36 discos de 2014 – parte 04

charli

Por Paulo Stolben

“Obviously, it’s about not giving a fuck” disse Charli XCX em uma entrevista quando perguntada sobre seu novo álbum… e ela estava certíssima. Comparando com o seu primeiro lançamento oficial, podemos ver sim uma mudança de estilo, Charli está bem mais naughty girl nesse último trabalho, com roupas de couro, carão e brincadeirinhas nas performances. A fase indie pop deu lugar ao pop chiclete com batidas de rock que funcionam muito bem para os charts. Há quem diga que  ela se vendeu, porém pode existir um outro lado nessa história: uma artista que escreve músicas desde os seus 14 anos e que inclusive co-escreveu várias outras musicas que atingiram o topo da Billboard (“Fancy” com Iggy Azalea e “I Love It” com Icona Pop) fora de sua ‘linha de trabalho’, sabe como adequar sua obra para o público que ela quer atingir. Meu palpite é que no seu próximo trabalho, depois de ter trabalhado sua imagem para a massa, ela vai voltar com um trabalho mais próximo do “True Romance”, algo mais pessoal e com som voltado para o que ela fazia antes. Enquanto isso, ela que continue quebrando as regras com o “SUCKER”, um cd despretensioso, bobinho, chiclete e que está funcionando muito bem, até porque fugir do indie cool conceitual por algum tempo também pode ser muito divertido. Músicas destaques: “Body Of My Own”, “Breaking Up” e “Break the Rules”.

Gif Reaction:

tumblr_nfisrm8ADE1qh9nffo1_500

marjor

Por Nana Soares

Quando não estava interpretando vilãs que rejuvenescem, Marjorie Estiano lançou um óóótimo álbum este ano (tum dum tss). O “Oito” tem uma vibe muito delicinha: é pop, mas tem batidas de funk, elementos de tango, umas coisas de MPB e outros ritmos. Sem ficar brega, só lindo e diversificado mesmo. Não é o primeiro CD de nossa musa da Vagabanda, mas é de longe o melhor e mais maduro. É daqueles que a gente ouve e nem percebe que acabou, sabe? Além disso a capa é a coisa mais linda e tem toda essa vibe vintage-urban-conceitual. Vale muito ouvir e nós amamos gente multitalentosa.  Destaque para o single “Me leva” e para “Ele”. Dá pra ouvir o CD todo aqui, ó.

Gif Reaction da Marjorie mostrando que é muito mais que um rostinho bonito:

marjorie-estiano-o

interpol

Por Tim Lagendorf

Que o Interpol é provavelmnete uma das bandas mais marcantes dos anos 2000, nāo há dúvidas e, depois de quatro anos sem lançar nenhum material novo (embora os trabalhos solos de Paul Banks sejam uma lindeza), o “El Pintor” já entraria nessa lista só por isso, mas os motivos nāo param aí. Sendo o titulo “El Pintor” um anagrama do nome da banda, nas composições fica bem clara uma ~volta às raízes~ do grupo, que dialoga com álbuns antigos como “Turn On the Bright Lights” e “Antics”, especialmente nas faixas “My Desire”, ” My Blue Supreme” e “Ancient Ways” (rsrs). Apesar da ausência do baixista/holster model/idolo hipster Carlos D pela primeira vez na formaçāo, o proprio Banks assumiu o instrumento e incutiu uma vibraçāo fiel aos melhores momentos da banda nas melodias e letras do novo CD. Outro motivo que fez eu derreter meus ouvidos ouvindo esse disco (agora bem pessoal) é o fato de eu ter passado grande parte do ano passado e desse ano fora do Brasil e ter voltado num período no mínimo atípico: cheguei no ápice das discussōes sobre a Copa, que se seguiu com um período de carnaval internacional fora de época onde todos se amavam e foi logo esquecido por uma batalha política (e de egos) absurda, devido a uma das eleições mais acirradas e controversas da história do país. E quem já fez o exercício de escutar “El Pintor” (se nāo fez, faça, AGORA!) pôde ver toda a confusāo, revolta contida (e nem tāo contida assim) e sensaçāo de que nada tem feito muito sentido ultimamente que o disco nos passa. Como nāo se sentir abraçado por um álbum quando você volta pra casa engolfado no caos e a faixa mais impotante do cd se chama “ALL THE RAGE BACK HOME”? Foi inevitável mais uma vez se apaixonar pelo Interpol, da mesma forma (ou até mais) que eles me fizeram apaixonar em 2007, quando conheci a banda e o “Our Love To Admire” (provavelmente meu disco favorito dos car… da vida!!). Se tenho uma certeza é: estarei no proximo Lollapalooza pra conferir os New Yorkers (that care) ao vivo mais uma vez!

Gif Reaction:

vacation

 

gomalaca

Por Bruno Mattos

O contrato social era para que eu escrevesse sobre Benji, do Sun Kil Moon, mas um pacto com entidades pagãs me levou a mudar de ideia no último segundo. Isso é o que você escutaria se trocasse uma ideia com a minha vizinha de porta, respeitável viúva de inquestionável conduta religiosa, que, de uns tempos pra cá, conforme diz, vem escutando sons estranhos que escapam por entre as frestas da janela da residência dos Mattos. Batidas hipnóticas de tambores, cantos em iorubá, letras cheias de palavras incompreensíveis. Louvações a Exu. Releituras de músicas que foram compostas (e deveriam ter sido esquecidas) há quase um século, interpretadas por profanadores como Juçara Marçal, Russo Passapusso e Karina Buhr. Um resgate da tradição negra brasileira que, além de ter resultado em um álbum coletivo tão bom que mais parece uma playlist, se faz politicamente necessário pelos olhares tortos que atrai por aí. “É magia negra?”, perguntou a vizinha outro dia, ouvindo a batucada de terreiro na música de abertura. Eu devia responder que sim.

Gif Reaction:

exu-caveirinha-o

lazaretto

Por Vine Nunes

2014 foi um ano bem HARD em termos de lançamentos de discos. Eu demorei um tempo para tentar achar algo foda que tenha sido lançado esse ano; pensei, pensei e cheguei no menino mestre Jack White. “Lazaretto NÃO É ALGO DE OUTRO UNIVERSO, já adianto por aqui. Mas é um trabalho coeso, firme, viajando por diversas épocas, mas sem sair do presente. Capiche? O destaque fica pela música homônima, que tem um groove balanceado, algo que lembra bastante o aclamado primeiro álbum solo dele “Blunderbuss. Baixo pesado, guitarras em frenesi. Ponto mais alto, disparado.  Cabe aqui uma lembrança a musica de abertura de “Lazaretto”  – “Three Women” – em que já nos primeiros segundos vemos o timbre empolgado de Mr. White, que nos passa a imagem de: SEGUREM ESSE FORNINHO QUE HOJE EU TÔ DE BOAS. Na sequência vemos mais do mesmo. Não que isso seja algo pejorativo, pois se tratando de Jack White nada soa NORMAL. Se escutássemos esse álbum de uma banda desconhecida, a celebração seria de imediato. Mas Jack White esticou tanto o seu campo gravitacional, tanto a sua zona de conforto, que sempre queremos mais. No final das contas, pegue seu fone de ouvido OU MELHOR, uma VITROLA (ele lançou o vinil MAIS FODÁSTICO DE 2014, com 8 DETALHES FODASTICOS que você pode conferir aqui) e fique pronto para se divertir bastante, like always Jack White nos proporciona.

Gif Reaction:

tumblr_m90ww9pENT1qfj539

sango

Por Guilherme Guedes

Quando ouvi Da Rocinha 2 pela primeira vez, eu não tinha a menor ideia de quem era Sango. Com samples e beats do funk carioca, títulos em português e uma mixtape com um nome desses, eu tinha certeza que ele era brasileiro, carioca, provavelmente morador da Rocinha. Mas depois de 1 minutinho de Google soube que na verdade ele é de Seattle e, como brasileiro é metido a besta e gosta ainda mais quando as coisas que a gente inventa aqui são copiadas pelos gringos, achei a coisa toda mais interessante. Ouça imaginando os americanos rebolando daquele jeito desengonçado deles enquanto ouvem o sample de “Quero te Dar” da Gaiola das Popozudas em “Me Dê Amor”, sem ter a menor ideia do que tá rolando. Impagável.

Gif Reaction:

giphy

Recordar é viver: partes 01, 02 e 03.

Anúncios

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s