36 discos* de 2015 – parte 01

Chegou o fim do ano!!!!

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Por Carina Schröder

Tal qual uma mãe que gosta de mostrar pros amigos todos os desenhos que o filho faz, venho aqui mais uma vez falar sobre um álbum do Death Cab. Já posso começar dizendo que eu estou bem ciente que o Kintsugi não é nem mesmo o melhor álbum do Death Cab, e é isso mesmo que faz ele interessante. HEAR ME OUT: o último (e agora, no caso, penúltimo) álbum do DCFC, Codes&Keys, é um álbum legal, mas, seguinte, ele é um álbum otimista e, vamos ser honestos, não é por isso que alguém quer ouvir a banda. Rotulada pela famigerada palavra “emo”, estamos acostumados buscar estes álbuns como uma forma de conforto. E é isso que o Kintsugi nos devolve. Conforto. Um álbum que muito claramente fala sobre términos – Ben recentemente havia passado por um divórcio e Chris Walla, guitarrista e ~~membro fundador~~ do Death Cab, deu adeus a seus companheiros de banda para TRILHAR NOVOS CAMINHOS -, Kintsugi marca a volta do Death Cab triste, deprê, inconformado, mas ao mesmo tempo melódico e dançante nos momentos certos. “I don’t know where to begin”, canta Ben na primeira frase da primeira música do álbum, mas creio que ele começa da melhor forma possível, com “No Room In Frame”, uma música que marca a primeira de muitas fases do ciclo “término”. O álbum fecha com, particularmente, uma das minhas músicas preferidas, “Binary Sea”, uma música sobre recomeços e novas esperanças que termina com a frase “So lean in close or lend an ear, there’s something brilliant bound to happen here”, fechando o ciclo deste álbum cheio de altos e baixos, mas completo da sua maneira. Fazendo jus à arte japonesa de reparar cerâmica que dá nome ao álbum, Kintsugi, as músicas te quebram em pedacinhos apenas para te colar de volta e fazer de você uma::: obra de arte.

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Por Cindy da Rosa

O ano de 2015 foi infeliz para fãs do One Direction: foi o ano em que Zayn saiu e, consequentemente, foi o ano em que a banda decidiu entrar em hiato por tempo indeterminado. Mas também foi o ano em que One Direction nos deu Made in the A.M., como que para se redimir. MITAM é o quinto álbum da banda e o primeiro a receber quatro estrelas tanto da Billboard quanto da Rolling Stone (mais do que Adele conquistou com “21”), prova de que a banda merece reconhecimento fora do mundo teen. O álbum começa com “Hey Angel”, uma balada digna de U2, e termina com “History”, uma carta de amor para os fãs, afirmando que esse não é o fim, meio Toy Story “You’ve Got a Friend In Me”. No meio tem baladas monumentais como “If I Could Fly” e “Love You, Goodbye”, e as mais surpreendentes “Never Enough” e “End of the Day”. O álbum em si não é o meu favorito (oi, Four), mas é inegável que é o melhor que a banda já fez. A cada ano, eles ganham mais confiança e mais liberdade para criar suas músicas, e isso fica visível através dos álbuns. Midnight Memories foi a introdução, Four foi a evolução, e Made in the A.M. é o resultado de cinco anos buscando aprimorar o som. Nenhuma outra boyband se atreveu a fazer música como One Direction fez nesse álbum. Nenhuma outra boyband evoluiu e amadureceu o processo criativo como eles fizeram. Nem os gigantes como Backstreet Boys e ‘N Sync chegaram onde One Direction chegou. E, ao escutar esse álbum, torna-se evidente que eles reinventaram o que é ser uma boyband da melhor maneira possível. Se esse for mesmo o fim, One Direction honrou seu compromisso com os fãs e se despediram da melhor maneira possível.

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Por Cleber Facchi

Se, em 2012, Kevin Parker buscou inspiração nos trabalhos de Britney Spears para produzir as canções de Lonerism, segundo álbum de estúdio do Tame Impala, em Currents (2015), terceiro registro de inéditas da banda australiana, grande parte das referências apontam para a boa fase de Michael Jackson. Entre batidas lentas, solos de guitarras sedutores e vozes delicadamente posicionadas, Parker e os parceiros de banda deixam de lado a psicodelia empoeirada dos anos 1970 para investir em elementos típicos do R&B. São pouco mais de 50 minutos em que vozes sobrepostas e sintetizadores parecem cercar o ouvinte, detalhando uma seleção de faixas essencialmente acessíveis como “The Less I Know the Better”, “Eventually” e “Cause I’m a Man”. Uma coleção de acertos que tem início ainda na capa do registro – trabalho do artista gráfico Robert Beatty -, e segue até o último suspiro de “New Person, Same Old Mistakes”, faixa de encerramento da obra. Um disco que já nasceu clássico.

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Por Paulo Stolben

Depois de nos trazer um cd popzão de balada cheio de indiretas que poderíamos usar para os boys/minas lixo de nossa vida, Marina volta a fazer música do jeito que ela gosta: sozinha. Se em Electra Heart (2012) produtores como Dr Luke e Diplo davam as batidas, em FROOT só vemos David Kosten dividindo a produção com a cantora. O CD vazou bem antes das chamadas “FROOT of the Month” (FROOTA do mês, em tradução livre), que serviam para a divulgação do disco, terminarem. Porém, isso não influenciou negativamente o lançamento que, mesmo antecipado, ficou em oitavo lugar na  lista da Billboard, sendo o primeiro TOP 10 de Marina. FROOT não é uma obra radiofônica, a única com potencial para isso é “Blue”, que até já ganhou videoclipe. Mas, fora isso, o álbum recebeu críticas muito positivas de diversos veículos, mostrando que Marina sabe o que faz mesmo não trabalhando diretamente para o mainstream. Entre 12 frutas, Marina nos mostra um amadurecimento ao falar de coisas como aceitação (“Happy”), morte (“Immortal”), humanidade (“Savages”), indiretas (“Better Than That”, alô, alô, Ellie Goulding) e, é claro, relacionamentos. Se em Electra Heart ela sofria e fazia dramalhão, agora ela acolhe todas as dores e transforma em força para continuar. Marina certa vez comentou que pensava em relançar FROOT com novas músicas, inclusive uma que ela mostrou no Instagram quando ainda não sabíamos o que nos esperava, mas parece que ela desistiu dessa ideia. Parece que promessas não são o forte da cantora. Só nos resta esperar e ver se ela cumpre a promessa de voltar para o Lollapalooza em 2016…
TOP 3 FROOTAS:
1 – Blue
2 – FROOT
3 – Savages

Gif reaction de quando o CD acaba:

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Por Matheus Conci

Depois de “Call Me Maybe”, Carly Rae Jepsen nunca será lembrada. É uma afirmação triste e até rídicula para uma cantora jovem que mostrou com seu último álbum um talento avassalador de criação e vocal. O primeiro hit de EMOTION foi anunciado ainda em março, “I Really Like You”, com um refrão chiclete e um clipe protagonizado por ninguém menos do que Tom Hanks. A batida pop e os seis reallies não ajudaram a chamar a atenção da audiência, que ainda se dividia com 1989 e a expectativa do 25 de Adele – ou a promessa do R8 que virou ANTI. Mas Carly não desistiu: com pequenas turnês pela Ásia – continente que, misteriosamente, ela faz mais sucesso -, lançou o melhor álbum mais esquecido do ano. Gimmie Love poderia ter virado hino, assim como Boy Problems e Making The Most of The Night. Todas bebem da inspiração oitentista que Taylor escolheu para o seu primeiro álbum pop, mas ao contrário desta, Carly ainda carece de boas estratégias para conquistar o público mais mainstream. Vale lembrar que Call Me Maybe virou hit quando Selena e Justin criaram um viral ao dublarem. Faltou um pouquinho. Mas o que não reduz o seu encanto para quem escuta na primeira vez [de muitas]. De mais uma chance e run away with me e Carly <3.

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Por Marcelo B. Conter

No Cities To Love foi lançado lá em 20 de janeiro, mas eu ainda não superei. Depois de uns nove anos “dando um tempo”, o trio expoente do movimento Riot Grrrl, Carrie Brownstein (Portlandia), Corin Tucker e Janet Weiss voltaram fazendo o mesmo barulho que faziam no passado. Distorções, vocais perfurantes, e rrrrrrritmos empolgantes rrrresoam do começo ao fim, atropelando toda a bundamolice eletro-dreamy-pop royal ou del rey, afastando a hipongagem emaconhada dessas bandas do mar, pisoteando suas bijuterias espalhadas pela calçada gentrificada pelos hipsters viciadinhos em Starbucks. Pensando aqui com meus botões, e aproximando o disco com a atual situação política do Brazeel, eu diria que os ecos do Riot Grrrl reverberam justamente numa época em que os movimentos feministas estão muito fortes e tendo que enfrentar uma onda de conservadorismo liderada por uma horda de homens inseguros. O rock não é mais espaço para meninos.
P.S.: conferir o clipe de A New Wave, estrelando Tina Belcher (ícone feminista, de acordo com a Pacific Standard) e as crianças do seriado Bob’s Burguers.

Guife Riéction:

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Recordar é viver: confira aqui os melhores discos de 2014 e 2013.

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