36 discos de 2014 – parte 02

blackkeys

Por Rodrigo Ferreira

Okokok. Ninguém acha “Turn Blue” o melhor disco do ano (nem eu). Mas esse talvez seja um dos melhores breakup albuns desde “Blood on the Tracks” do Dylan (um outro tipo de descornamento). E é depois de abraçar essa chave de leitura que o disco ganha o devido valor. Então, pra quem ouviu e descartou, sugiro dar uma nova chance ao disco ao invés de ligar bêbado praquela ex sacana e acabar com o que resta de autoestima. Vamos aos fatos. A primeira e a última música são os pontos altos do disco. A história entre uma e outra é quase que a clássica jornada do herói – não que o Black Keys seja uma banda dessas que faz discos-conceituais-operarock-com-historinha (ainda bem que não é) – visto que temos Dan Auerbach, vocal e guitarra, saindo de um “messy divorce” (todos os reviews do disco na internet usam a expressão, então vou seguir a tradição). “Weight of Love” é massa pra caralho. Parece dar continuação ao “Attack & Release” (disco deles de 2008) e já dá a dica do que vem pela frente – apesar da diversidade de referências que pipocam (Broken Bells, CCR, Pink Floyd, Neil Young…). As letras são um punhado de riminhas fáceis pra cutucar a ex, sempre acompanhadas de arranjos melancólicos pero no mucho. Afinal de contas, o objetivo aqui é ‘talk the pain all out of me’. Ou em bom português declarar publicamente que chega de boy/mina lixo e agora é curtir a solteirice com o pé na estrada. E não tem como espantar a impressão de que Auerbach superou essa fossa depois de ouvir a última nota de “Gotta Get Away”.

Gif Reaction:

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nickjonas

Por João Koefender

Nunca achei que gastaria meu tempo escrevendo sobre Nick Jonas, mas as circunstâncias atuais me fizeram incluir seu disco solo de estreia (homônimo) nessa belíssima lista. Provavelmente a maior surpresa no cenário pop mainstream de 2014, o álbum é um compilado de canções radiofônicas que flertam com batidas R&B à la JT, mescladas com um pop simplista, porém pegajoso (highlights: “Jealous”, “Teacher” e “Wilderness”). O trabalho em questão é tão #sucesso que conseguiu me fazer esquecer de seu fraquíssimo “Who I Am” (2010), lançado em conjunto com a banda The Administration. Aliás, eu diria que esse projeto é justamente sobre ~~esquecer das coisas. Afinal, parece que nem Nick lembra mais de seu famoso “Purity Ring” – usou feat. abusou de seu corpitcho sarado para gerar um buzz bem bacana em torno da coisa toda (ninguém reclamou, risos). No geral, “Nick Jonas” é um disco que mostra a evolução do artista, tanto na impostação de seus vocais, quanto em sua musicalidade e, sem deixar passar em branco, é claro, sua sexiness. Com o disquinho, Nick Jonas provou estar acima de seus irmãos a.k.a. ex-companheiros de banda. Em todos os sentidos.

Gif Reaction porque não seria um texto sobre Nick Jonas, sem Nick Jonas shirtless:

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bombay

Por Carina Schröder

Os carinhas do Bombay Bicycle Club são conhecidos por se reinventarem a cada álbum que lançam e,com o “So Long, See You Tomorrow” não é diferente. As melodias cativantes e letras sinceras prendem de “Overdone” até “So Long, See You Tomorrow”, canção que fecha o disco. A cada música, as batidas contagiantes vão tomando conta e é impossível ficar parado e não cantar junto. “Feel” e “Overdone” trazem influências de ritmos que vêm diretamente de Bollywood~, o que torna tudo muito mais animado. O disco consegue ser divertido e emocionante ao mesmo tempo, marcado pelo sentimentalismo das letras, acompanhado de uma combinação de percussões, pianos e samplings. Falando dessa forma, pode até parecer muita coisa misturada, mas eles conseguiram casar tudo de uma forma tão bacana que é difícil não curtir. É o tipo de música que dá vontade de dançar com os bracinhos pra cima em um dia quente e úmido de verão, enquanto faz um picnic com os amigos.

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tvontheradio

Por João Veppo

TV On The Radio é uma das bandas mais subestimadas do mundo. Até porque, atualmente, só o que se ouve do quase-morto-respirando-por-aparelhos Indie Rock é AI MDS ALEX TURNER GÊNIO KKK DO I WANNA KNOW IF THESE FEELINGS GO- zzZz. Enfim, sem cornetas, he. O TVOTR não lançava um disco novo desde o “Nine Types Of Light” (2011) e, pouco depois de lançarem ele, o baixista e membro fundador da banda faleceu (:~). Porém, agora eles voltaram com tudo e lançaram o INCRÍVEL “Seeds”! Um álbum que vai desde um heavysynthpopsexy de “Careful You”, até os riffs de guitarra pesados e muito prezas de “Winter” e “Lazerray”. No meio dessa orgia musical, tem a épica “Ride” e a animadíssima (tri boa pra pista alô DJs) “Happy Idiot!”. Enfim, o disco inteiro tá FODA. Ah, aproveitem pra ouvir as coisas antigas deles também -não só a ‘música do Fifa 12 e a ‘a que toca no Breaking Bad, vocês não vão se arrepender (ou vão afinal quem sou eu pra dizer qqr coisa kkk)

Gif Reaction “E eu que achei que nada podia superar o novo do Bombay Bicycle Club”:

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oterno

Por Arthur Nonnig

Com uma picardia juvenil, letras debochadas e um vocalista bastante magro, O Terno lançou o segundo álbum: “O Terno”…criativo, não? Através do Catarse, o grupo conseguiu os dinheiros para fazer toda a mão e nos presentear com um disco cheio de boas canções bizarras e baladinhas de amor mela cueca (pior expressão). Esse novo trabalho mostra evolução considerável desde “66”, já que, neste novo projeto, todas as músicas são compostas pelo trio. O álbum começa sem mostrar o que tem de melhor. A primeira faixa, “Bote ao contrário”, é humildona, parece uma composição que não deu certo na Jovem Guarda e segue tentando. Aí entramos na sequência: ode a São Paulo (“O Cinza”), baladinha paixão platônica que deu errado (“Ai, ai, como eu me iludo”) e viagem difícil de acompanhar sobre o que acontece “Quando estamos todos dormindo”. O deboche toma sua posição de destaque, interpretando “Eu confesso” e “Brazil”. Afinal, é mesmo difícil admitir ser só mais um na “classe média enjoada com pinta de artista”. Caso não tenha ficado claro qual o mote, a “pegada”, o estilinho da banda, pulemos para a última faixa. Em “Desaparecido”, os vocais de Tim Bernardes nos guiam por uma história comum de um jovem de 20 anos que se vê nos Desaparecidos do jornal e descobre que foi roubado por um casal para substituir a criança que eles tinham perdido… eu disse que tinham boas canções bizarras. O álbum está completo para download no site oficial da banda, caso esse texto tenha interessado.

Gif Reaction:

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topaz

Por Rafael Duarte

Esse álbum não vai estar em nenhuma lista de melhores discos do ano, já que provavelmente não é o melhor disco do ano, mas é o meu favorito. Em “Nós Somos Os Piores”, a Tópaz parte para a grandiloquência pop com arranjos que combinam os já tradicionais backing vocals e guitarras da banda com pianos e violinos lindamente produzidos por Lucas Lima (pai do Theo e marido da Sandy). Impossível não se apaixonar por canções como “Mais Difícil Que Escrever Macaulay Culkin” e sua percussão marcante ou “Uma Palavra (Äcelumdisperilosiuoso)” em que a esperteza e irreverência das letras de Alexandre Nickel alcançam o auge. Da primeira nota de “O Roteirista” até a última de “O Mundo É Nosso”, você vai se pegar sorrindo de canto, balançando a cabeça, se identificado com os versos e cantando refrões. E, pensando bem, no final do dia é pra isso que serve música, não?

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PS: Força pro vocalista Cris Möller que tá se recuperando de um acidente de moto.

Parte 01 aqui.

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