36 discos de 2014 – parte 03

 

Taylorswift1989

Por Matheus Conci

O ano de 2014 sempre será lembrado como aquele em que Taylor Swift virou um verbo. Não existe nenhuma hipótese ou mesmo discussão: “1989” é o álbum do ano e se o Grammy não reconhecer isso no final do ano que vem, só nos resta viajar pela cauda do  cometa que cruzar o céu iluminado da musa americana. “Shake It Off” enganou a gente em agosto, com a suas batidas ritmadas, enlouquecendo a galera na pista e grudando o refrão na cabeça por meses – vem mais bate cabelo, era a promessa! Mas tinha uma “Out Of The Woods” no caminho, o que fez geral acender o alerta. Swift deixa a influência da sua mudança para Nova Iorque – agregando o estilo pop ao conceito cosmopolita da cidade. “1989” não é um álbum como os anteriores não só porque não é country, nele não há as desculpas e as justificativas de “RED”, o amor deslumbrado de “Speak Now” ou os conselhos de que o tempo cura de “Fearless”. “1989” assume os erros e dá coragem para quem quiser se aventurar nos relacionamentos sem deixar de ser você mesmo. “Blank Space” diz que o amor é um jogo, “Style” mostra como saber de uma traição nem sempre define um fim, “How You Get The Girl” dá voz para o covarde que nunca se expôs, enquando “Clean” é o lirismo da saudade como encosto do exorcismo. Que os populares continuem a chama-lá de chorona, os machistas e as machistas de pegadora barata: Taylor sempre responde à altura, mostrando um trabalho impecável, de valor, autoral e corajoso. E tudo isso com apenas 25 anos. E cinco álbuns. E muitos recordes. E sete Grammys. E um milh…

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weezer

Por Juliana Moreira

Toda grande (?) banda tem aquela fase rebelde, cria umas músicas nada a ver, fala umas merdas, vai pra rehab, mas no final faz a escola Britney de superação e volta com tudo. Com o Weezer foi assim: depois dos álbuns de 2009 que ninguém entendeu, ficaram um tempo na deles pensando na vida e apareceram esse ano com o “Everything Will Be Alright in The End”, prometendo voltar às origens e fazer o fandom chato parar de reclamar. Confesso que eu e os outros 5 fãs de Weezer que eu conheço ficamos meio com medo de ouvir e quebrar a cara, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário. Já na primeira música, “Ain’t Got Nobody”, deu pra sentir que eles voltaram de verdade, com as letras loser, as guitarras pesadinhas e o rock honesto de sempre que continuam por todo o disco. Destaque também pra “Da Vinci” e “Go Away” (um dueto fofo com a Bethany Cosentino, do Best Coast), que me fazem sentir dentro de um filme da Sessão da Tarde, e “Foolish Father”, que me ganhou com a letra e o coro no final. EWBAITE demorou, mas acabou com a nuvenzinha negra que tava em cima do Weezer e mostrou que, assim como o título promete, tudo fica bem no fim.

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silva

Por Tomás Lacerda

O “Vista Pro Mar” é um verão de 48 minutos, feito de teclados bem arranjados e conduzido por uma batida pop beira de praia que dá o clima certo pra cada uma das lindas 11 músicas do disco. Do lado mais ensolarado: “Janeiro”, minha trilha sonora oficial de todas as manhãs desse longo 2014; “Vista Pro Mar” te dá vontade de remar, de insistir, mesmo que sozinho; “Maré”, alta,  fecha bem o disco. Do lado mais melancolia fim de tarde: “É preciso dizer”, pra lembrar da amada; “Entardecer”, pra caminhar sozinho pela praia do centrinho até a plataforma sofrendo porque todos teus amigos tão indo pro Planeta Atlântida e tua mãe não deixou tu ir (acontece nos filmes acontece na vida); “Okinawa”, chuvosa, com participação da Fernanda Takai, é uma das melhores.

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CHEEKTOCHEEK

Por Douglas Hengen

Uma cantora pop de 28 anos e um cantor de jazz de 88 podem fazer um álbum incrível juntos? Podem sim! A parceria de Lady Gaga e Tony Bennett em “Cheek To Cheek” é surpreendente e deliciosa aos ouvidos. Nadando contra a própria maré, Gaga (que encerrou a turnê “ArtRave: The Artpop ball tour” recentemente) encontra Bennett na praia dele e trás um ar de jovialidade aos clássicos presentes no álbum. Ela não possui a voz das maiores cantoras de jazz da história, como Ella Fitzgerald e Billie Holiday. Entretanto, sem os efeitos eletrônicos comuns em seus cds, Gaga não faz feio e demonstra capacidade de encontrar o talento e a experiência de Bennett. Alguns (haters) críticos dizem que Gaga certas vezes exagera em algumas notas. O que me parece normal, afinal estamos falando de Lady Gaga.  Das 16 faixas, 11 são duetos, e há momentos solo para cada um. O álbum todo é ótimo, mas minhas favoritas são “Nature Boy” e “Let’s Face The Music and Dance”. “Cheek To Cheek” talvez não seja uma joia do jazz, mas é valioso e verdadeiro ao que se propõe. Dá aquela vontade de vestir um terno e encher a cara de uísque.

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taking

Por Gabriela Cavalheiro

Como uma boa emocore poser, eu era jovem demais pra prestar atenção em Taking Back Sunday lá no início dos anos 2000. Porém, por três motivos totalmente aleatórios (uma turnê deles com o The Used, minha amiga Natashinha e o fato de que o álbum tá na íntegra no YouTube), eu acabei parando pra ouvir a banda. Comecei ouvindo de boa, como quem não quer nada além de uma trilha sonora enquanto surfa na interwebs, e antes que eu percebesse o troço já tinha alcançado um nível fora do normal: eu já tava seguindo a esposa do vocalista no Instagram só porque eu queria ver as fotos dos filhos deles (gente, façam um favor a vocês mesmo e vão lá ver as fotos dos nenês do Adam Lazzara pfvr). “Happiness Is” é a coisa mais madura que os moços do Taking Back Sunday criaram nos últimos anos – além dos filhos, claro (e das pancinhas). A banda e, em especial o álbum “Happiness Is”, viraram a trilha sonora dos meus últimos quatro meses e eu recomendo que vocês disfrutem desse amor também. Desculpa o trocadilho, mas happiness is esse álbum Ouçam “Flicker, Fade”, chorem suas dores de cotovelo com “Better Homes and Branches” e morram com “Stood a Chance”.

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azealia

Por Tobias Fidelis

Em um mundo no qual eu, você e qualquer pessoa (exceto Nicole Scherzinger) lançam álbuns a todo o instante, Azaléia Bancos estava preocupadíssima em lançar Quebrada com Gosto de Rica MAS estava sofrendo inúmeros pushbacks da Interscope Records, que não sabia se a moça ia flopar, ou ia fazer sucesso. A moça tava gravando o álbum desde 2011 e no meio disso tudo, lançou aquele EP life-changing: “1991” (e também “Fantasea”, a mixtape). Chateadíssima com a Interscope, Azaléia, depois de inúmeros tweets lokíssimos, decidiu deixar de ser vetada pelos diretores da music industry e virar independente. “212”, “Yung Rapunxel”, “Luxury” e “Heavy Metal and Reflective” já tavam na minha playlist de ouvir música no ônibus há muitoooo tempo, mas aí a moça resolve lançar esse álbum deliciosíssimo no qual é impossível não ouvir e amar a street “JFK” , a trendsetter “Chasing Time” e a trilha sonora de banho hipster “Wallace”, além da abertura de Maria do Bairro 2.0, “Gimme a Chance”. Precedido pelo underground hit “212” (que os DJs noobs insistem em tocar até hoje achando que estão abalando muitooo), BWET é, com certeza, o melhor álbum de Rap de 2014. Azealia Banks ainda é rotulada como uma rapper underground-one-hit-wonder-barraqueira MAS “Broke With Expensive Taste” apenas mostra que ela é RE.AL.MEN.TE talentosíssima e não precisa do Lil Wayne, do Juicy J, do Drake, do Big Sean, da Rita Ora ou da Charli Xis Cê Xis pra definitivamente fazerem os ouvidos ficarem felizes com música boa de verdade.

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Aqui estão as partes 01 & 02.

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