das coisas que minha mãe nunca entendeu

Quando eu era mais nova, ir ao show de uma das minhas bandas favoritas era um grande evento. Na verdade, ir a um show internacional já era uma coisa extremamente mágica, mas, graças a crises mundiais e ao crescimento econômico brasileiro (sei lá), a minha adolescência foi bem recheada de apresentações de bandas que eu curtia muito.

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Era bem engraçado, pra falar a verdade, mas extremamente fácil de imaginar, mesmo por quem me conhece muito pouco. Tinha uma contagem regressiva, que poderia começar no momento que o show era anunciado (lembro bem de contar cento e tantos dias), mas ficava realmente intensa um mês antes e ela era espalhada pelo about me do orkut, o subnick do msn e, claro, as legendas do fotolog. E tinha uma contagem pós-show, uma certa forma de lembrança do que havia acontecido: a primeira semana era sempre a pior, aquela em que eu continuava chorando porque “eles foram embora” e não conseguia falar outro assunto, nem com aquela tia distante que resolveu visitar bem no fim de semana depois do show.

Mas problemático mesmo era os dias antecedentes ao show: a preparação pra viagem (normalmente pra curitiba <3) e/ou o processo de ida pra fila. Essa sempre foi a parte que minha mãe (e acho que todas as mães do mundo) mais odiou e tenho amigas que lembram entre risadas as ameaças que sofremos às cinco da manhã a caminho do Pepsi On Stage. Lembro especialmente de um momento no hotel em que ela me ligou com um discurso sobre como eles não desceriam e eu tinha que ir pra aula, minutos antes de eu conseguir fotos com a minha banda favorita.

Por isso, dá pra entender porque minha mãe fechou a cara quando, perto da meia noite da terça passada, eu cheguei em casa e disse “acho que vou no aeroporto amanhã”. Mas é que existem poucos sentimentos tão bons quanto o momento que você sai de um show e ele foi muito mais do que se poderia esperar. Tudo que você quer (eu queria) é compartilhar mais um pouquinho daqueles momentos que aconteceram.

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O estranho é que nenhuma parte dessa preparação tinha acontecido antes do show do The Maine que aconteceu na terça passada, no Opinião. Sim, sua imbecil – vocês podem dizer – tu tem 22 anos, faculdade, estágio, um tcc pra fazer e três cães pra cuidar. Aham, marca um show do McBusted aqui em Porto Alegre e vê se eu não jogo tudo pro alto (e sou expulsa de casa). É que… eu não estava esperando nada mesmo da banda, só tava lá porque fui de graça e porque eu realmente gostei do álbum novo. 2012 tinha sido beeem mais ou menos.

O que dois anos não fazem, né. O Opinião estava bem vazio e a gente recém tinha conseguido finalmente pegar uma porção de batata frita pela qual estávamos esperando há uma hora quando o Santino entrou no palco para o show de abertura. Imediatamente, bateu uma nostalgia e me senti em 2009 de novo, ouvindo o On Your Side de madrugada e pensando nas bandas que eu gostava e que nunca ia ver ao vivo. O que me impressionou foi a altura dos gritos de quem estava lá – que só aumentaram na hora do The Maine.

O show de Porto Alegre foi, sim, o único vazio (e não vou me posicionar aqui, apesar de ter visto mísero 3 cartazes colados por aí no fim de semana antes do show, entre outras questões), mas dúvido que alguma cidade tenha gritado mais – mesmo que tenha sido “ah, eu sou gaúcho” (GENTE PLMDDS VOCÊS SINCERAMENTE AINDA NÃO CANSARAM?).

Estar lá foi como recuperar algo que eu não sabia que podia sentir mais. Não me levem à mal: assisti a shows maravilhosos nos últimos meses, apresentações com muito mais qualidade do que a do The Maine e que me levaram a lugares que nunca tinha ido antes. Mas estar lá era diferente, como estar entre amigos cantando junto músicas que a gente sabe de trás pra frente. E não era pela idade parecida e não era pelos olhares indiscretos ou pelo sorrisinhos que quem não estava envolvido custa a entender. Acho que tem a ver com aquele sentimento  de que você não pertence ali, que você precisa de mais, mas que aquilo, ao mesmo tempo, vai ser sempre uma parte de quem você se tornou. A gente se entendeu. Às vezes isso é tudo que você precisa.

E o que dizer quando a banda vai lá e toca a música que eu pedi?

Faz mais sentido aí o fato de que gente tenha criado uma conversa intitulada “The Maine aeroporto”. Eu só queria dizer algo como “bem mandado” e pedir aquele autógrafo na camiseta tão velha, que traz a letra de uma música que nem entra mais na set list. Não fomos, porque certas “loucuras” já passaram dos limites – e minha cama tava tão quentinha.

É verdade que mais me aproveitei dessa data (uma semana) para ter uma desculpa e fazer um texto sobre o show (apesar de que, sim, ainda é um dos assuntos com as amigas que estavam lá). Também é fato que não estou bem contando os dias até agosto na Warped Tour – afinal, tenho tantas outras coisas pra me preocupar -, mas, se eu ainda tivesse 16 anos, certamente estaria.

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6 comentários

  1. […] Lembra de 2007? Na época em que ainda era legal usar cinto de rebites, franja na cara e all star decorado com letras de música? Lembra que tinha uma orda de bandas que cantavam sobre fins de namoros e fugir de casa que foram apelidadas como “emos” (mesmo elas não necessariamente tocando emo)? Foi nesse contexto que surgiu o primeiro EP do The Maine. Oito anos se passaram e eles continuam aí, só que agora sem acne, sem cabelo na cara e, principalmente, soando como homenzinhos maduros. Tudo bem que o amadurecimento deles já vem se mostrando mais perceptível há pelo menos dois álbuns, mas American Candy foi como o ápice e chega a dar um orgulhinho. E esse álbum foi tão intenso que eu até esqueci que ele foi lançado esse ano. A sensação que eu tenho é que essas músicas estão presentes na minha vida há séculos e que elas se adaptam perfeitamente na vida de qualquer pessoa jovenzinha, com assuntos sobre viagem (“Miles Away”), “meu corpo-minhas regras” (“My Hair”), “não sei o que tô fazendo com a minha vida” (“Un)Lost”) e migos (“Another Night on Mars”). É o tipo de álbum que inspira uma jornada de self-discovery, além de render várias quotes estilo tumblr. […]

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