings e prefere se afirmar como o carinha estranho no fundo da sala com as mãos enterradas nos bolsos que não fala com ninguém até porque nunca tira os fones de ouvido. Grande disco pra quando a gente tá triste, feliz ou precisa dar uma dançadinha – mas sempre com aquela nossa estranheza e bizarrice que só as paredes de nosso quarto às 4 da manhã conhecem. Kurt Vile é seu amigo e o ano de 2015 dele também foi difícil, mas ele tá aqui pra te ajudar.

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Você também pode ler as partes 1 a 4, aqui, aqui, aqui e aqui.

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