Quando eu era mais nova, ir ao show de uma das minhas bandas favoritas era um grande evento. Na verdade, ir a um show internacional já era uma coisa extremamente mágica, mas, graças a crises mundiais e ao crescimento econômico brasileiro (sei lá), a minha adolescência foi bem recheada de apresentações de bandas que eu curtia muito.

10247406_637742572969191_3950333479916614973_n

Era bem engraçado, pra falar a verdade, mas extremamente fácil de imaginar, mesmo por quem me conhece muito pouco. Tinha uma contagem regressiva, que poderia começar no momento que o show era anunciado (lembro bem de contar cento e tantos dias), mas ficava realmente intensa um mês antes e ela era espalhada pelo about me do orkut, o subnick do msn e, claro, as legendas do fotolog. E tinha uma contagem pós-show, uma certa forma de lembrança do que havia acontecido: a primeira semana era sempre a pior, aquela em que eu continuava chorando porque “eles foram embora” e não conseguia falar outro assunto, nem com aquela tia distante que resolveu visitar bem no fim de semana depois do show.

Mas problemático mesmo era os dias antecedentes ao show: a preparação pra viagem (normalmente pra curitiba <3) e/ou o processo de ida pra fila. Essa sempre foi a parte que minha mãe (e acho que todas as mães do mundo) mais odiou e tenho amigas que lembram entre risadas as ameaças que sofremos às cinco da manhã a caminho do Pepsi On Stage. Lembro especialmente de um momento no hotel em que ela me ligou com um discurso sobre como eles não desceriam e eu tinha que ir pra aula, minutos antes de eu conseguir fotos com a minha banda favorita.

Por isso, dá pra entender porque minha mãe fechou a cara quando, perto da meia noite da terça passada, eu cheguei em casa e disse “acho que vou no aeroporto amanhã”. Mas é que existem poucos sentimentos tão bons quanto o momento que você sai de um show e ele foi muito mais do que se poderia esperar. Tudo que você quer (eu queria) é compartilhar mais um pouquinho daqueles momentos que aconteceram.

10156124_637742226302559_4544111046780585292_n

O estranho é que nenhuma parte dessa preparação tinha acontecido antes do show do The Maine que aconteceu na terça passada, no Opinião. Sim, sua imbecil – vocês podem dizer – tu tem 22 anos, faculdade, estágio, um tcc pra fazer e três cães pra cuidar. Aham, marca um show do McBusted aqui em Porto Alegre e vê se eu não jogo tudo pro alto (e sou expulsa de casa). É que… eu não estava esperando nada mesmo da banda, só tava lá porque fui de graça e porque eu realmente gostei do álbum novo. 2012 tinha sido beeem mais ou menos.

O que dois anos não fazem, né. O Opinião estava bem vazio e a gente recém tinha conseguido finalmente pegar uma porção de batata frita pela qual estávamos esperando há uma hora quando o Santino entrou no palco para o show de abertura. Imediatamente, bateu uma nostalgia e me senti em 2009 de novo, ouvindo o On Your Side de madrugada e pensando nas bandas que eu gostava e que nunca ia ver ao vivo. O que me impressionou foi a altura dos gritos de quem estava lá – que só aumentaram na hora do The Maine.

O show de Porto Alegre foi, sim, o único vazio (e não vou me posicionar aqui, apesar de ter visto mísero 3 cartazes colados por aí no fim de semana antes do show, entre outras questões), mas dúvido que alguma cidade tenha gritado mais – mesmo que tenha sido “ah, eu sou gaúcho” (GENTE PLMDDS VOCÊS SINCERAMENTE AINDA NÃO CANSARAM?).

Estar lá foi como recuperar algo que eu não sabia que podia sentir mais. Não me levem à mal: assisti a shows maravilhosos nos últimos meses, apresentações com muito mais qualidade do que a do The Maine e que me levaram a lugares que nunca tinha ido antes. Mas estar lá era diferente, como estar entre amigos cantando junto músicas que a gente sabe de trás pra frente. E não era pela idade parecida e não era pelos olhares indiscretos ou pelo sorrisinhos que quem não estava envolvido custa a entender. Acho que tem a ver com aquele sentimento  de que você não pertence ali, que você precisa de mais, mas que aquilo, ao mesmo tempo, vai ser sempre uma parte de quem você se tornou. A gente se entendeu. Às vezes isso é tudo que você precisa.

E o que dizer quando a banda vai lá e toca a música que eu pedi?

Faz mais sentido aí o fato de que gente tenha criado uma conversa intitulada “The Maine aeroporto”. Eu só queria dizer algo como “bem mandado” e pedir aquele autógrafo na camiseta tão velha, que traz a letra de uma música que nem entra mais na set list. Não fomos, porque certas “loucuras” já passaram dos limites – e minha cama tava tão quentinha.

É verdade que mais me aproveitei dessa data (uma semana) para ter uma desculpa e fazer um texto sobre o show (apesar de que, sim, ainda é um dos assuntos com as amigas que estavam lá). Também é fato que não estou bem contando os dias até agosto na Warped Tour – afinal, tenho tantas outras coisas pra me preocupar -, mas, se eu ainda tivesse 16 anos, certamente estaria.

Anúncios

Publicado por Natasha Heinz

Escrevo tanto em primeira pessoa que qualquer um quer ler dois posts pode se considerar meu amigo.

Se Junte à Conversa

6 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: