preparação para o oscar: opiniões

O OSCAR É HOJE!!!

Para quem não conseguiu ver todos os filmes e quer uma opinião ou para quem viu, mas está curioso pra saber a opinião do público: preparamos essa listinha com críticas especializadas (de amigos nossos) sobre as obras que estão concorrendo a melhor filme.

Concordem, discordem, gritem com textos, abracem o computador e nos vemos na cobertura!

Whiplash

Por Giuliana Stuber

Algo nos perturba ao conhecer os métodos não convencionais e extremos de ensino do professor de jazz, Fletcher. Por acreditar que a excelência é algo que se constrói através do trabalho duro e renúncias pessoais, acabamos por nos questionar o limite entre a ambição e a dedicação e o rigor beirando a crueldade. Ao tentar inspirar seus alunos desta forma, não seria possível, também, desencorajá-los de seus sonhos? Andrew, o ambicioso baterista escolhido por Fletcher para participar de sua banda, não parece questionar os desafios impostos pelo mestre e se desanimar frente a eles. Determinado a ser excelente, Andrew se submete a tortura física e psicológica, treinando até suas mãos sangrarem e rompendo um namoro para evitar que se distraia. No final do filme, é inevitável nos perguntarmos se tudo que vimos justifica a busca pela perfeição.

O Jogo da Imitação

Por Arthur Nonnig

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“OJogo da Imitação” é a cinebiografia de Alan Turing, um matemático bem menos famoso do que o físico Stephen Hawking e muito mais importante do que o “herói” Chris Kyle. Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing utilizou seus conhecimentos para desvendar a criptografia nazista, dando aos Aliados a vantagem diante da Alemanha. O filme não ganha destaque por planos-sequência de 10 minutos, 12 anos de diálogos antes da meia-noite ou o J.K. Simmons gritando com o novo Sr. Fantástico. O que dá importância ao longa é a escolha da história de vida a ser contada. A narrativa segue três planos temporais, com aquela muletinha de roteiro clássica: vamos fazer o protagonista contar a sua história. Muitas pessoas podem achar que é só mais “Uma Mente Brilhante”, só mais um geniozinho que fala coisas que ninguém entende e é deslocado socialmente, mas “O Jogo da Imitação” nos lembra que, até 1967, era possível ser condenado por “indecência” na Inglaterra, lá no Primeiro Mundo (em alguns países isso ainda existe). Só pra falar um pouco de atuação: Benedict Cumberbatch (tire um momento para repetir isso em voz alta) consegue transformar sua postura Sherloquiana com voz de Smaug em uma persona frágil e desconfortável em muitas situações, mas está longe de ganhar um Oscar por isso.

P.S.: pior ideia colocar Heil Hitler no final de todas as mensagens criptografadas

Selma

Por Matheus Conci

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“Selma” sempre será o filme certo para a época em que for revisto. Por mais que reconstrua a marcha liderada por Martin Luther King a favor do direito ao voto dos afro-americanos, o filme da diretora Ava DuVernay é uma obra prima universal. O filme é recordista na lista de indicações não recebidas: no mínimo, Direção, Ator e Roteiro deveriam se somar a apenas duas reais indicações a que recebeu – Melhor Filme e Melhor Canção. David Oyelowo brilha como o líder humanitário, surpreendendo tamanha semelhança física e gestual ao personagem. Eximindo de alguns deslizes – muitas vezes, o impecável trabalho de arte, com figurinos, cenários e maquiagens impecáveis soe um tanto quanto perfeito demais –, são os elementos históricos que ganham a devida força que uma peça cinematográfica como tal merece ser lembrada. Fica mais uma vez escancarado o atraso e o descaso a que a Academia delega o papel do cinema industrial de Hollywood, ovacionando filmes bélicos ou cinebiografias que mais poderiam ter sido produzidas como novelas, mas que entregam personagens perfeitos como num conto de fadas.

O Grande Hotel Budapeste

Por Carina Schröder

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Entre o roubo de um quadro famoso, batalhas por uma grande herança e fugas da prisão, “O Grande Hotel Budapeste” conta a história de Gustave H, famoso concierge de um dos maiores hoteis da Europa, e Zero Moustafa, um empregado do hotel que se torna seu melhor amigo. Tão doce quanto as sobremesas Mendl’s, “O Grande Hotel Budapeste” encanta do início ao fim, em todos os aspectos. Com um roteiro amarradinho, emocionante e engraçado na medida certa, como todos os filmes de Anderson, e um design de cena impecável, Wes Anderson mostra o que tem de melhor com esse filme. Até mesmo quem acaba se incomodando com seus perfeccionismos, tem que dar o braço a torcer e admitir que o filme flui de uma maneira envolvente apesar das cenas obssessivamente centralizadas, paleta de cores impossíveis de deixar de notar e objetos de cena milimetricamente organizados. Concorrendo a 10 ~estatuetas~, o filme é um dos meus preferidos, mas sendo fangirl do queridíssimo Wes Anderson, me sinto meio suspeita para falar. De qualquer forma, é um filme ~cozy para se assistir durante uma tarde de chuva, com direito a assistir mais umas três, cinco, dez, cinquenta, quantas vezes quiser, porque é impossível cansar desse filme fofíssimo <3.

Sniper americano

Por Rodrigo Ferreira

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Vamos por partes. Bradley Cooper não é um bom ator. Ele é só um cara que deu sorte de contracenar com a JLaw dois anos seguidos e ser indicado ao Oscar  por isso. Então, a teoria de que esse “Sniper Americano” pode ser um “character study” já vai pro lixo. Segundo, e bem importante, o filme, pelo menos no Brasil, devia ser Atirador de elite estadunidense. A história em si é bem ruim. O roteiro é didático. Do tipo, irmão apanhou na escola, pai discursou em volta da mesa BAM nosso personagem tem um propósito na vida. Obviamente, por se basear na autobiografia do C. Kyle, o filme retrata as coisas pela ótica dele, o que é bem perigoso. Quando alguém falou que American Sniper parece o filme de propaganda nazista protagonizado pelo Daniel Bruhl em Bastardos Inglórios, não era nenhum exagero. Chris Kyle, o atirador mais letal da história do exército estadunidense, realmente acredita que os Estados Unidos são o maior/melhor país do mundo. Ele realmente acredita que o Iraque é só um monte de pó e que os iraquianos são selvagens. Ele não vê problema em fazer seu trabalho. Mesmo que seu trabalho seja matar pessoas e ele não saiba fazer nada além disso. Clint Eastwood e Bradley Cooper também parecem acreditar nisso tudo. Não problematizam em nenhum momento a visão de Kyle. Retratam o irmão, o que apanhou, como fraco, a ovelha. O irmão sente os efeitos da guerra. Kyle, não. Na verdade, parece que Eastwood constrói o filme como uma alegoria/justificativa à política externa de seu país. Eles não invadem países e se metem em guerras por interesses, mas sim porque é seu dever e sua salvação. É seu destino.

EXTRA EXTRA: American Sniper é uma vergonha.

Boyhood

Por André Araujo

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É engraçado que uma das tendências mais relevantes do cinemão médio americano (sufocada pelo círculo vicioso da crítica automática de sites como IMDB, Rotten Tomatoes e Metacritic) pode se consagrar justamente no mais plastificado dos prêmios, mas entrando pela porta lateral. Estou falando de “Boyhood” e a sua auto-consciência extrema em nos enganar num “retrato da vida” que só se efetiva se reconhecemos que, sim, assistindo a um filme. Ao mesmo tempo em que “Boyhood” faz de tudo pra que esqueçamos que estamos diante de um artíficio, usando das técnicas mais consagradas do realismo cinematográfico (que chega a beirar a histeria megalômana), o filme é uma grande ODE sobre aquilo que apenas o cinema enquanto meio pode almejar: um breve vislumbre do tempo. Tempo subjetivo, tempo objetivo, elipse, flashback; todas técnicas de simulação e experimentação pura ou mediada do tempo, seja da narrativa, seja do filme em si. “Boyhood” explode isso e coloca em questão o tempo de nossa existência, o tempo medíocre e cruel da passagem dos anos que se mostra em nossos corpos, em nossa personalidade, em nossas ações. Não há filme se não levarmos em conta a relação de proximidade absoluta entre o que ocorre dentro e fora, na superfície dos atores e de seus personagens. Ao contrário de “Birdman”, que se esforça ao limite para discutir os mesmos temas (arte, tempo, vida, indíviduo-sociedade), “Boyhood” abdica de qualquer tipo de afetação para se afirmar como uma das grandes obras sobre CINEMA que os EUA conseguiram produzir nos últimos anos. Esse discurso bonitinho e empolado é só pra desviar do fato que meu deus que filme lindo.

A Teoria de Tudo

Por Natasha Heinz

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Parece que falar sobre um filme indicado ao Oscar precisa de muito mais do que as simplórios declarações de “gostei” ou “não gostei”. Com isso em mente, queria dizer aqui que eu gostei de “A Teoria de Tudo”, mas… sabe? Inclusive, acho que “mas” e  “porém” são conjunções bem importantes na hora de falar desse filme. Eu explico. O elenco principal deixa bastante a desejar e a gente sente falta daqueles rostos conhecidos e ~premiados que ocupam as cenas de, por exemplo, “O Grande Hotel Budapeste”, MAAAS Eddie Redmayne ganha pontos por todo mundo no papel de Stephen Hawking. A história é, sim, emocionante, bonita, é aquele dramalhão que todo mundo adora ver na sessão da tarde. Isso não torna o filme ruim e não seria justo dizer que a história de superação da mulher não merece toda a atenção que recebeu. Porém, é só parar para pensar um pouco: a vida pessoal do Stephen Hawking é realmente mais interessante do que o trabalho dele? Pro público em geral assistir em casa comendo bolachas num domingo nublado, eu acho que sim. Mas para o Oscar? Fico na dúvida.

Birdman

Por Demétrio Pereira

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Acusado de intruso medíocre no palco, artista paga com autodestruição o pedágio para entrar de vez no panteão da tragédia. Se é suicídio, a arte engole o indivíduo, totalitária. Se é um tiro no nariz, então é o artista que atualiza a arte e vira gênio e ganha justa resenha de gênio. Só que o tiro devia acertar “Birdman”, tipo tiro em Tyler Durden, tiro tipo Edward Norton que, com mira Michael Keaton, acaba errando o alvo: “Birdman” não só está vivo, como cagando e dando descarga. O rompimento do plano-sequência e a abertura de sentidos no final dão perna pra enchedor de lacuna, p. ex.: o protagonista de fato morreu e, nas últimas, delirou um desfecho bom demais para ser verdade (aclamação crítica, nariz subitamente renovado, reconciliação familiar etc.). Mas tornar explícito o trabalho de edição e encerrar com um fora de cena (olhões de gude da Emma Stone olhando o quê?) é também assumir o arsenal do cinema em um filme cuja virtuose até ali era se maquiar de teatro. A jornada do protagonista é também a jornada do cinema rumo ao exercício da sua própria crítica, não só porque Michael Keaton interpreta a redenção de Michael Keaton vs Batman ou porque Naomi Watts refaz o beijo lésbico de “Cidade dos Sonhos” etc., mas talvez porque intruso fosse o palco e não o artista, e medíocre aquela literatura vertida em peça trágica, não o ego voando atormentado pela cidade. Então talvez seja Iñárritu grandiloquente quem sai voando aqui atrás da câmera, lembrando de algum realismo mágico que só mesmo em cinema se deixa sonhar, olhado por aqueles olhões bonitos da Emma Stone.

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