demi, tretas e uma dica

Estar no show da Demi Lovato em Porto Alegre no último sábado não foi nada fácil. Você tinha que ter conseguido comprar o ingresso nos únicos dois dias que a venda ficou aberta, não ter sido enganado por cambistas nem por assessores ou ser ~~~relevante dentro da província para conseguir estar entre as 5500 (ou mais) pessoas que se apertavam dentro do Pepsi On Stage para ver a apresentação.

A verdade é que foi um verdadeiro caos e, se a minha cabeça começou a doer tanto que achei que ela ia estourar quando eu finalmente entrei no carro, imagina quem é realmente muito fã da Demi e não conseguiu um ingresso porque é simplesmente impossível que uma produtora acerte shows nessa cidade.

O engraçado é que eu realmente queria fazer um texto legal pra contar justamente pra esses fãs como tinha sido entrar lá dentro, mas no meio daquela confusão ser jornalista credenciado – com um e-mail garantindo que era só chegar no portão de imprensa no dia e minha entrada estaria lá – não tinha muita importância. A prova é que não fui a única profissional~ que ficou com cara de tacho quando, passando das 21h, disseram que não ia dar pra gente entrar.

“moçaaaaaa, estamos aqui há duas semanas, deixa a gente entraaaar”

O problema poderia ter começado nesse momento. Ou um pouco antes, no sábado mesmo, quando passavam das 19h e a passagem de som estava começando, enquanto filas e mais filas de menores de idade ficavam no frio e no escuro em um lugar nem um pouco seguro da cidade esperando para entrar. É verdade que não estariam muito confortáveis lá dentro, mas vai dizer isso para adolescentes ansiosos que desde às 18h já gritavam “libera, libera!”, implorando para os portões serem abertos.

Só que o problema começou mesmo quando foi dito que os ingressos esgotaram em poucas horas, mas você chegava ali na frente em torno das 21h do dia 3 e a bilheteria estava aberta, vendendo entradas de pista normal por R$ 190 enquanto cambistas cobravam até R$ 500 pelo mesmo ingresso – se é que eles não eram falsos, se é que o cara não pegava o dinheiro da pessoa e saía correndo com ele e com o ingresso.

O engraçado é que ninguém pensou que colocar a Lady Gaga na FIERGS numa terça-feira de fim de ano, quando já fazia tempo que ela não lançava nada que chamava atenção do público em geral, com ingressos a preços absurdamente altos ia ser um problema. É que, claro, ela chama a atenção da mídia. Só que não importa quanto espaço a mídia der pra um artista, ela só consegue convencer um certo número de pessoas – e nem todas elas vão pagar.

Quem vai pagar são os fãs e tá aqui o grande mérito da Demi Lovato e o motivo pelo qual o Pepsi estava mais do que lotado sábado – e provavelmente seguraria uma segunda data (acho que um lugar maior não seria solução e sim uma segunda data, pois muita gente iria em ambas aumetando consideravelmente o público). Só que ninguém prestou atenção ano passado quando centenas de pessoas se amontoaram na frente do hotel dela em São Paulo, que estava aqui só para a gravação de um programa de tv e uma coletiva de imprensa. Todo mundo prestou atenção que os shows de SP e do Rio esgotaram e datas começaram a ser abertas sem limite. Mas, ah, pra que se preocupar com Porto Alegre, não é mesmo?

não vai ter demi!
#nãovaiterdemi

Dizem que Porto Alegre não segura show, que as casas cobram alugueis absurdos para não lotarem, que a cidade deveria sair da rota de apresentações internacionais. Daí vem uma cantora com público majoritariamente adolescente (que é quem paga), em um sábado, com ingressos a preços normais e o que acontece? Esse caos. Acho que tá na hora de reclamar menos do público do que da organização.

Posso não ser importante, posso não ser empresária e tenho absoluta certeza de que não conseguiria administrar um negócio, mas é que – e vou colocar isso de uma forma muito geral mesmo pra ver se entendem – sou fã e, como fã, vejo as coisas de uma forma diferente de quem tá em posições mais altas. E, no fim, tudo que eu tenho a dizer é a mesma coisa que venho dizendo há anos: vocês estão muito errados e continuam sem prestar atenção no que importa.

Shame on you, organização.
Parabéns, Lovatics

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