36 discos de 2014 – parte 05

edsheeranx

Por Natasha Heinz

Ed Sheeran, que ser iluminado. Seja fazendo baladas românticas para deixar ~as mina~ chorando em posição no chão ou ~rapping com muito ódio no coração, ele acerta todas. Isso já tinha sido provado no primeiro álbum, “+” (2011), quando a despretensiosa “The A Team” garantiu ao músico, então quase desconhecido nos EUA, uma apresentação ao lado de Elton John no Grammy. Mas “X” vem para mostrar que Ed Sheeran está muito mais perto de conquistar o mundo da música do que a gente imagina – até porque é para isso que ele está trabalhando mesmo. A mistura de estilos que percorre as faixas não é óbvia para o segundo álbum de um cantor que conquistou um público majoritariamente jovem feminino, e o mérito está justamente nisso. As baladas voz e violão continuam aparecendo melhores do que nunca, mas as escolhas de “Sing” e “Don’t” como single mostram que elas não são a principal – nem a melhor – parte.  Faixas como “Runaway” e “Bloodstream” são encantadoras pela produção, que te faz perguntar como ele, só com o violão, vai conseguir reproduzir isso ao vivo. E ele vai! Como se o trabalho fosse todo para mostrar que Ed Sheeran é muito mais do que a gente estava imaginando. Inclusive, cada música que começa em “X” traz uma surpresa, seja na batida, na produção ou nas próprias letras, que estão ou ainda mais afiadas, ou ainda mais ~meigas. Não está fácil ser melhor que esse homem em 2014, não. Ouçam o álbum e vocês também vão querer ir correndo ver ele em abril.

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sheezus

Por Thamires Tancredi

Não que a gente esperasse menos, mas Lily Allen já abre “Sheezus” pedindo a coroa de volta na faixa que dá título ao álbum. E, contrariando o que diz a baixa vendagem, o terceiro álbum da carreira não deixa nada a dever aos dois anteriores. Se em “Alright, Still” (2006) o que vimos foi uma Lily naquele limbo entre a adolescência e a idade adulta, que pisoteia na cara do ex-boy lixo em “Smile” e nos deixa com ainda mais vontade de voltar todo mês à sua amada “LDN”, em “Sheezus” ela aprimora a fórmula da língua afiadíssima de “It’s Not Me, It’s You”. Mas o quase balzaquianismo da britânica não deixa se repetirem os xingamentos escarrados de faixas como “Fuck You”. “Hard Out Here”, primeiro single do trabalho, é um hino feminista daqueles que só Lily sabe fazer: dispara contra os machistas principalmente, mas também é uma crítica implícita à indústria fonográfica que multiplica bundas e diminui a música nos seus principais holofotes.  Mas nem só dos singles que fazem a gente suar na pista vive “Sheezus”. Reserve uns minutos para ouvir “L8 CMMR”, uma quase baladinha do tipo que Lily faz como ninguém, e a deliciosa “Air Balloon”, daquelas músicas para ouvir enquanto você anda na chuva geladinha na Redenção depois de uma sexta-feira com o termômetro próximo aos 40ºC. “As Long As I Got You” tem uma pegada folk que vai te fazer ter vontade de aprender a tocar gaita tipo amanhã, acredite. Último destaque, juro, mas dê o play com carinho em “URL Baldman”, só isso que digo. Agora, resta esperar o sucessor de Sheezus, que já tem parceria confirmada com o 1D Harry Styles – que, vale o toque, previsto para 2015. Não tá fácil pras bitchs, né, gata?

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four1d

Por Jacqueline Dal Bosco

Podem reclamar, mas One Direction não dá sinais de que vai parar. Só esse ano lançaram outro perfume, outro livro, outro filme e outro álbum. O quarto CD (de um contrato de cinco, mas shh) da banda é apropriadamente entitulado “FOUR”. Cada vez mais responsáveis pela autoria de todas as canções (tirando a faixa obrigatória escrita pelo Ed Sheeran, que tem sempre), eles sabem o que fazem bem, sabem do que a gente gosta e não decepcionam. Harry é um rockstar e canta como um; Zayn consegue atingir notas que ser humano nenhum jamais conseguiu; Liam preenche nossas almas com o poder que tem na voz; Louis achou seu espaço cantando do seu jeito rouco e doce; Niall faz um balanço entre a maneira forte de cantar e a voz delicada que tem. “FOUR” aperfeiçoa o caminho tomado em “Midnight Memories” e faz os elitistas da música chorarem porque tem sim música boa. One Direction abraçou as calças justas, o cabelo armado, a bandana na cabeça e foi buscar referências na década de 80 com Journey, Van Halen e Tears for Fears. Se a Rolling Stone e a Billboard podem chamar One Direction de “melhor banda de rock clássico do mundo que não toca instrumentos e não estava viva nos anos 80”, vocês também estão liberados.

 

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yelle

Por Jé Mazolla

Terceiro CD maravilhosamente dançante da Yelle. Essa charmosa francesa que já embalou muitas nossas pistas de dança, ainda não é conhecida pela ~grande massa, o que eu acho lindo. Afinal, ter umas pessoas estranhas querendo cantar em francês do teu lado no barzinho dói o coração, né? Mas mesmo assim, o “Complètement Fou” foi lançado esse ano e mostra que a artista continua impecável. Notei algumas mudanças em batidas que antes a gente ouvia de uma forma e que agora estão mais refinadas, mas o destaque é sempre a mistura do eletrônico com a batida bem marcante. Acho divertido parar pra analisar e pensar como que eles produziram tal som e imaginar ela bem linda dançando enquanto gravava a música no estúdio. A Yelle tem um jeitinho tão Amélie modernosa que acho o máximo!! As 13 músicas desse álbum variam desde aquelas que se encaixam direitinho num lounge com drinks como também na balada true, pra se descabelar e tentar fazer os passinhos de The Sims. Atualmente é o que eu tenho escutado em dias de tpm no trabalho pra dar aquele gás e pensar nas férias lindas que estão chegando.

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anberlin

Por Leonardo Baldessareli

2014 foi foda. Logo que me pediram para escrever sobre um disco aqui no Trinta e seis, saltaram uns cinco nomes bem legais na minha cabeça. Depois de uma pesquisada, o número só cresceu. Demarco, Antlers, Swans, Real Estate, Lantlos, Ruído / mm, Sun Kil Moon… Porééémm, eu acabei escolhendo o quê??? Sim, aquela bandinha emo que nunca fez sucesso direito. Antes desse ano, o Anberlin já era bem importante por ter quebrado o meu preconceito com o som “emo” e me levado a gostar de genialidades como Sunny Day Real Estate e American Football, mas as coisas chegaram em outro nível durante 2014. Lá no início do ano, a banda anunciou já ter decidido o futuro: ela acabaria em breve, mas não sem um novo disco e uma turnê mundial. Logo eles divulgaram que iam passar por Porto Alegre, e então eu mergulhei nos clássicos. Pesquisei os setlists, fiz playlists com as melhores de cada disco, mas dei uma ignorada brutal no último álbum, “Lowborn”, que já tinha vazado na época. Não foi uma má escolha, visto que a única coisa de “Lowborn” apresentada ao vivo foi uma citação das últimas frases de “Harbinger”, a última faixa. Depois de ter aproveitado o show ao máximo, decidi dar uma chance séria ao disquete e percebi que quase tudo que eu já tinha lido sobre ele era real: a banda não precisava ter feito isso, eles já tinham uma data de validade estabelecida. “Lowborn” é um grande presente para os fãs. O álbum é uma viagem por boa parte das sonoridades que eles já tiveram pela carreira, mas com um maior foco na vibe eletrônica que veio com força desde “Dark Is The Way, Light Is A Place” (2010), dominando o álbum “Vital” (2012). Tem um pouco de tudo que a banda já teve como característica. Os refrãos desesperados em “We Are Destroyer”, a bateria rápida e os riffs em “Velvet Colored Brick”, a levada eletrônica, sombria e melancólica abertamente inspirada no Depeche Mode em “Birds of Prey” e “Stranger Ways”, as grandes harmonias vocais de Stephen Christian em todas as faixas e uma balada como poucas deles em “Atonement”. É uma grande demonstração de respeito pela base fiel de fãs, assinando uma carta de despedida com uma clara mensagem: nós fizemos o máximo por vocês. A última faixa segue a tradição de todas canções de encerramento dos outros álbuns da banda, sendo longa, épica e exagerada. Mas o exagero é tudo menos problema ao ouvir as últimas palavras de Stephen Christian. “We’ll live forever”.

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CRIOLO

Por Roberta Reis

O novíssimo álbum do Criolo, “Convoque seu Buda”, foi lançado em 4 de novembro e disponibilizado para download gratuito no site do próprio – porque, afinal, é o Criolo e ele quer que todos tenham as mesmas oportunidades. O disco já veio fazendo polêmica com a faixa “Cartão de Visita”, que critica o capitalismo – e quem o incentiva como a IT blogueira Thassia Naves, que é citada. Também foi incluída “Duas de Cinco”, lançada em EP em 2013, que já tive a oportunidade de cantar no show que ele fez no Opinião, em maio. Mas a que me pegou de jeito até agora foi o sambinha “Fermento pra Massa”, que fala da greve do busão – que ele apoia, é claro: “Eu que odeio tumulto/Não acho um insulto manifestação/Pra chegar um pão quentinho/Com todo respeito a cada cidadão”. Aguardando o próximo show.

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Não esqueçam das partes 01, 02, 03 e 04.

 

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