caminhando em san francisco

Você provavelmente sabe (ou já ouviu falar) que não se caminha nos Estados Unidos fora de New York. Isso é um pouco verdade e um pouco mentira também – quem não tem dinheiro, carteira de motorista ou preguiça vai ter que caminhar, sim. Nem sempre você vai achar calçadas para andar e as pessoas provavelmente vão passar nos seus carros e ubers te olhando estranho, mas é a vida.

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San Francisco é meio que uma exceção, porque as pessoas também andam muito de bicicleta – mas elas continuam não andando. O que não significa que você, bom brasileiro, vai ter que ficar gastando dinheiro em Barts, Munis, Ubers, bondes e aluguel de bicis – eu particularmente fiz 90% do meu caminho em San Fran a pé, incluindo uma walking tour e umas loucuras que explicarei mais adiante. Enfim, o que importa é que – com uma ajudinha ou outra – rola sim andar nos EUA.

Prepare-se para subir e descer muitas lombas.

Começando pelo começo: fique num hostel perto da Union Square

ou num hotel, né, sei lá que você é rico

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foto tirada do Starbucks dentro do Macy’s bem na frente da Union Square, onde eu tomava café da manhã quase todos os dias

Acho um lugar legal de ficar porque é muito fácil de se deslocar pra qualquer parte turística de San Francisco, a pé ou não. Dá pra chegar caminhando em Chinatown, na prefeitura, museus, escritório do Twitter, etc etc etc. Sem contar que tem todas as lojas do mundo lá perto, um shopping (acho bem importante) e até um Macy’s pra ir todos os dias ver roupas que você não tem (ou tem, sei lá) dinheiro para comprar. Dentro do Macy’s também tem uma praça de alimentação, um Cheesecake Factory e um Starbucks, onde a amiga suíça que eu fiz no hostel tomava iogurte todos os dias porque ela era muito saudável pra comer panquecas e eu tomava um Iced Green Tea, justamente pra baixar a gordura das 2 panquecas que eu comia. Ah, e caso você esteja mais interessado na balada~ do que em atrações turísticas, ficar perto da Union Square também é uma boa, não pelos lugares pra ir (pois $$$), mas pela facilidade de pegar Muni, Bart, bonde, uber e até táxi (!!! sacrilégio).

É obrigatório ser turista e ir até Fisherman’s Warf

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pier 29 e como é bom ser turista

O píer todo é gigante e ocupa boa parte da parte norte da cidade, visto que San Francisco fica numa baía. O mais importante está lá pelo Pier 29 e no Fisherman’s Warf, então vale a pena começar por lá e ir andando em direção oeste. Vai ter comida cara demais e gift shops até não poder mais, entre outras coisinhas super mega hiper interessantes e super mega hiper overpriced,  incluindo Ben & Jerry’s, loja da NFL, In -N-Out, moletons “I ❤ Cali”, uma pracinha com hippies vendendo sua arte e uma praia com muitas gaivotas onde não dá pra tomar banho porque é muito frio mesmo no verão. Tem 3 opções pra chegar lá a partir da Union Square: bondinho (6 obamas), Muni (2 e qualquer c oisa + um assalto) ou a pé (prepara-se para AS LOMBAS).

Bônus: leões marinhos

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Pegue o Bart até o Castro e vá descendo em direção a Dolores Heights e Mission

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ou FAÇA UMA WILD SF TOUR

Essa walking tour é demais, porque os guias vão meio fantasiados (vide foto acima) e passam o tempo todo tocando e cantando músicas sobre a cidade, super artístico. Também rola uns momentos de interação~~ em que eles te obrigam a falar com as outras pessoas do grupo, o que é bem chato na hora, mas até legal depois quando você começa a falar com as pessoas de verdade e acaba combinando um bar/uma balada/qualquer coisa de noite.

Existem duas opções de Wild SF Tours, tudo de lugares alternativos~ (sinceramente, olhem pros guias): essa que é Castro, Mission e Dolores e uma em Chinatown. Tudo com a mesma ideia de contar uma história diferente da cidade de uma forma diferente que as walking tours turísticas normais.

E, se parece que eu tô fazendo uma propaganda deles, é porque eu meio que tô. Visto que eles pedem colaborações entre 15 e 35 (ganha uma camiseta) dólares – afinal U$A né – e eu paguei 5 (porque tava no fim da viagem + não sou obrigada) e prometi ~~como jornalista~~ um review no Trip Advisor. Demorei mais de um ano, mals ae.

Castro:

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nessa janela, tem várias barbies representando os personagens do movimento LGBTQ+

Castro é tão, mas tão caricato, que a entrada do bairro tem uma bandeira gay num enorme dum mastro, pra até quem tá na beira da lomba ver. É tipo um aviso: nem pense em entrar aqui se você for babaca, que a gente lutou por anos pelos nossos direitos e aqui é a ditadura gay que manda mesmo. Acabei não saindo em San Francisco (porque sou medrosa), mas imagino que Castro seja o único lugar possível de ir pra balada. Os guias – assim como as placas, as ruas e as casas – contam a história do Harvey Milk e todo mundo que veio com/depois dele pra tornar Castro (e San Francisco) o lugar que é hoje.

Dolores Heights:

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Dolores é meio um bairro de moradia relativamente central em San Fran. A história, parecida com a de Mission é que essas áreas eram originalmente missões, onde a igreja “se assentou” pra catequizar os índios, assim como rolou aqui. Então, os dois principais pontos são a igreja Mission Dolores e o parque, que é enorme e lindíssimo. O ~ideal desse bairro é que, por ser alto, o nevoeiro não chega, então realmente tem sol antes das 11 da manhã por lá.

Mission:

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Com uma história de abrigar a comunidade latina (olha nós), Mission hoje é um bairro cool e alternativo, que aos poucos vem sendo GENTRIFICADO como tudo no mundo. Provavelmente pra fugir da hipongagem de Haight & Ashbury, Mission foi o bairro em que o movimento punk começou a se abrigar, levando músicos, artistas visuais, etc e tal para lá. Depois disso, também foi o bairro que abrigou os imigrantes latinos da nova geração, se tornando meio que um  marco de cultura underground da cidade. Pelo que os guias, que moram lá, falaram, hoje em dia virou cool ir para Mission e, com a busca de moradia no bairro por pessoas mais ricas e empresas, o custo de vida (que já deve ser altíssimo, pois San Francisco) tem aumentado exponencialmente, tornando impossível para o pessoal das artes continuar por lá.

Ir pra Lombard Street conta como treino de pernas na academiaIMG_0246 - CopyA ~~rua mais curva do mundo é lindíssima e tem uma baita vista. Não tem muito mais pra fazer por lá do que subir, descer,e tirar muitas fotos. Sim, ela fica no topo de um morro. Sim, para chegar lá é preciso subir muito – mas não só, subir, descer, subir, descer, descer mais um pouco, e quase escalar umas ruas (sério, tem umas escadarias com mini degraus no caminho). É uma mão, mas sinceramente não tem outro jeito melhor de ir. Pode chegar no hostel, comprar um vinho e comer uma pizza e um donut, sim.

É quase impossível se achar a pé no Golden Gate Park0293_033 - Copy

É quase impossível percorrer todo parque também, que tem 928839 milhas, 700 estradas no meio e extamente 0 placas de indicação longe dos portões. Use um mapa ou alugue uma bici ou escolha meia dúzia de atrações só pra ver. Se conseguir percorrer todos, a vantagem é que dá pra chegar na praia. Se você pegar a rua certa, dá pra sair de lá e ir caminhando (subindo) até a ponte, mas…

A melhor forma de chegar na Golden Gate Bridge é com uma tour de bike

IMG_0111 - CopyA pé não dá – até dá, mas sério, não tem calçadas, não tem caminhos, não tem placa.  De Muni, que é o ônibus deles, eu fui e não aconselho, é pior que D43 às 8h da manhã, sem brincadeiras. Fazer esses passeios guiados de bike não é extremamente caro, comparado com outras coisas, e ainda rola atravessar e acabar em Sausalito. Só cuide pras suas coisas não voarem porque o vento lá é pior que ciclone tropical.

Se sobreviver a todo resto, indico: Twin Peaks
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Fui a pé com a minha amiga fitness da suíça desde a Union Square  – passamos pela prefeitura, almoçamos na Mission, andamos por Castro e demos voltas e voltas e voltas até conseguir chegar lá em cima e ver toda a cidade que não tava coberta pelo Karl, the fog. Não tem ônibus e acho que de bicicleta é ainda mais difícil porque tem mil atalhos que dá pra fazer (eu acho que a gente passou pelo pátio de uma escola), então é isso ou de carro. Vale também pegar o metrô até Castro ou um pouco mais e só subir o morro.

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Karl, the fog – e Alcatraz lá atrás, onde obviamente não dá pra chegar a pé
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