36 discos de 2015 – parte 02

jamiexx

Por Roberta Reis

Jamie XX é o terceiro membro do The XX. A dupla de vocais é certamente mais popular, mas ele que é o responsável por todas aqueles sons gostosos delícia que transformam os álbuns do XX em fuck music. Sem fugir do que faz com a banda, Jamie transita por faixas mais experimentais, outras mais comerciais, aquele hip hop coisa linda em “I Know There’s Gonna Be (Good Times)” – a música que me conquistou e chamou pra ouvir o restante do álbum. “Sleep Sound”, pra mim uma das mais incríveis, tem também um dos meus clipes preferidos do ano, com a participação de deficientes auditivos dançando a partir das vibrações da música (confesso que lacrimejei ;~). PS: dizem que a professora que os acompanha no clipe é namorada de Jamie. Para quem sente falta dos vocais de Romy acompanhando, há duas participação da voz mais doce e, ao mesmo tempo, sexy. Aqueles discos que não é pra entender, é pra SENTIR.

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Por Renata Carolina

Se 2015 não é o ano da Demi Lovato, não sei de quem mais pode ser. A cantora/atriz/modelo resolveu mostrar ao mundo quem ela realmente é como artista e, mais do que isso, provar que tem uma voz digna de receber aplausos de pé. O álbum Confident mistura um pouco de tudo que eu adoro na Demi: baladas profundas e cheias de emoção e hits dançantes pra bater o cabelo. “Confident” e “Cool For The Summer” abrem o álbum de um jeito animado. As duas músicas viraram single, ganharam clipes superproduzidos e estouraram nas rádios, mas ainda não demonstravam todo potencial da Demi. Depois das duas faixas de abertura, o álbum começa a ganhar força e muito mais personalidade. “Old Ways” enterra a velha Demi (amém) e “For You” dá o tom da nova: QUE VOZ, SENHORES. Essa é a faixa pela qual eu daria um dedo para ter a oportunidade de ouvir ao vivo. Já temos uma preferida aqui. “Stone Cold” é a mãe das baladas profundas, certamente. A letra é impecável, a melodia é confortante e a voz da Demi nunca pareceu tão poderosa. Perfeita para aqueles dias em que tudo parece fazer absolutamente nenhum sentido na vida amorosa. Depois de chorar muito, vem a sequência de músicas com featuring do álbum: Iggy Azalea e Sirah acrescentam um pouco de hip hop ao som mais pop da Demi. As duas músicas se parecem um pouco, não são surpreendentes, mas são boas alternativas pra dar uma agitada em qualquer festa por aí. Assim como “Yes” e “Stars”. “Wildfire” é a música mais morna do CD. É aquela faixa que dá pra pular sem pena – e faça o mesmo ao chegar em “Mr. Hughes”. Pra compensar, “Lionheart” e “Father” completam a lista das sad songs perfeitas para serem cantadas aos prantos no chuveiro. Depois de pouquíssimos pontos negativos, eu afirmo com muita facilidade que esse CD tem tudo pra resultar na melhor turnê da vida da Demi. E eu não perderei por nada.

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Demi-Chorando

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Por Jamer Guterres Mello

O melhor álbum de 2015 já está escalado e é praticamente uma unanimidade. É preciso entregar a coroa a Kendrick Lamar pelo maravilhoso To Pimp a Butterfly. Não há concorrente a altura, é um disco realmente fantástico. Mas aqui farei um pequeno esforço em deixá-lo de lado. Confesso que escutei pouca coisa em 2015, mas o ano é muito bom. O ótimo álbum de estreia do Algiers, novidade bacana da Matador, o maravilhoso retorno do Sleater-Kinney, um New Order ainda em forma (mesmo sem Peter Hook) ou o excelente retrô anos 1960 do texano Leon Bridges poderiam muito bem figurar o topo da lista de melhores do ano. Mas o espaço aqui fica reservado para Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, segundo álbum da australiana Courtney Barnett. A moça é dona de um conjunto de elementos que nos remetem ao indie-rock do século passado: nome de primeira dama grunge, som que  lembra o Pavement (às vezes PJ Harvey fase Dry), visual sujo e desleixado e letras que expressam desconforto e inadequação. Mas engana-se quem pensa que se trata apenas de um revival do rock independente dos anos 1990. Courtney Barnett é bem mais que isso, tem personalidade e autenticidade que a afastam das bandas indie pasteurizadas dos anos 2000. Tem ainda uma bela peculiaridade em sua forma de cantar e entonar os fonemas que em certos momentos lembra Fiona Apple. Mas já que eu ocupei metade do espaço citando outros álbuns de 2015, fica apenas a indicação: ouça o disco de Courtney Barnett e depois me diga se não é difícil sair por aí sem os riffs grudentos das guitarras martelando agradavelmente na sua cabeça. A lição é a de que às vezes é possível voltar aos anos 1990 com um artista contemporâneo e bastante autêntico, ainda que imerso em todo o universo hipster que nos cerca.

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Por Aline Bernardes

Depois de dois discos meia boca – Hard Cardy e MDNA –, Madonna veio com tudo em 2015 e lançou o maravilhoso Rebel Heart. Dá até para dizer que em vez de um, foram lançados três discos, já que teve versão standard, deluxe e super deluxe, resultando em 25 preciosas canções inéditas. O álbum tem um pouco de tudo aquilo que costuma aparecer nas canções da cantora ao longo desses mais de 30 anos de carreira, tanto que algumas músicas lembram bastante a vibe de discos anteriores. Mas dentre tantas, destaco o pop chiclete/bom de dançar na balada de “Bitch I’m Madonna”, cujas participações especiais no clipe me causaram vergonha alheia. Na genial “Veni Vidi Vici”; Madonna faz várias menções à própria carreira e, sem prestar a devida atenção você nem notaria, mas estão ali versos como I expressed myself, came like a virgin down the aisle”. Acho que Madonna já está numa fase em que pode fazer auto referência sem ficar feio. Contudo, pra mim, a melhor entre todas é a canção-título do disco. Quem conhece um pouquinho da trajetória da Madonna percebe que a letra é bem autobiográfica e, se bobear, se identifica também com o “coração rebelde” dela (como eu!).  Esse disco é a prova viva de que, aos 57 anos, Madonna ainda é capaz de surpreender produzindo excelentes canções inéditas – nada de ficar cantando antigos sucessos pro resto da vida. Vida longa à rainha do pop! ♥  

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Por Arthur Nonnig

Maravilhas da Vida Moderna veio ao mundo pra passear. Não como um álbum sem razão, mas com o único propósito de aproveitar o passeio. Se somos todos feitos de poeira astral, talvez a quantidade de sal realmente não importe tanto assim. A Dingo Bells lançou, em 2015, o seu primeiro registro de estúdio, apresentando canções tranquilas, de versos fáceis e temáticas existenciais. Em músicas como contos – “Maria Certeza” e “Funcionário do Mês” -, o trio, formado por Rodrigo Fischmann (voz, bateria e percussão), Diogo Brochmann (Voz, guitarra e teclados) e Felipe Kautz (voz, baixo), aborda temas comuns para quem vive no mistério dos 30. Estruturado com equilíbrio contínuo de versos e arranjos, o álbum – financiado por fãs através do Catarse – entrega uma identidade formada de uma banda ainda jovem em projetos. Apenas perfeito para escutar quando o céu de desabar.

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Por Rodrigo Ferreira

De tempos em tempos, num fenômeno raro, um intérprete alça sua versão ao mesmo nível da obra original – às vezes, até mais alto. Parece ser o caso de 1989, de Ryan Adams, que, assim como Marx fez com a dialética hegeliana, virou o álbum de Taylor Swift de pernas pro ar (ou como disse o próprio Adams: levou o disco para um universo paralelo). Esse 1989 tem, de fora a fora, uma marcada influência springsteeneana, com destaque para “Shake it Off” e para a duplinha sexy sem ser vulgar “Style” e “I Know Places”. Das reinvenções que amplificam algumas emoções latentes, impossível não citar “Blank Space” que, com seu violãozinho dedilhado, é uma bomba de melancolia no coração. E, se as alterações nas letras e a mudança no gênero do ~~eu-lírico abriram espaço para críticas e controvérsia, o trem do hype não se importou muito: dizem que 1989 tinha chances de ser o primeiro álbum a ser indicado ao Grammy por dois artistas diferentes – não rolou. Certamente já é o primeiro a aparecer dois anos seguidos na lista de melhores do 36 (atestado da competência da Taylor). Como diria a própria Taylor:

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Parte 01 aqui!!!

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