36 discos de 2015 – parte 03

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Por Bruno Louzada

Em um ano com tanta música de qualidade e tantos álbuns impecáveis, até dois meses atrás eu nunca imaginaria que o “meu álbum de 2015” viria da canadense Claire Boucher, mais conhecida como Grimes. Sempre impliquei com a Grimes. Não via o appeal que muitos viam nos seus dois primeiros álbuns (Geidi Primes e Halfaxa, 2010) e pouco mais da metade do Visions (2012), seu terceiro álbum, realmente me cativou. Mesmo reconhecendo que seu trabalho se destacava em meio às outras cantoras da cena indie-pop, tinha algo faltando nela que me conquistasse por inteiro. Esse algo era Art AngelsO álbum mais pop da cantora até hoje mostra uma total mudança de direção sonora, fazendo quase uma homenagem ao pop mainstream que a própria diz amar. Inclusive, em um mundo onde Max Martin e seus discípulos comandam toda musica pop produzida, Grimes costura uma obra muito mais interessante, pessoal e inovadora do que qualquer coisa que se ouve no rádio desde que a Lady Gaga ainda fazia nosso sangue ferver (não porque ela é hipster, tumblr ou cool, e sim porque os refrões são mais contagiantes, dão mais vontade de dançar e são simplesmente de uma qualidade superior). Art Angels é uma mistura que dá certo sem esforço algum. Em faixas como “California”, “REALiTi” e “Flesh Without Blood”, Grimes  visita o pop sem perder sua essência, mostrando pra qualquer hitmaker dos dias de hoje que é tão (ou bem provavelmente mais) talentosa quanto eles. Passa pelo hip hop em “Scream” com a rapper taiwanesa Aristophanes, chegando em musicas que abordam relacionamentos amorosos, as quais me tocaram de uma maneira surpreendente, como “Easily” e “Pin”. O álbum chega ao seu ápice nas faixas “Venus Fly” com a cantora Janelle Monáe e “Kill V. Maim”, onde a cantora explode em um refrão que mistura o synth-pop com a vibe oitentista de uma “Mickey” repaginada. Por fim, o álbum fecha com “Butterfly”, em que a cantora resume sua jornada ao criar essa grande mistura de harmonias com a frase “I’ll never be your dream girl”; Grimes é incrível e genial, mas nunca vai nos dar o que esperamos, então resta a nós aproveitarmos essa grande aventura que é sua carreira.

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Por Ju Moreira

Quando eu ouvia as palavras “álbum novo do Justin Bieber” uns anos atrás, minha reação era completamente indiferente. Sabe quando tu acha o artista tão chato que nem vale a pena odiar? Mas cara, todos nós já fomos pré-adolescentes com vozes irritantes e tudo o que a gente quer hoje é esquecer desse tempo. Give Justin a chance. Então eu ouvi, viciei e agora faço essa dancinha aí de baixo na noite, no trabalho, no ônibus, no mercado. Foi difícil definir os destaques do álbum, porque ele tem 18 fucking músicas (fica meu apelo: chega de álbuns com mais de 12!). Mas o que bateu forte aqui, além dos singles “Sorry”, melhor pedido de desculpas ever, e “What Do You Mean?”, música destinada a todos os librianos do planeta, foram: “Love Yourself”, escrita pelo Ed Sheeran com uma letra maravilhosa pra mandar pro ex; “Company”, cujo refrão grudou na cabeça; e “The Feeling”, um dueto com a Halsey fofo e catchy. E, se tu não te convenceu a ouvir o álbum todo, faça o favor de pelo menos decorar a coreografia de “Sorry” pra fingir na balada que conhece, tá?

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Por Vine Nunes

Admito que nunca tinha ouvido falar de Abel Tesfaye, o mentor por trás da grande surpresa (?) musical de 2015 para este que vos escreve. Algo nele me remeteu de prima ao Michael Jackson. BOH! Quem em 2015 conseguiria algo tão distinto e matador? Ao longo das 14 faixas do álbum, ele transcende o tom soturno, algo como se te convidasse a adentrar a sua caverna e curtir a vibe do lugar. E que vibe! É música pop de qualidade, trazendo a batida do hip hop + o swingue do r&b. Como toda grande obra, ele trouxe convidados de peso: Lana Del Ray em “Prisoner”, Ed Sheeran em “Dark Times” e a participação de Kanye West em “Tell Your Friends” – oh, god! E, claro, todo álbum pop que se preste tem hits – e aqui o canadense Tesfaye metralha tudo e todos. Destaque para a já mais que tocada “Can’t Feel My Face” (minha preferida, ninguém sai),”The Hills” (uma bela música para dar aquele beijo na boca demorado), além da música que é trilha de 50 Tons de Cinza – “Earned It” -, outra bela obra que realmente o trouxe junto aos “grandes”. Não temos o grande destaque em si, pois o álbum é recheado de grandes composições, muitas delas em tom confessional. Há o destaque para “Often” e “Real Life”, canções que casam muito bem com as demais do disco. 2015 foi do pop de novo. Novidade? Sim. E ela vem com o nome de The Weeknd.

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Por Leonardo Baldessareli

Em julho de 2014, o Death Grips postou uma carta anunciando o fim do trio. A notícia chegou enquanto todo mundo esperava por The Powers That B, disco duplo já anunciado e que seria o terceiro de estúdio dos caras. A promessa era que o lançamento rolasse em duas partes, com os CDs chegando separados. O primeiro, “Niggas on the Moon”, saiu em 8 de junho com samples da voz de Bjork (!) em todas as músicas, e, quando a banda anunciou seu fim a galera se ligou que a segunda parte, “Jenny Death”, poderia sair a qualquer momento, já que simplesmente soltar um CD do nada é a ação padrão deles. É aí que começa o fenômeno The Powers That B. O Death Grips fica naquela fronteira entre meme e música. Tem gente que leva a sério o som experimental dos caras e tem gente que acha que eles bombam só porque são inusitados e a galera do 4chan ama eles. E é óbvio que é por causa das duas coisas, que sem o som não existiria o buzz e que o chan faz muito mais gente conhecer a banda. The Powers That B saiu desse vulcão de boatos e mais boatos. Qualquer post da banda rendia mil discussões e análises, mesmo tendo nada a ver com o disco. De algum jeito, alguém inventava uma teoria que resultava numa possível data de lançamento. E todo mundo ficou louco de vez quando eles soltaram “Fashion Week”, disco instrumental em que o nome de cada música era uma letra e elas juntas formavam: J E N N Y D E A T H W H E N. Era uma referência ao vídeo do vlogger musical Anthony Fantano, famoso por ser fã da banda (sim, isso mesmo), em que, irritado com o atraso do lançamento, grita para a câmera: “JENNY DEATH WHEN?”. O nome do álbum instrumental e o fato da capa registrar um local em Londres deram vida a uma teoria mais firme: “Jenny Death” sairia em 20 de fevereiro, data de abertura da London Fashion Week. Mas foi mais uma trip dos fãs que não aconteceu. Em 12 de março, a banda enfim divulgou a faixa “On GP” e anunciou o lançamento de The Powers That B para o fim do mês. E “On GP” foi um tiro, algo inexplicável, misturando nü metal, hardcore, riffs épicos de rock de arena e os versos desesperados de MC Ride, que canta sobre o fato de que pessoas se importarem com ele é o que o impede de se matar. O álbum chegou com muitos sons incríveis, a ode à feiura em “I Break Mirrors With My Face In The United States”, a persona do rapper arrogante na faixa-título, o vício extremo em “Beyond Alive” e a provocação à ex-gravadora Epic em “Why A Bitch Gotta Lie”. Tudo temperado com sons experimentais e grandes riffs, algo inédito na vibe dos caras. Um disco de outro mundo, superando todas as expectativas. Mais do que isso, uma ótima experiência e um exemplo da força das comunidades na internet e de como artistas podem se aproveitar disso. No fim, a banda não só “deixou de acabar” como anunciou um álbum novo para breve, “Bottomless Pit”. E qual o principal comentário da galera? BOTTOMLESS PIT WHEN?

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Por Ingrid Flores

Se eu pudesse contar sobre a primeira vez em que ouvi “Here”da Alessia Cara, seria o começo perfeito pra esse texto. Mas não, eu não lembro claramente. (Fuén.) Entretanto, sei que nessa tal ocasião enviei imediatamente a música pra um amigo que só tem boas referências sonoras. Aquele maravilhoso que só mostra som bom de verdade e pra quem a gente corre pra se exibir quando descobre algo legal também. Aquele, sabe? Então. Ele teve a mesma reação que eu: se encantou. A gente não imaginava, porém, que aquela moça da voz levemente rouca naquela música pesada era, na verdade, uma menina de 18 anos (com carinha e jeitinho de 15, diga-se de passagem). Quando ela lançou Four Pink Walls, em agosto, devorei cada uma das cinco faixas. Sob a orientação do produtor, Alessia compôs (direto no estúdio) sobre o que vive mesmo – das novidades da vida de artista às descobertas amorosas. Um sopro de fofura numa indústria que força a opulência goela/tímpanos abaixo, né?! O EP rendeu e a fofíssima está dando o que falar lá fora. (Dividir o palco com a Taylor Swift? Significa.) Confesso: estou torcendo pra que tooodo mundo conheça o som dela por aqui também. Quer começar? Ouve esse EP, que tá bonito.

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Por Daniele Rodrigues

A musicalidade da cantora é algo que chama a atenção para quem ainda não conhecia os trabalhos anteriores em que ela esteve envolvida – como suas performances no teatro, suas contribuições para o audiovisual e obviamente a manufatura da banda homônima , que se extinguiu em 2012. Em Ava Patrya Yndia Yracema, pode se dizer que em todas as faixas há uma vontade súbita de pegar pela mão e se levar para dançar.  Seja com o coração saltitante ou dilacerado, Ava se traveste de diversas mulheres e assim representa todas de maneira natural sem cair no clichê “puta x santa”. Por diversas vezes, suas músicas remetem à composição e sonoridade de Karina Buhr, que faz uma música considerada “feminista” e que teve em seu último álbum (Selvática) uma grande repercussão devido a arte da capa ser um tanto ~transgressora~ . A semelhança se dá talvez pelo atual momento político pautado na discussão sobre a importância e o empoderamento  da mulher no cenário mundial. E assim, em 2015, com seu álbum estréia, Ava Rocha magistralmente dá voz a todas as mulheres.

Relembrando: parte 01 e parte 02.

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