the girl at the rock show

Quando me deu a luz que eu poderia ir para a Califórnia em agosto, a primeira coisa que fiz foi pesquisar preço de passagem para Los Angeles e a segunda foi ver as datas da Warped Tour. Naquele momento, nada me importava muito: se estivesse nos Estados Unidos, ia dar um jeito de ir a alguma data, nem que precisasse que atravessar o país. A ideia de voar da costa oeste pra costa leste é absurda em qualquer viagem e ainda mais na minha, já que eu tinha um plano e os dias contados, mas vocês não estão entendendo, eu ia fazer isso se precisasse. E a pior parte era que a minha mãe entendia tão bem (e ela não entende muitas coisas) que falou “só vai”. Para a sorte dela, minha e do bom senso, a data que mais se adequava ao meu roteiro era dia 2 de agosto, em Salt Lake City.

Para quem não tem um passado (ou presente) emo e nunca ouviu falar na Warped Tour, a Wikipedia explica (em inglês mesmo, porque preguiça):

The Warped Tour is the largest travelling music festival in the United States. The tour is held in venues such as parking lots or fields upon which the stages and other structures are constructed prior to and for the duration of the event. The skateboard shoe manufacturer Vans, among others, has sponsored the tour every year since 1995, and it is often called the Vans Warped Tour. The tour began as a showcase for punk rock music, but its more recent lineups have featured diverse genres. It is the longest running tour in America.

Ou, de forma mais dinâmica, o Blink:

Foi nessa música, inclusive, que eu ouvi a primeira menção do nome WARPED TOUR e ele chamou minha atenção de uma forma incrível. Demoraram uns anos para realmente entrar na ~cena e entender o que aquilo significava, mas logo eu acompanhava line ups e notícias, colecionava revistas sobre a turnê e assistia shows disponíveis pra baixar no punkvidz ou nos fansites das bandas. Então, para mim, entrar no Utah State Fairpark foi – vou ser bem sincera – realizar um sonho.

Logo na entrada, eu já sabia que esse festival ia ser completamente diferente de qualquer show que já tivesse ido. Para começar, vale lembrar que Salt Lake City é o berço dos mórmons nos EUA e ser diferente~ não é muito legal por lá, mas o 7-Eleven da esquina estava cheio de gente tatuada com meia calça de oncinha rasgada e cabelo verde – quase uma Redenção em 2006. Enquanto comprava meu café da manhã ali (doritos e gatorade), podia até parecer que eu não tava indo pro mesmo lugar que toda essa gente.

roubei essa foto de uma mina japonesa que veio falar comigo perguntando se eu ia no show, eu disse que sim e ela nunca mais respondeu
roubei essa foto de uma japonesa que veio falar comigo perguntando se eu ia no show, eu disse que sim e ela nunca mais respondeu 😦

Mas eu tava sim e, enquanto chorava por um wi-fi ou que meu chip falso com 3G que tinha comprado só praquele dia funcionasse, a minha banda favorita (ando muito volátil para essa declaração, mas vamos deixar assim) apareceu ali na fila, vendendo CDs e avisando o horário do set. Depois disso, vi eles de novo no meet & greet, com uma bandeira e vários ~souvenirs do Brasil, que fizeram todos virem falar comigo e um ficar me alugando tanto que perdi de conversar direito com os outros. Esse, inclusive, encontrei mais duas ou três vezes durante o dia e uma delas ele já chegou me abraçando e dizendo que todo mundo tinha amado os presentes.

Por sinal, encontrar artistas caminhando pelos palcos, indo comer e conversando com a galera é uma cena NORMAL na Warped Tour. Em algum momento da tarde, eu estava cansada, torrada e resolvi assistir a um show sentadinha na grama um pouco longe do palco. Quando olhei em volta, vi uma cerca e, atrás dela, vários ônibus estacionados. Se podemos chamar um estacionamento de backstage, bem, eu estava bem ao lado do backstage. Aquele virou meu lugar oficial de descanso e a quantidade de ~artistas~ que passaram foi bem chocante pra mim. Algumas pessoas pediam fotos e autógrafos, outras acenavam ou sorriam envergonhadas. Agora você pode dizer que Yellowcard e Anberlin não podem ser comparados em sucesso com headliners Lollapalooza aqui no Brasil, por exemplo, mas a importância que elas têm para os fãs que estão ali é imensurável e só o fato de você poder assistir a um show ao lado de alguém que você admira e que viu tocar horas antes (aconteceu comigo) torna qualquer experiência infinitamente maior.

eu e meus fãs sorridentes
eu antipática e meus fãs sorridentes

Isso pode ser explicado porque a Warped Tour não é um festival de artistas consagrados mundialmente, mas de bandas consagradas dentro de uma cena muito limitada e específica, é um espaço para quem está começando e é um lugar que as pessoas não vão para dizer que foram, mas vão porque não se imaginam não estando lá.

Quando você entra no parque, tem várias bandas falando onde é o set, te implorando para ouvir o cd, dizendo pra você ir mais tarde lá na banquinha deles trocar uma ideia. Você não vê palcos enormes com estruturas gigantes, e sim palcos pequenos um junto do outro, só esperando o do lado acabar o set para a próxima banda entrar. Você não vê 90 mil pessoas na sua volta, mas a energia de quem está lá vale por bem mais que isso.

Espalhadas pelo parque, tinham banquinhas de todas as bandas, empresas e ongs que tinham algum interesse lá, vendendo suas coisinhas por um preço justo e com cinco minutos para conversar com qualquer um que quisesse. Na banca oficial, eu comprei uma camiseta e dei uma tip pro vendedor, que tava juntando dinheiro para pedir a namorada em casamento, e ele me deu duas pulseirinhas em agradecimento. Tinha um espaço para as pessoas encherem suas garrafas de água de graça, com pessoas trabalhando para agilizar o serviço, que ainda dão um esguicho, se parecer que você está com muito calor. Em algum momento, no show do Less Than Jake, eu vi o fundador da Warped Tour, dando uma volta com a filha e conferindo o set.

quadro com os horários de todos os palcos e a primeira coisa que você deve achar quando chegar
quadro com os horários de todos os palcos e a primeira coisa que você deve achar quando chegar

No fim do dia, eu fui ver meia dúzia de bandas e descobri que, mais do que qualquer show, o que vale mesmo é todo o clima que envolve estar lá. Trocar ideias com pessoas desconhecidas, ser abraçada do nada, um palco com uma plateia com menos de 50 pessoas. Numa época em que artistas são vistos como seres transcedentais e, se tu não paga 30448539 reais para o meet & greet de uma banda, os seguranças te chutam pra fora do hotel e os artistas nem olham pra tua cara, estar no meio de tudo isso foi pretty fucking cool.

As datas de 2015 já saíram: a turnê inicia 16 de junho em Pomona, Califórnia, e termina 8 de agosto em Seattle. As bandas vão começar a ser anunciadas 3 de dezembro e eu já estou procurando passagem para ir pelo menos mais uma vez. Já que o line up do Lolla tá uma bosta mesmo… alguém pilha? Não tem Skrillex, mas nunca se sabe quando um novo vocalista de banda emo vai resolver virar DJ.

2014-08-02 17.11.34
pra completar. essa era a vista
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