nota Frances Ha: um grande filme

Perdi a conta de quantas vezes eu li que a Frances, protagonista de Frances Ha, era o equivalente feminino do Woody Allen do fim da década de 70, mais especificamente de Manhattan, aquele filme que faz Martín e Mariana, de Medianeras, chorarem. Outros compararam Frances Ha a alguns clássicos da Nouvelle Vague e fizeram paralelos entre a personagem-título e Cabíria, a personagem-título de Noites de Cabíria, de Fellini.

Acontece que seria arrogância minha querer fazer comparações desse tipo, apesar de elas serem indicativo de um grande filme. Além do mais, deve ser um saco ter o seu trabalho comparado com outros o tempo todo, mesmo que esses outros sejam aqueles citados acima.

Críticas cinéfilas à parte (cinéfilo é o adjetivo que não transa), Frances Ha é um filme genial. E todo mundo deveria ver. Mas, por quê? Primeiro, claro, porque a Frances é gente como a gente de um jeito que até deixa a gente angustiado na cadeira do cinema. Algo do tipo: “faz isso não, Frances!!” ou “vem cá, Frances, dá um abraço que tu tá precisando”. Segundo porque, apesar de estar completamente perdida na vida e ser zicadíssima, ela é otimista. Frances sabe que a zica vai acabar. Porque a zica da Frances chama amadurecimento.

A Frances chama Greta Gerwig e co-roteirizou o longa com seu boy, o diretor Noah Baumbach. Todo esse amadurecimento da nossa personagem-título começa quando sua melhor amiga, com quem dividia o apartamento, decide se mudar. Frances, que é gente como a gente e também vive sem dinheiro, começa então a procurar outros lugares para viver. Ela chega a morar com o Adam de Girls, personificação do hipster bancado pelos pais que vive como um artista (de novo!!!)Enquanto isso, apesar de seu esforço, a carreira como dançarina na companhia onde é aprendiz é cada vez mais distante.

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frances e sophie, a melhor amiga

Por sinal, em momento algum vemos Frances pensar em boys, ou agir como se sua felicidade dependesse de um relacionamento. Muito pelo contrário. O foco dela é a relação com Sophie, a melhor amiga e ela é chamada de undateable (algo como inacessível) diversas vezes.

Durante o filme, temos a sensação de que, apesar da infantilidade de Frances, todas as pessoas ao seu redor são cínicas e meio frívolas, como se crescer fosse te deixar meio vazio e bitolado. Apesar disso tudo, porém, Frances consegue ser feliz com muito pouco e seu jeito atrapalhado de levar a vida é adorável e cativante. Se até ela tem jeito, como a gente não vai ter?

O filme está em cartaz no Cinebancários (três reais pra estudante!) e no Espaço Itaú de Cinema.

PS.: Você vai sair do cinema dançando Modern Love, do Bowie.

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