36 discos de 2015 – parte 04

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Por Rafael Freitas Duarte

Apesar de separados por pouco mais de um ano e meio, já na faixa-título que abre A Head Full Of Dreams, o Coldplay nos faz esquecer imediatamente do sonolento e pouco memorável Ghost Stories (2014). O novo disco do quarteto londrino tem muito mais em comum com os anteriores Viva La Vida (2008) e Mylo Xyloto (2011), herdando deles a grande escala, os corais e incansáveis “oooohs”. Há muito mais para se apreciar no novo álbum, no entanto. A banda, como já vem fazendo ao longo dos últimos anos, experimenta com diferentes gêneros, do indie pop (“Birds”), passando pelo disco (“Adventure Of A Lifetime”) até o R&B (“Hymn For The Weekend” e a pitoresca “X Marks The Spot”). O baixo de Guy Berryman nunca brilhou tanto e a produção de Stargate introduz novos elementos sem ser invasiva. Por vezes não muito coeso, A Head Full Of Dreams é o trabalho menos pretensioso da banda em anos. Não há nenhum grande tema como vida, morte e revolução (Viva La Vida) ou combate a sistemas opressores (Mylo Xyloto) e isso é ótimo! Há um vago conceito de celebração da vida por trás das letras de Chris Martin aqui e ali, evidenciado principalmente na linda balada “Amazing Day” e no encerramento gospel de “Up&Up”. No fim, esse é o som de uma banda livre que parece estar se divertindo muito com a sua posição de gigantes do pop. Não é uma obra-prima nem o melhor trabalho do grupo, mas é uma adição respeitável a uma discografia que, no 7º  album, começa a ficar extensa.

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Por Vinícius Perez 

Drake, Kendrick Lamar, Bjork, Tame Impala: todo mundo lançou disco novo esse ano. Eu não ouvi nada. Se ouvi o To Pimp a Butterfly inteiro mais de três vezes foi muito. O único CD (pode falar CD? Tenho vergonha de falar “álbum”) que ouvi mais foi o I Love You, Honeybear do Father John Misty (que, no fim, ficou mais famoso pela versão Velvet Underground de “Blank Space” da Taylor Swift). Mais do mesmo do disco anterior, não sei se ouvi porque é bom ou porque eram as únicas músicas no meu celular. Por osmose ou não, passei o ano cantarolando “When You Smile and Stride Me”, uma linda canção de amor onde J. TIllman acaba fazendo o about me de Tinder definitivo para nossa geração: “You see me as I am, it’s true/ Aimless, fake drifter, and the horny manchild momma’s boy to boot”.

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Por Jacqueline Dal Bosco

Imagine uma pessoa que você (eu), na sua adolescência, seguia no Tumblr e no Twitter. Uma pessoa que, como você, era fangirl com orgulho de One Direction e descobria o feminismo naquela época. Imagine que ela cresceu assim como você: cada vez mais feministona, mais fã do One Direction e descobriu os boys e as bads. Só que, diferente de você (de mim), ela tem talento, um maxilar mais bem estruturado que a sua vida, lançou umas músicas, fez sucesso, lançou um EP chamado Room 93 e, um tempinho depois, lançou um álbum. Essa é a Halsey. HALSEY é um anagrama do nome dela, Ashley, e o nome de uma rua no Brooklyn. Antes de falar do álbum em si, vou falar dela só mais um pouco porque ela é muito relatable. Halsey é libriana e, como todo libriano – e por que não dizer todos nós -, tem a balança desequilibrada. Ela se define bastante pela dualidade, sendo birracial, bipolar e bissexual. BADLANDS é um álbum conceitual e eu amo álbuns conceituais, especialmente porque sempre acho que todos podem virar musicais, mas nesse caso cada música pode ser curtida individualmente. A história do disco se situa em uma sociedade distópica com elementos visuais (muito presentes no clipe de “Ghost”) inspirados em The Fifth Element e Blade Runner e um estilo musical definido por terceiros como Pop Indie. Na imaginação dela, essa sociedade é cercada por um deserto que deixa os cidadãos presos naquele lugar colorido e caótico. Conforme ia escrevendo o álbum e enchendo as paredes da casa de desenhos desse lugar, Halsey percebeu que estava escrevendo sobre seu estado mental e emocional. O álbum começa com “Castle” (“There’s an old man sitting on the throne that’s saying I should probably keep my pretty mouth shut”), no meio tem “Colors” (“You were red and you liked me because I was blue. You touched me and suddenly I was alilac sky, and you decided purple just wasn’t for you”) e a penúltima música é “Control” (“Goddamn right, you should be scared of me”) – ela é uma BADASS. Como disse a Halsey, que depois dos shows faz um meet & greet de graça para os fãs, sobre Badlands e sobre ela mesma: “Meu objetivo final é encorajar as pessoas a ser orgulharem de quem elas são. Se eu estar confiante e segura o suficiente para falar sobre minha bissexualidade, sobre meu transtorno bipolar, ajuda alguém a ser confiante o suficiente para falar sobre ter ansiedade social ou para alguém falar sobre ser parte de qualquer minoria, se isso ajuda alguém que sente que será julgado e castigado por ser quem é, se os ajuda a falar, então é isso que eu quero.” Eu amo a Halsey. Badlands é meu álbum do ano. Vocês também deveriam amar a Halsey e Badlands deveria estar nas suas playlists mais especiais.

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themaine

Por Gabriela Cavalheiro

Lembra de 2007? Na época em que ainda era legal usar cinto de rebites, franja na cara e all star decorado com letras de música? Lembra que tinha uma orda de bandas que cantavam sobre fins de namoros e fugir de casa que foram apelidadas como “emos” (mesmo elas não necessariamente tocando emo)? Foi nesse contexto que surgiu o primeiro EP do The Maine. Oito anos se passaram e eles continuam aí, só que agora sem acne, sem cabelo na cara e, principalmente, soando como homenzinhos maduros. Tudo bem que o amadurecimento deles já vem se mostrando mais perceptível há pelo menos dois álbuns, mas American Candy foi como o ápice e chega a dar um orgulhinho. E esse álbum foi tão intenso que eu até esqueci que ele foi lançado esse ano. A sensação que eu tenho é que essas músicas estão presentes na minha vida há séculos e que elas se adaptam perfeitamente na vida de qualquer pessoa jovenzinha, com assuntos sobre viagem (“Miles Away”), “meu corpo-minhas regras” (“My Hair”), “não sei o que tô fazendo com a minha vida” (“Un)Lost”) e migos (“Another Night on Mars”). É o tipo de álbum que inspira uma jornada de self-discovery, além de render várias quotes estilo tumblr.

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nightwish

Por Louisiane Cardoso

O Nightwish era uma banda que eu já não acompanhava mais as novidades desde da saída da Tarja Turunen em 2005. Sou daquelas que tomou as dores de uma parte e achei a atitude totalmente anti-profissional da outra. Anos passados, novamente uma vocalista é convidada a se retirar e uma nova moça entra para assumir os líricos das músicas. Eu nem daria atenção, se esta nova moça não fosse ninguém menos que Floor Jansen. Quando fiquei sabendo, logo achei que era o casamento perfeito entre as duas parcerias. Ela, ex-vocalista do After Forever que estava trabalhando com a ReVamp, foi a melhor escolha que o Nightwish poderia ter tomado. Floor já era adepta do vocal lírico e a sua interpretação às músicas antigas da banda ficaram maravilhosas. Tanto que me fez voltar a gostar do grupo. Neste ano, o Nightwish lançou o Endless Forms Most Beautiful, seu oitavo álbum e o primeio oficialmente com Floor nos vocais, e senti que as músicas e o espírito do conjunto nunca estiveram tão renovados. O som não ficou parecendo um resgaste do passado nem uma ousadia exagerada em tentar algo novo. Nightwish não perdeu a sua essência e ressurgiu das cinzas muito bem acompanhado não só da Floor, mas também com a integração do multi-instrumentista Troy Donockley. “Shudder Before The Beautiful” começa com uma rápida introdução e é uma música forte com orquestra que toca o tempo todo. E ah, tem um coral que deixa tudo mais perfeito. As próximas músicas tão marcantes quanto esta são “Weak Fantasy”, “Your Is An Empty Hope” e “Endless Forms Most Beautiful”. Todas com Floor mostrando que veio para ficar (espero eu), que tem um potencial muito bom e inesquecível para os fãs do metal melódico. O resto do álbum não fica devendo, com as baladas como “Élan” e “Our Decades In The Sun”. “My Walden” tem uma pegada bem viking e folk e é ideal para uma festa regada a cerveja. A minha última preferida é “Alpenglow”, que não é tão pesada quanto o início, mas é muito doce e querida para os fãs. Apenas digo que a nova fase do Nightwish está de PARABÉNS!

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Por Jennifer Baptista

Lançado no último dia 04, o debut de Troye Sivan era o disco que a gente precisava pra fechar o ano. Embora já se conhecesse praticamente metade das músicas antes do lançamento graças ao EP WILD, o “spoiler” não estragou essa bela obra de arte. Se home is just a room full of my safest sounds, de certa forma, o Blue Neighbourhood feels like home. Em um trabalho extremamente biográfico, Troye canta os medos, dramas, ansiedades e sentimentos de um garoto de vinte anos. Nós todos temos nossa própria blue neighbourhood, então não é difícil assimilar e se colocar no lugar dele. O pop embalado a batidas eletrônicas casa perfeitamente com a voz calma do australiano e eu poderia tranquilamente ouvir o disco repetidas vezes – e sem enjoar. Liricamente falando, o álbum tem passagens brilhantes, destaque pra “HEAVEN”, que traz as seguintes linhas sobre deixar de ser quem se é pra alcançar um “paraíso”: “Without losing a piece of me, how do I get to heaven? Without changing a part of me, how do I get to heaven? […] So if I’m losing a piece of me, maybe I don’t want heaven”. Troye veio do YouTube pra arruinar nossas vidas e I never knew love could hurt this good. Mais do que tudo, Blue Neighbourhood é um registro da juventude, a truth so loud you can’t ignore, como ele canta lindamente em “YOUTH”. Adele, Sam Smith, The Guardian, a internet e eu já declaramos nosso amor por Troye Sivan, agora só falta você se apaixonar também. Faixas favoritas: “TALK ME DOWN”, “YOUTH”,  “WILD”“SUBURBIA” (“LOST BOY” e “for him.” são tão lindas também).

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Partes 01, 02 e 03, caso você tenha caído nesse post de paraquedas.

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