playlist: as melhores músicas do death cab (com comentários)

Há um mês, Death Cab for Cutie lançou seu oitavo álbum, “Kintsugi”. O título vem do japonês e é um nome de um tipo de arte em que se conserta objetos usando outro, o que acaba deixando claro que algo aconteceu ali. Não que eu fosse discordar com a nomeação do álbum pela própria banda, mas “Kintsugi” define perfeitamente esse álbum mesmo. Vamos deixar isso pra mais adiante.

Pensando nesse lançamento e no fato de que Death Cab, ao mesmo tempo em que sempre se reinventa, acaba nos prendendo ainda mais no que foi feito ao longo da carreira, fizemos esse post-homenagem-explosão de amor. Para aproveitar que amanhã é feriado e hoje o dia não tá, fácil, trouxemos essa playlist para relembrar as melhores músicas de cada álbum do DCFC para melhorar a vida de todo mundo. E, claro, porque nossas ideias não são aleatórias, chamamos fãs da banda pra decidir as músicas e defender suas escolhas.

Enjoy ❤

Lembrando sempre da regra principal:

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Kintsugi (2015): Little Wanderer

Por Natasha Heinz

“Kintsugi” é um álbum diferente, provavelmente (e principalmente) porque ele traz em si a marca de vários rompimentos que aconteceram  na banda nos últimos anos. Começando pela saída do Chris Walla, quando o Death Cab perdeu, ao mesmo tempo, um guitarrista e um produtor. Outro ponto importante, que faz esse álbum se diferenciar principalmente do “Codes and Keys”, foi a separação da Zooey Deschanel, que acaba levando de volta àquela sensação de desconforto em todos os aspectos da vida que o Death Cab sempre tornou muito fácil de reconhecer e se identificar. Em terceiro lugar, uma tentativa assumida do Ben Gibbard de experimentar no modo de escrever, buscando outros narradores, outros caminhos, outras visões de mundo e um escape daquela velha situação será-que-essa-música-é-sobre-isso. Baseado nisso que acabei escolhendo “Little Wanderer” para representar esse CD. Talvez, musicalmente,  “Black Sun” seja um corte maior com tudo que a banda já tinha feito, talvez “Ghosts of Beverly Drive” tenha aquele velho estilo de letra que a gente ama e talvez “You’ve Haunted Me All My Life” demonstre melhor toda a agonia do Kintsugi, mas… “Little Wanderer” tem aquele narrador novo que a gente não conhecia (o cara que fica e vê o outro lado ir embora), tem aquela temática “Transatlanticism” que nos leva de volta ao passado da banda e tem aquela melancolia típica do Death Cab (e, por que não, do próprio emocore). Kintsugi é uma porcelana japonesa ou, para o bom brasileiro, uma colcha de retalhos. E tem justamente essa função: juntar todos os pedaços em um só, sendo aquele tecido antigo que a gente conhece em um formato totalmente novo, em que o velho/feio/ruim se torna a coisa mais confortável do mundo.

Codes and Keys (2011): You Are a Tourist

Por Pedro Veloso

Todo mundo diz que Codes and Keys é um álbum mais PRA CIMA do Death Cab, talvez pelo fato do Ben Gibbard ter se casado com a Zooey Deschannel (#revistacaras) e talvez aquietado parte de seus anseios amorosos, já que casamento é aquilo, o final feliz que todos almejam, RS. Por isso. ele tem menos daquelas músicas de ouvir um dia depois de ter levado aquele fora belíssimo e cantar junto, até seu vizinho reclamar (aconteceu já com um amigo, que não sou eu). Mas não quer dizer que não fale sobre a vida de uma maneira profunda e de relacionamentos também, mas com um certo distanciamento, como o álbum 1989 da Taylor Swift. As minhas prediletas são “Some Boys”, que diz alguns boys não sabem amar mesmo. Mas seria muito recalque escolher essa, então fico com “You Are a Tourist”, que é positiva e PRA CIMA, tem clipe e é acessível pro povo da balada. Amo a letra, que diz que, se você é um turista na própria cidade, é hora de ir embora, só que eu interpreto como turista na sua vida, uma sensação comum nessa idade dos quase 30, em que você realmente não sabe o que fazer da sua vida e é pior que adolescência.

Narrow Stairs (2008): Grapevine Fires

Por João Veppo

O “Narrow Stairs” é diferente, pesado e, às vezes, estranho. Em alguns momentos a sonoridade passa longe dos clássicos do Death Cab (vide “I Will Possess Your Heart” com oito minutos de duração e quatro de introdução). Resumindo, não é um disco fácil. Principalmente por ser o sucessor do “Plans”. Mas é incrível. Dolorido. É possível ver o personagem do vocalista Ben Gibbard passar de inofensivamente triste pra desesperado. A música que representa perfeitamente o disco é Pity & Fear (i sunk below, where i swore i’d never go). Porém, minha música preferida é Grapevine Fires. Ben canta sobre aceitar o fim de um ciclo – seja ele de um relacionamento ou de morte. Isso usando os incêndios florestais em 2007 na California como metáfora pra falar sobre um período ruim na vida. E, no meio de todas as coisas horríveis que um desastre natural (ou na vida pessoal) podem trazer, essa cena: Bought some wine and some paper cups Near your daughter’s school and we picked her up Drove to the cemetery on a hill, on a hill Watched the bullets paint the sky gray She laughed and danced through the field of graves There I knew we’d be alright Everything will be all right. Isso representa exatamente a função dessa música no disco. Um sopro de ar, uma menina dançando e rindo em volta de um cemitério. A certeza que, não importa o quanto as coisas estejam ruins, this too shall pass.

Plans (2005): Stable Song

Por Carina Schröder

Vocês não entendem a dificuldade que foi escolher uma música desse álbum que considero (e podem me chamar de exagerada, tô nem aí pra vocês, eu sou + eu) um dos melhores álbuns da atualidade. Uma música. UMA. MÚSICA. Enfim, depois de muito pensar e debater comigo mesma, eu consegui. “Stable Song” é linda, é calminha, um amor de ouvir, encerra essa obra prima de álbum, e a letra, ah, a letra. Ao ouvir pela primeira vez, talvez você não preste muita atenção, mas na segunda, terceira e toda vez que você escuta essa música, a letra fica mais e mais marcante. The gift of memory is an awful curse, with age it just gets much worse, but I won’t mind”, é assim que Ben Gibbard decidiu terminar a música, e o álbum, e, meu deus, é de cortar o coração só pra encher ele de novo. Dá vontade de chorar sem nem saber o porquê. É a música perfeita para se ouvir quando quer pensar na vida, antes de dormir, olhando pro céu, tentando compreender a grande imensidão que é o universo e como nós somos apenas pequenas partes dele que vivem tentando fazer algo significante o suficiente para sermos lembrados (dsclp acho que fui muito longe). Tudo que tenho a dizer é: liguem esse álbum, desliguem a luz e prestem atenção no que essa bandinha linda está querendo dizer pra você.

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Transatlanticism (2003): Transatlanticism

Por Rafael Santanna

“Transatlanticism” é a palavra utilizada por Ben Gibbard para representar as distâncias relativas e incompreensíveis entre dois amantes. É também a palavra que dá nome ao melhor álbum do Death Cab e à melhor música composta pelo Gibbard. “Transatlanticism” é linda. Transborda amor, dor e saudade nos seus quase oito minutos de duração, esses sentimentos de fossa que todo mundo que passou por um relacionamento à distância já cansou de sentir. Distância que, no começo, is less like a lake and more like a moat, inevitavelmente tornando-se um oceano com o passar do tempo, quite simply much too far for me to row. Enfim, é a trilha sonora de uns três namoros dos meus 25 anos de vida.

The Photo Album (2001): We Laugh Indoors

Por Tobias de Carvalho

É na sutileza da voz de Ben Gibbard e na precisão da guitarra de Chris Walla que reside todo o ambiente claustrofóbico que é “We Laugh Indoors”, a melhor música dentre as 10 de “The Photo Album”. A sensação de desespero é mostrada, não dita, do o início brando às partes mais explosivas, e em um dos versos mais famosos da banda: I loved you, Guinevere. Talvez a sinceridade se devesse ao fato de a Zooey Deschanel não ter entrado ainda na vida do vocalista. Com certeza, um dos pontos altos do catálogo riquíssimo do Death Cab.

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We Have the Facts and We’re Voting Yes (2000): No Joy in Mudville

Por Gabriel Nonino

Death Cab toca a vida de quem pega o BUSÃO no fim da tarde voltando do trampo, ou, citando a canção escolhida, Death Cab toca a vida de quem LÊ A CALÇADA enquanto a outra pessoa fala. “No Joy in Mudville” merece estar nesse amplo PÓDIUM justamente por ser saturada de um COTIDIANO MELANCÓLICO, de uma resignação tensionada, prestes a explodir, que a súbita PALHETA ALTERNADA, na guitarra distorcida, representa muito bem. Se “We have the facts and we’re voting yes” é um disco sobre relacionamentos arruinados, não há maior exemplo de que eles souberam como falar sobre isso do que essa canção. Em seis minutos ela traz a tristeza e sua CATARSE, exposta tanto nos versos quanto na VIBE PÓS-ROCK. Recheado de lembranças pictóricas, “No Joy” te envolve num clima ba-deu-muita-merda-mas-lembra-por-quê?, algo nostálgico e masoquista, comum em relacionamentos que não deram certo. Essa realidade paupável grita a cada acorde da música e se aproxima daquela, recorrente na banda, de retratar a vida de quem pega o BUSÃO, conversa LENDO A CALÇADA, tem relacionamentos arruinados, enfim, essas mesquinharias da vida ordinária.

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Something About Airplanes (1998): Champagne From A Paper Cup

Por Leo Baldessarelli

A trilha sonora daquele adolescente melancólico que parece superado, mas que aparece de novo naquela noite de sábado, em casa, sem nenhuma vontade de fazer qualquer coisa e com a certeza de que a vida não vale a pena. Bom, essa descrição aí poderia se encaixar com o sentimento de 80% das músicas do Death Cab For Cutie, mas “Champagne from a Paper Cup” é a mais próxima disso pra mim. Foi quando a banda soou como um filhote de Eliott Smith com Built to Spill. Aqueles riffs sobrepostos, uma melodia em cima da outra, mas sem os vocais exagerados, substituídos por um Ben Gibbard que estava apenas começando. A letra cria uma imagem muito literal, de quando estamos com o saco cheio de uma festa e só queremos ir embora, e isso se encaixa perfeitamente no clima do som. É o Death Cab que eu sempre amei, com o lo-fi involuntário dos anos 90 e sem medo de ser emo.

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E aqui a playlist ❤

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