como socializar em hostels mesmo sendo antissocial

Eu sou o tipo de pessoa que baixa a cabeça ou atravessa a rua pra evitar alguém que meio que conheço. Se vejo um vizinho entrando no prédio, diminuo o passo, pego a escada, finjo que vou olhar a caixa do correio. No Facebook, se alguém começa uma conversa com “oi, tudo bem?” já tenho uma crise de pânico pensando no que responder. Com tudo isso em mente, eu resolvi ir viajar sozinha, passar um mês fora só eu, eu mesma e o meu celular. Dois dias de viagem e eu já tinha aprendido que small talk às vezes é o jeito de garantir que você vai abrir a boca durante um dia inteiro e que não vai precisar passar o tempo todo realmente sozinha: é bem fácil e nem dói tanto. Nem pra mim, que talvez seja a pessoa mais antipática do universo.

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Dica 1: Brasileiros

Tem gente que quer muito fugir de brasileiros em viagens por diversos motivos que não cabem a mim julgar, mas uma coisa é certa: eles/nós somos muito fáceis de reconhecer e mais fáceis ainda de socializar. Sério. A primeira pessoa com quem eu falei no hostel em toda viagem era brasileira, não porque já tava com muita saudade de casa, mas por estar com 1% de bateria e nenhum adaptador, em total desespero e quase chorando, quando vi uma guria com a camiseta do Brasil não hesitei em chamar ela num bom português mesmo. Ela salvou minha vida e eu acabei com um carregador novo pro celular, alguns dias depois, e um convite pra balada do Steve Aoki. Só não vale procurar por Havaianas, que todo mundo usa (mesmo, cometi esse erro mais tarde, quando tentei falar com uma suíça em português).

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Dica 2: hostels (e quartos) pequenos facilitam a vida

Em primeiro lugar, quanto menor o hostel, melhor a área social. Em lugares com 73892 quartos e 3 milhões de pessoas, todo mundo se sente um pouco acuado e quem vai estar lá embaixo aproveitando o bar e a piscina não é alguém que esteja interessado em socializar mais, mas que já veio com seus 23 amigos e não precisa de mais ninguém pra completar o ~~~rolê. Já em hostels que só têm uma mesa na sala de entrada ou na cozinha, todo mundo vai ser obrigado a tomar café da manhã/jantar/beber com todo mundo e eventualmente você vai estar bêbado e contando a vida para/ouvindo sobre a vida de alguém. (E vai ser demais). O mesmo acontece com os quartos: tá achando que as 19 outras pessoas vão querer falar com você? Nada, só vão querer te matar mesmo por ter passado os último 30 minutos tomando banho quando elas queriam muito fazer xixi.

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Dica 3: procure por pessoas simpáticas

Se você ver alguém que parece simpático e ~aberto a novas amizades que não vão durar mais que um dia~, demonstre interesse. Tipo, sorria. Se ficar com muita vergonha, pode ficar só no sorrisinho mesmo ou num oi tímido. Só que não vale dar um oi e esconder a cara no celular porque daí também é falta de respeito. Se você der sorte e a pessoa for simpática mesmo, ela vai vir falar e daí você vai acabar com companhia, seja para caminhar pelo deserto mesmo com 40 graus ou para subir até os Twin Peaks a pé – seja lá qual a indiada que você esteja planejando para tornar sua viagem um pouco mais aventureira~, ela vai ser mais legal com a companhia de alguém que você acabou de conhecer.

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Dica 4: seja a pessoa simpática que os outros procuram

Quer começar conversa, mas não sabe o que falar/quer ser original? Elogie aquela pessoa que tá te encarando há três horas. Não tô falando daquela pessoa que tá te olhando bêbada no bar e quer te pegar, mas sabe quando você olha pra alguém e pensa “daria uma boa companhia pra eu não ficar boiando e tirando só fotos da paisagem nessa Walking Tour”? Então, elogie o óculos, a mochila, o tênis… isso vai deixar a pessoa toda querendo ser sua amiga, mesmo que seja por poucas horas. É pra isso mesmo que a gente queria, né.

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Dica 5: pequenos tópicos de conversa

Antes de começar só vamos fazer uma corrente lógica bem curta rapidinho: quem está no hostel é porque está viajando -> quem está viajando é porque não mora naquele local -> quem não mora naquele local é porque veio de outro lugar para fazer alguma coisa lá. Ou seja, às vezes é mais básico perguntar de onde a pessoa vem e o que ela está fazendo em determinado lugar do que o nome, a idade, o que faz da vida… além de ser mais interessante e render bem mais assunto (não precisa pular o resto). Essas questões facinhas certamente vão dar pano pra manga~ e você – pelo menos – vai acabar com indicações de restaurantes mexicanos baratos ou qualquer coisa do tipo.

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