36 discos de 2013 – parte 04

tomzeh

Por Luís Felipe Abreu

Neste momento em que as timelines deste país se agitam em um tsunami de inflamados discursos contra TUBBYS, LULUS e afins, é preciso parar e lembrar que lá em abril Tom Zé já tinha antecipado todos vocês ao rebelar-se contra o bullying da interwebs – Tom Zé tendência, desde sempre. Com Tribunal do Feicebuqui, o velho baiano respondeu às críticas que vinha sofrendo por narrar um comercial da Coca. Tom Zé não ARREGOU e tomou a injúria como inspiração: no compacto – solamente x musiquinhas – ele propõe uma discussão sobre o caráter INQUISIDOR da internet, a mais nova inventadora de pecados – como diz o PETARDO Papa Francisco perdoa Tom Zé, a melhor do conjunto. Com milhares de dedos virtuais postos na cara, não se intimida e apresenta, na sua usual salada sonora, não desculpas nem perdões, mas sim um lixo lógico dos mais finos, que se mostra completamente despreocupado com qualquer convenção e qualquer regra de conduta imposta. Afinal, o compromisso do artista é um, somente um: criar arte. Criar a partir de qualquer coisa – e dessa lição Tom Zé sempre foi mestre.

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Internet-Arguments-Vs.-Real-Life-Arguments-As-Seen-On-Family-Guy
soundcity

Por Francisco Menegat

SOUND CITY: REAL TO REEL. Taí um álbum que não pode faltar na lista de melhores de 2013. Não só pelas músicas fodas, mas pelo conceito por trás dele. O disco, indicado pro Grammy, foi todo gravado em fita (sim isso ainda existe), é puramente analógico e é trilha sonora do documentário que conta a história do estúdio Sound City (cara, o Nevermind foi gravado lá). Quem encabeçou o projeto foi ninguém mais ninguém menos que Dave Grohl, que chamou uma ~txurma da pesada pra fazer uma parceria de composição. A faixa Cut Me Some Slack tem a parceria mais FODA e épica da história, com os membros do Nirvana e ele, Sir Paul McCartney, numa música estilo Helter Skelter. Harmônicas lindas de violão em If I Were Me e a voz incrível do Corey Taylor, vocalista do Slipknot, que tira a máscara bizarra e canta pra valer em From Can to Can’t. Dave Grohl, Josh Homme e Trent Reznor fecham o álbum com Mantra, numa combinação melódica de bateria, baixo e teclado, que evolui até um final surpreendente. Na era do digital, onde tudo é autotuneado até a alma, o Sound City – Real to Reel traz de volta a energia do analógico, a ideia que música não tem que ser perfeita: tem que ser humana. “Sound City. That’s it, man”.

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SOUND CITY GIF

onedire

Por Natasha Heinz
Já consigo ouvir de longe o som do mimimi ao ver esse álbum numa lista de 36 discos, mas aqui está um fato: Midnight Memories, o terceiro álbum da boyband mais falada do mundo (tirando NSYNC no VMA) vendeu mais de 500 mil cópias só na pré-venda e, mesmo tendo sido lançado no final de novembro, vai acabar o ano como o álbum mais comprado de 2013. E A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS, então shhh chatos.
Depois de ir no cinema assistir ao documentário do One Direction duas vezes, Midnight Memories é tudo que eu queria que eles fizessem pra justificar porque essa minha obsessão fora de época por eles. Apenas as 3 faixas mais chatas do álbum não foram co-escritas por pelo menos um dos integrantes, o que mostra uma vontade de tomar pelo menos um pouco de controle do próprio trabalho (e uma possibilidade de sair em carreira solo quando se a boyband acabar) e também uma noção da explosão que aconteceu no pop esse ano, visto que o cd consegue reunir desde batidas anos 80 até baladas wannabe Mumford & Sons sem parecer indeciso (prbns simon e produção). Meus destaques pessoais são a faixa-título, Midnight Memories que tem até palavrões e Diana escrita pras fãs.
É ÓBVIO que não é o MELHOR álbum do ano, porque não tem absolutamente nenhuma novidade nele, mas talvez seja o álbum que melhor reflete a música pop em 2013. Duvido alguém ouvir e não sair cantarolando alguma das faixas.

GIF Reaction do 1D milionário ligando muito pouco pro chorume hipster:

large

vessel

Por Gabriela Cavalheiro
Agonia transformada em música. É mais ou menos assim que eu defino as faixas do álbum Vessel, o terceiro do Twenty One Pilots. A mistura de rap, emo, grito e um ukulele criam um disco que, na minha humilde opinião, é estranho, mas perfeito para se ouvir no fone de ouvido no meio de ônibus lotado – no volume máximo, é claro. Duvido que alguma outra banda consiga criar um álbum tão único quanto Vessel.
PS: não recomendo a música Migraine porque, ironicamente/incrivelmente, ela me causa dor de cabeça. Abras

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apanhador

Por Juliana Moreira
Ouvi um pessoal dizer por aí “mas esse álbum é muito diferente do primeiro”. Claro que é diferente, amiguinho, é da Apanhador Só que a gente tá falando! Tanto no álbum de estreia como nos EPs que saíram nos últimos 3 anos, o principal atributo dos caras sempre foi a capacidade de experimentar e surpreender a galera, tanto na sonoridade da música como no andamento. Então para tudo o que tu tiver fazendo agora, vai no site, ouve o som de graça e deixa os álbuns iguais pro Franz Ferdinand.
Já aviso que não vale ouvir enquanto a pauta come, porque “Antes que tu conte outra” merece muita atenção. A mistura de instrumentos, melodia, tons, estilos e todos os detalhes são o que fazem a pegada do disco. Sem falar nas letras, que mostram como a gente não é obrigado a aceitar rotina chata, trabalho cansativo e T7 lotado. Como sou libriana e não sei escolher uma música só, vou destacar “Mordido”, “Despirocar” e “Por Trás”, que mostram muito a vibe inquieta do álbum. Cada música é uma surpresa e um PETARDO nos ouvidos.
(Como se isso tudo ainda não fosse suficiente, ainda tem os graves do Kumpinski. Impossível resistir.)

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giphy reflektor

Por André Araujo
“mas não é um the suburbs” o amigo falou depois de vinte minutos discorrendo efusivamente sobre o cd novo do arcade fire. em outro círculo, onde as disputas estéticas tendem ao estapeamento e o insulto, me senti tal como C.C. pregando no deserto, tentando achar O ARGUMENTO FATAL para desbancar o descrédito dos amigos.  mas tanto o meu faniquito AFE MAS OLHA OS AR FICAR COMPARANDO quanto a numeração extensiva de argumentos desesperados e sem noção que iam desde o MAS MANO É UMA EPOPÉIA POP TEM ATÉ CONVOCAÇÃO DAS MUSAS NO INÍCIO ao SE TU NÃO SACOU AS REFERÊNCIAS AO BENJAMIN ME DESCULPA MAS TU É APENAS BURRO são, obviamente, tentativas infrutíferas para realizar algo que o cd deveria fazer por si só (ou não, nunca duvide do filisteísmo alheio, mesmo não sendo o caso): convencer os amigos que é o melhor disco do ano DE LONGE.
o que resta é tentar expor de que forma o disco ME pegou, seja pelas 23 camadas interpretativas para a maior música REFLEKTOR que fui achando ou inventando, seja pelas canções de superação por ser um outsider (destaque para Joan of Arc que é tipo o HINO de uma sexta a noite que você foi esquecido pelos amigos e fica planejando a revolução político-estética em 12 pontos irrefutáveis escritos em forma de romance experimental ELES VÃO VER SÓ UMA COISA), seja pelas referências – ou melhor, pelo modo de usar referências (não mais ter influência do bowie mas sim escrever uma canção do bowie COM O BOWIE), seja por jogar deleuze, walter benjamin, kierkegaard e rilke em canções de 5 minutos, seja por materializar uma espeécie de superação da retromania onde a máxima pop will repeat itself é trocada por uma muito mais afudê: POP WILL CRITICIZE ITSELF. mano, plmdds né reflektor disco do ano.

GIF Reaction:

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Essa parte vem pra mostrar que somos um site SEM PRECONCEITOS.

(vamos relembrar também as partes 01, 02 e 03)

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