if there’s no music up in heaven then what’s it for?

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Eu realmente gosto muito de música.

De verdade, não consigo pensar em muitas coisas que gosto mais do que de ouvir música. De todas as coisas mesmo, de todas ~~as artes. E olha que eu gosto muito de ler. Mas música tem algo a mais, que eu sinto desde muito pequena e nunca consegui explicar. É essa força que tem de aproximar as pessoas, sem se importar quem elas são, do que gostam, onde estão e pelo que passaram.

Música ao vivo, então, parece que amplia esse sentimento ainda mais. Estar em um show é sempre uma experiência coletiva e, por isso, não importa o quão melhor você esteja vendo o palco pela tv, isso nunca vai substituir a sensação de estar lá no meio. É uma forma extremamente profunda de se relacionar com os outros – mesmo que cada um esteja no próprio transe e mal consiga perceber o que está acontecendo em volta.

Transe. É exatamente essa a palavra que define o show do Arcade Fire ontem no Lolla. Eu estava com mais duas amigas e uma delas nem queria ver a banda, disse que achava chata. Na saída, eu e a outra amiga estávamos falando sobre algumas pessoas sem noção (claro, sempre) que estavam na nossa volta durante o show e ela virou pra gente e disse: “Nossa, eu tava tão vidrada no palco que nem vi tudo isso acontecer”. Isso foi logo depois de nós três termos nos abraçado e começado a chorar enquanto a multidão passava por nós em direção a saída. Bem tipo uma cena de filme mesmo. O mais bonito foi a quantidade de pessoas que passava nos encarando não com um olhar estranho, mas de compreensão, e o menino que virou e disse, com um sorriso: “É isso aí mesmo, gurias, eu também tava chorando lá na frente!”.

Fica difícil dizer quando é que o show ficou, assim, catártico. (Porque, sim, esse é o único jeito com que eu consigo explicar).

Com certeza, já estava em Wake Up, quando a absolutamente todo mundo que assistia o show cantava junto e os fogos de artifício e a chuva de papel colorido completavam o clima.

Pode, sim, ter sido em Sprawl ou, antes ainda, em algum momento entre The Suburbs e Ready to Start. Na verdade, voltando à instrodução dessas músicas, que Win Butler disse serem sobre SAUDADE. Assim, em português mesmo. Foi o Ezra Köenig que ensinou: “Ezra from Vampire Weekend of all people told me what saudade means and that all of our fucking songs are about saudade and it explains so much”. Inclusive, saudades desses dois shows.

Mas vou ser sincera mesmo. Logo eu, que sentada no chão enquanto as pessoas começavam a se amontoar em volta me perguntei se realmente ia perder o show do New Order. A verdade é que tudo começou no momento em que eles entraram no palco e tocaram Reflektor.

Não estou brincando quando digo que foi a coisa mais linda que eu já vi na minha vida. O show inteiro, eu digo. É realmente difícil acreditar que isso aconteceu de verdade.

Amanhã, quando eu conseguir de parar de chorar (sério) toda vez que começo a lembrar de tudo que aconteceu ontem, eu volto com a minha AVALIAÇÃO JORNALÍSTICA do festival. Mas só tenho a dizer: chorem todas as produtoras, chora quem não foi, que esse Lolla foi insuperável.

Puta que pariu, como eu gosto de música.

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