all time low e uma época que eu tinha esquecido de lembrar

Em 2009, conheci um menino que achei igual ao vocalista do All Time Low. Gritei isso para ele em uma festa e, de algum jeito, o apelido pegou e todo mundo passou a chamar ele de Alex. Isso porque, naquele ano, o All Time Low tinha lançado seu álbum sucessor ao estouro de “Dear Maria, Count Me In”. “Weightless”, primeiro single do álbum, trazia Mark Hoppus e Pete Wentz no clipe, comparando All Time Low às suas respectivas bandas. Era o sonho emo/pop punk – principalmente falando de uma banda que começou fazendo covers de Blink-182 e, recém no ano anterior, tinha estampado a capa da Alternative Press como a principal das 100 bandas para ouvir em 2008.

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Quando entrei no Opinião ontem à noite, fui levemente transportada pra 2009 enquanto Cine, Forever the Sickest Kids e Paramore explodiam nas caixas de som e todo mundo cantava junto. Era mais estranho do que nostálgico. Inclusive, quando o show começou com uma música do novo álbum e praticamente todo mundo sabia cantar, fiquei um pouco sem entender. Onde essas pessoas se esconderam nos últimos anos? Ou talvez tenha sido eu que me escondi.

All Time Low ganhou noticiabilidade em um mundo pós explosão do pop punk e no início do declínio da cena na grande mídia. Eles eram exatamente igual a todas as bandas que tinham passado anos tocando no rádio e na TV, mas Nothing Personal tinha algo a mais, talvez relacionado à certeza da atenção midiática. Nessa época, a gente  falava em powerpop e dos “coloridos”, movimento que se tornou relativamente grande em Porto Alegre. Quase nada sobrou do powerpop, e All Time Low, aos poucos, se tornou a maior banda da cena – e, hoje, é A influência pra nova geração do pop punk que vem surgindo.

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Lembro quando uma amiga “descobriu” a banda. Era uma época curiosa e, quando gostávamos muito de um artista, escondíamos até dos nossos melhores amigos. Em respeito a ela, demorei uns seis meses para ouvir o So Wrong, It’s Right e, quando finalmente baixei o álbum escondida, não me importei muito com as músicas. Algo no meu inconsciente dizia que eu não deveria gostar dessa banda. Bem… as coisas mudaram quando “Weightless” foi lançada e “maybe it’s not my weekend but it’s gonna be my year” virou o mantra de absolutamente todo mundo que eu conhecia. Vi dois shows deles na época: o primeiro, em janeiro de 2010, quando estava na Inglaterra durante a turnê deles (o fatídico dia em que, aos 18 anos, ouvi que eu parecia ter 12 – saí do show e fui pra um pub tomar uma vodca com suco de laranja para afirmar minha maioridade recém conquistada); um ano depois, em janeiro de 2011, eles tocaram em Porto Alegre, num Opinião infernalmente quente e relativamente cheio com abertura do Motion City Soundtrack. Nenhum dos shows foi especialmente marcante para mim e, junto com aquela época da minha vida, deixei a banda de lado.

Não que eu tenha parado completamente de ouvir eles: baixei Dirty Work, de 2011, e Don’t Panic, de 2012, e gostei de ambos. Não amei, mas eu nunca tinha sido muito apaixonada por All Time Low mesmo. Comecei a ficar cansada das músicas que soavam sempre iguais, dos álbuns que nunca mudavam e achei que estava na hora de seguir em frente e ouvir outro tipo de música. Aos poucos, comecei a pegar um pouco de raiva da banda, pela falta de ambição em tentar algo novo, pela mistura que eu fazia deles com um determinado ano da minha vida e pelo que passei a chamar de “humor anos 90” que ainda é muito forte entre eles. (Humor anos 90 seriam aquelas piadinhas sobre minorias – que o Blink-182 sabia muito bem fazer – e a gente achava engraçado antigamente, mas hoje é simplesmente errado).

Isso foi tão forte que eu não consegui ouvir o novo álbum deles, Future Hearts, quando foi lançado no início desse ano. Bom, talvez tenha um pouco a ver com o clipe ridículo para “Something’s Gotta Give”, uma música bastante medíocre. Ainda assim, resolvi ir no show deles em Porto Alegre – os ingressos estavam 2 pelo preço de 1 e eu tinha companhia. E tá: eu gosto muito de ir em shows, confesso.

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O2 Academy Bristol, 2010 – botei esse filtro vintage pra indicar que a foto é velha

Nada foi inesperado no show de ontem. Fomos entrando no Opinião e reconhecendo algumas pessoas ~dos velhos tempos. Todo mundo se divertindo, cantando e conversando como se fosse um daqueles shows de bandinhas gaúchas que a gente costumava frequentar. Ninguém parecia se importar que o lugar estava longe de lotar e que, pelo menos por enquanto (isso já já vai mudar), o pop punk é mais uma lembrança da nossa adolescência do que uma realidade do cotidiano. Não saberia dizer se é verdade em todos os lugares, mas, em Porto Alegre, Nothing Personal ainda parece o álbum favorito dos fãs, que gritavam “Lost in Stereo”, “Stella” e “Therapy” – três músicas que nem single foram – em plenos pulmões. Porém, o grande choque de que nada muda aconteceu quando a banda tinha recém entrado no palco e, do backstage, vi saírem quatro ou cinco gurias que eu vejo saindo de backstages desde que comecei a frequentar shows.

Essa mesmice me fez pensar no quanto All Time Low e portinho combinam. Porque a banda, assim como a cidade, continua exatamente igual a como eu lembrava: o cabelo do Jack, os sutiãs voando no palco, as piadinhas ensaiadas de mau gosto. Tem uns momentos que dá uma preguiça… mas, se você ignora (ou não se importa com) tudo isso, acaba sendo bem fácil se divertir. As músicas são animadas, radio-friendly, com refrões fáceis – de cantar e de se identificar. Tive que tirar meu chapéu quando Alex começou a tocar “Drag Me Down”, do One Direction, e todo mundo seguiu cantando quando ele parou. Abri um sorriso: a minha cena é uncool o suficiente para ter 30 anos na cara e amar as suas bandas da mesma forma como adolescentes amam boybands.

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Se tem uma coisa que eu posso falar do All Time Low é que, se eles não mudam, é porque eles não precisam mudar. Ainda são a maior banda da cena e Future Hearts rendeu a eles o primeiro número 1 da vida no Reino Unido. All Time Low é a banda que continua carregando a tocha do pop punk – que a gente jurou que tava morto e enterrado até 5 Seconds of Summer começar a aparecer na TV -, eles sempre vão estar lá pra te lembrar da adolescência. Porque está tudo ali: a revolta, as paixões enlouquecidas, os relacionamentos que deram errado, os poucos que deram certo, a vontade de escapar e o que mais você precisar sentir. Os anos passam e os temas são sempre os mesmos, uma hora ou outra algum vai te marcar de novo.

A minha ~relação com All Time Low é muito recente e claudicante para eles me darem aquela sensação de nostalgia como Blink, por exemplo, mas até que é bom saber que eles vão estar ali caso eu queira lembrar de algo.

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